Crítica: Merlí (1ª temporada)

Crítica: Merlí (1ª temporada)

Ficha Técnica: Merlí

Direção: Héctor Lozano

Roteiro: Eduard Cortés

Nacionalidade e Lançamento: Espanha, 2015

Sinopse: O novo professor de Filosofia do Ensino Médio possui diferentes métodos de ensino que deixam alunos e funcionários intrigados.

Quando Bruno (David Solans) passa a morar com o pai e a avó porque sua mãe decide morar com o namorado em outro lugar, ele não imagina que outras mudanças de grande impacto estarão por vir. Merlí (Francesc Orella), pai de Bruno, precisa de um novo emprego para conseguir sustentar o filho e é contratado como professor de Filosofia na escola de Bruno. Entretanto, enquanto Merlí surpreende e encanta os alunos com seus métodos peculiares de ensino, ele também consegue gerar irritação e ira por parte dos outros professores e funcionários da escola. Como Merlí não faz uso de métodos tradicionais e não se importa com regras em geral, seu emprego na nova escola encontra-se em risco, e Bruno se sente afetado pelas atitudes do pai.

A história ocorre na Catalunha (Espanha) e é mais direcionada ao público jovem. Porém, me arrisco a dizer que agradará a diversos públicos. Todos os personagens são magnificamente trabalhados e a evolução e amadurecimento de cada um é visível a cada novo episódio. Merlí é um homem de personalidade forte, capaz de transmitir seus conhecimentos e abrir a mente de seus alunos para que eles possam desenvolver o pensamento crítico. E o mais interessante é que sua vida pessoal passa longe do que seria considerado correto pelas pessoas. Por outro lado, seu filho Bruno é um personagem carregado de preconceitos (até mesmo contra si próprio) e medos que o fazem utilizar o ataque ofensivo como uma defesa. O seriado também nos apresenta a Pol (Carlos Cuevas), um garoto que se encaixa no típico perfil de galã da escola, mas que possui uma história triste e difícil fora do ambiente de estudos. Pau Poch interpreta Ivan, outro personagem com um forte peso no seriado, pois sofreu muito buylling e parou de frequentar o colégio por conta de uma síndrome do pânico. Também temos a presença de Albert Baró no papel de Joan, um garoto que sofre grande pressão dos pais em relação aos estudos e à profissão escolhida. Esses são só alguns exemplos dos fortes personagens que “Merlí” nos apresenta. Não vou falar de todos, mas posso dizer que cada um possui um passado e um presente que trazem problemas em suas vidas, e esses problemas são tratados ao longo do seriado de forma sensível e real.

Em todos os sentidos, a primeira temporada de “Merlí” surpreende muito. E eu fiquei intrigada por ser uma série tão pouco conhecida. A direção, o roteiro e as atuações estão espetaculares, não tenho como reclamar de nada. O desenvolvimento da história prende o espectador, que espera conhecer um pouco mais de cada personagem a cada episódio. Outra coisa bacana é que o seriado traz diversos conceitos filosóficos que são pouco conhecidos entre os leigos (por exemplo, eu). Gostei muito das reflexões em torno da Filosofia. Assim como Merlí faz seus alunos se interessarem pelo tema, eu também fui atingida pelo seu carisma e paixão pelo assunto.

O drama da série engloba muitos assuntos polêmicos e delicados, como traição, homossexualidade, buylling e preconceito.  Muito além de nos entreter, “Merlí” pode ser considerado uma lição de vida e uma luz a todos que sofrem preconceitos de alguma forma. Através da Filosofia, de pequenos gestos e da propagação da mente aberta, o seriado consegue atingir o nosso interior de uma forma extremamente comovente, gerando reflexões sobre a vida e abrindo os nossos olhos aos sentimentos alheios. Indico fortemente para quem procura um seriado leve e delicado, tratando de temas tão comuns em nosso cotidiano.

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