Spielberg e um cinema que não existe mais
*artigo escrito por Wesley Fernandes
Recentemente estive no cinema para ver o filme novo do meu herói na sétima arte, Steven Spielberg. O diretor foi o grande responsável por tornar o cinema algo mágico para mim ainda na infância. “Indiana Jones”, “E.T”, “Tubarão” e “Parque dos Dinossauros” me levaram a um nível de encantamento, que só ele conseguiu me causar, por isso mesmo, sempre tento prestigiar seus filmes no cinema.
No seu mais recente filme, “Dia D”, ele me divertiu e encantou como sempre e, apesar de achar o filme nota 7 ou 7,5, me peguei sentindo encantamento e tive um envolvimento absurdo de forma muito natural. Isso é algo que às vezes sinto falta nos blockbusters hoje em dia, em que os filmes de grande orçamento quase sempre precisam ficar envoltos em cenas mirabolantes, cansativas e desnecessárias com intuito de prender a atenção do público e a história ou carisma da trama que se danem.
No dia seguinte ao filme do Spielberg fui parar em uma situação que me levou de novo a esse lugar de reflexão, pois em meio a um feriadão fui a um cinema de shopping ver “Mestres do Universo” com a minha mãe e pude perceber melhor o sentimento do dia anterior. Na sessão do “filme do He-Man” a sala estava lotada, a direção do longa parecia saber exatamente que o público que havia ido ver ao filme era o público distraído e difícil de se envolver em algo, sem que tenha um hiper estimulo vindo de uma cena de ação a cada 5 minutos.

O filme se rende a isso e tenta desenvolver a história em uma ação desenfreada e a justificativa para isso pude ver na própria sala, pois toda vez que o filme ousava ter 2 minutos de algum respiro, as luzes dos celulares se acendiam e a dispersão tomava conta de uma boa parcela da sala. Ciente disso, a ação seguida de piadas repetidas voltava logo para manter a atenção do público.
Com essas duas experiências pude perceber o quanto o público, em sua maioria, não consegue mais se envolver de forma minimamente orgânica e profunda com um filme, estamos perdendo a capacidade de parar e apreciar, absolutamente tudo precisa estar acelerado, a calmaria vira dispersão, o blockbuster precisa estar o tempo todo com alguma coisa acontecendo, mesmo que nada esteja acontecendo de verdade, para poder ter os olhares para uma tela que deveria ser a única tela daquele ambiente.
O futuro sobre a experiência de cinema tende a ser cada vez mais difícil para apreciadores da grande tela, pois parece que somos cada vez mais dependentes das pequenas telas e de seus curtos vídeos que nos enchem de dopamina e pouco nos encantam. Em meio a tudo isso, percebe-se por que cada vez menos o público se permite encantar e envolver com obras como as de um Spielberg, que carece de entrega e envolvimento e não de estímulos contínuos. A magia da grande tela tem sido descartada em nome do vazio das pequenas telas e o cinema que um dia conhecemos, esse, muito provavelmente, já não existe mais.