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Homem-Aranha e as mega franquias

Em julho de 2026 chegou aos cinemas “Homem-Aranha: Um Novo Dia”, que tinha como objetivo trazer holofotes ao cinema de herói como em outros tempos. E o filme cumpriu muito bem o seu papel, chegando a uma bilheteria que foi além do esperado, tornando-se, muito provavelmente, a maior bilheteria do ano e uma das maiores da história do cinema. Em tese, esses números poderiam apontar para um retorno triunfal dos filmes de herói, tal qual era antes, mas existem camadas além que mostram que o sucesso absurdo do filme se deveu justamente por romper com uma parte importante da estrutura fílmica criada pela Marvel ao longo dos anos, a de um universo cinematográfico de filmes dependentes entre si, que se preocupam mais em mostrar algo de um filme que nem aconteceu ainda do que em contar a sua própria história.

O novo filme do “amigão da vizinhança” é, além de um bom filme, dono de uma estrutura que foge um pouco do padrão Marvel e do cinema de herói dos últimos anos, o longa navega nos dramas do personagem, o arco se passa exclusivamente no universo do herói, ainda que a história aconteça no mesmo universo do MCU e tenha a participação de outros heróis do estúdio, ela não depende de nada do que aconteceu nos filmes da Marvel anteriores para ser visto pelo grande público, que se mostra cansado do modelo.

Com isso, podemos considerar um dos pontos que a Marvel e as franquias de cinema precisam rever: a ideia de filmes iguais que servem apenas como peça de uma engrenagem maior e uma forma fácil de capitalizar com os filmes. Só para exemplificar melhor, podemos falar dos demais sucessos cinematográficos mais recentes. Das duas, uma: ou são filmes fechados em si, ou são universos conhecidos do público que contam capítulos fechados e sem ganchos para um futuro. Com isso, temos a aparente primeira receita de sucesso para o cinema de grande orçamento atualmente, histórias boas e fechadas em si, proposta um pouco mais ousada e com peculiaridades que despertem o interesse pelo que ele tem de diferente, não pelo universo que faz parte. Exemplos de sucessos recentes com essa característica não faltam, como os de Oppenheimer, Barbie, Devoradores de Estrelas, A Odisseia, Pecadores e sem falar dos vários filmes de terror vindos de ideias originais e um custo-benefício absurdo.

Em um outro ponto sobre o tema e trazendo mais uma característica  dos filmes que têm dado certo recentemente, podemos ver a volta do “boca a boca” sobre as obras como sendo um pilar importante para os sucessos recentes. Uma das características dos sucessos dos últimos anos tem sido o aumento ou a manutenção de bilheteria semana a semana, fruto do público que viu o filme na estreia e foi levando outras pessoas a irem ao cinema ver as obras, comportamento que se explica pelo fato de que o cinema perdeu seu caráter mais casual e virou programa pra ir com certeza de recompensa, por conta do preço e da logística como um todo (sobre essa parte cabe um texto específico, dada a complexidade).

Portanto, mais originalidade, história centrada em si e bem-feita são os aprendizados deixados por Homem-Aranha para a Marvel e demais franquias — levando em consideração que nos últimos anos tudo era franquia e universo cinematográfico gigante (Marvel, DC, Velozes e Furiosos…), e quase tudo vindo de um universo conhecido e amado fazia sucesso fácil. Agora tudo aponta para menos universo compartilhado e mais independência, com obras que valham a ida ao cinema, o desafio dos estúdios é mudar de rota e apostar novamente na profundidade das histórias e de ciclos que se encerram com a exibição. Os caminhos e possibilidades estão aí: resta saber se haverá coragem para seguir por ele e tentar o novo na indústria e, quem sabe, com isso podemos ter a volta do cinema de autor, mas aí talvez eu já esteja querendo demais!

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