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A Odisseia, filmes de terror e o futuro do cinema blockbuster

*artigo escrito por Wesley Fernandes

“A Odisseia”, de Christopher Nolan, estreou no último dia 17 e se tornou rapidamente o que se esperava: um fenômeno cultural de proporções, literalmente, homéricas. Mas na esteira do sucesso de 2026 desfilou também dois filmes de terror que, do absoluto nada, tomou de assalto a todos. São eles: “Backrooms: Um Não-Lugar” e o hit máximo “Obsessão”, ambos custando muito pouco e faturando muito alto.

No outro lado dessa história estão os filmes de herói que, ano após ano, desde 2019, vem sendo motivo de preocupação para os estúdios e, quase sempre, caminhando para o fracasso ou um apelo popular morno. O “quase” do gênero se vale, principalmente, de dois personagens que sempre levam um grande público, independente do contexto: Batman e Homem-Aranha. Este segundo será, provavelmente, uma das maiores bilheterias deste ano.

Mas, voltando ao título deste texto, é perceptível que o gênero de super-herói se desgastou, o segmento clama por uma revitalização que nenhum estúdio (nem o Kevin Feige) sabe como fazer e como o gênero se notabilizou como o grande arrecadador em meio aos blockbusters nas últimas duas décadas, acaba que os filmes de grande orçamento, de um modo geral, têm vivido dias complicados e de baixa com o público se comparado com o que já foi em anos anteriores.

É aí que Nolan e o cinema de terror que vêm, produção após produção, mostrando que o público pede por coisas novas. As obras feitas por Nolan e todo o seu dinheiro, por exemplo, têm como marca a unicidade e a originalidade. Enquanto isso, os estúdios investem dinheiro em nome de obras que possam virar franquias ou franquias que são incapazes de gerar obras de arte, porque são pensadas apenas como produto e o público percebe isso.

Já do cinema de terror vem a lição de que pouca grana e muita criatividade sempre terão público. Nos últimos anos, TODOS os anos, tem pelo menos um filme de terror que surpreende o público e a crítica, gerando um dos melhores custos-benefícios e provando que investir milhões em CGI duvidoso e histórias pouco inspiradas não vai levar o público ao cinema.

Talvez falte aos estúdios a coragem para perceber que o público do cinema mudou desde o fim da pandemia, os novos amantes da arte têm dado amostras nos últimos três a quatro anos que obras criativas e originais como “Barbie”, “Pecadores”, “Oppenheimer”, “Obsessão” e “A Hora do Mal” sejam o caminho para levar público ao cinema. Na verdade, o público tem deixado claro para os estúdios que esperam mudanças na linha de produção de filmes.

A questão é: será que os estúdios voltarão a privilegiar o autor da obra? Terão coragem para repensar os planos e projetos Blockbusters das últimas duas décadas? Não sei quanto tempo vai levar, mas em algum momento eles precisarão ver que o que tem sido feito com o cinema de grande orçamento é torrar dinheiro com ideias que não funcionam mais.

O filme de herói (grande rosto do cinema de grande orçamento nas últimas décadas) vai, provavelmente, voltar a ser o que sempre foi: em alguns momentos popular, na grande parte do tempo, nichado. Para mim, como amante dos quadrinhos também, ficará sempre a memória dos momentos vividos e inacreditavelmente vistos no cinema. Que venha o novo que venham as novas histórias: o novo momento da sétima arte que, volta e meia, é colocada como próxima do fim, mas sempre se reinventa. O cinéfilo do lado de cá também aguarda ansiosamente esse novo momento.

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