Crítica: Nosso Segredo
Nosso Segredo (2026)
Direção: Grace Passô
Roteiro: Grace Passô
Elenco: Ju Colombo, Robert Frank, Marisa Revert, Jessica Gaspar, Efraim Santos, Flip, Juan Queiroz, Gláucia Vandeveld, Matheus Aleluia.
Sinopse: Uma família negra sofreu uma perda recente e tem que lidar com um mistério ao redor deles.
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Nosso Segredo é um filme sombrio. Banhado de sombras visualmente e na sua atmosfera geral. O filme começa na sua introdução como uma dessas obras familiares naturalistas do cotidiano tipicamente brasileiro que são comuns no nosso cinema. Mas quando o filme se concentra na casa da família vai ficando cada vez mais claro o quanto o primeiro longa de Grace Passô passa longe disso, se tornando algo muito mais inusitado e pouco usual dentro da nossa filmografia.
Un clima enigmático toma conta da narrativa, começamos a ver aquela família por fragmentos, percebemos suas vivências afrocentradas e enquanto temos alguns monólogos mais teatralizados de suas emoções também existe uma vivência extensa de silêncios, medos e hábitos misteriosos que manifestam um horror desconhecido e horripilante que tomam conta do filme. O bizarro e a agonia vão sendo mostradas e reforçados de maneiras cada vez mais estranhas.
Muitos dos planos são extremamente fechados em seus atores e ambientes, a câmera flutua como se estivesse pulando entre diferentes personagens enquanto eles conversam e planos detalhes demarcam a realidade daquela família enquanto Grace e a sua diretora de fotografia Willsa Esser brilham cobrindo os ambientes daquela casa de sombras fortes e grossas que vão ficando mais e mais carregadas contornando os personagens e os locais, enquanto eles também são cercados por alguns pontos de luz. Meu amigo Ícaro comparou com o Eastwood em certas cenas e eu só pensava na proximidade com o Pedro Costa.

Em uma das cenas mais lindas do filme o garoto abre a janela da sua casa do quarto do seu irmão e aquela penumbra escura é cercada por uma luz dourada de um amarelado estourando e brilhando como ouro.
Essa atmosfera carregada vai passando por diferentes limites seja a lama tomando conta do quadro do filme e fechando ele como se fechasse uma cortina, o plano observando a casa com foco pela água no chão ou aquele belíssimo plano final do padrasto indo dormir.
Nota: 4 /5