Futebol em tela: os filmes para assistir antes da Copa de 2026 - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
Cinema Nacional

Futebol em tela: os filmes para assistir antes da Copa de 2026

Uma seleção de documentários e longas que mostram o que o cinema enxergou no futebol brasileiro antes de qualquer Copa

A Copa do Mundo de 2026 começa em 11 de junho, nos Estados Unidos, Canadá e México, e o cinema oferece uma forma mais interessante de entrar no clima: existe uma forma mais interessante de entrar no clima do que ficar olhando para escalações especulativas. O futebol brasileiro tem uma filmografia própria, com títulos que vão muito além da celebração e chegam perto do que o esporte realmente significa: identidade, memória, tragédia e, às vezes, pura alegria.

A lista abaixo não é ranking. É uma seleção de títulos para assistir antes de junho.

Garrincha, Alegria do Povo (1962)

O ponto de partida obrigatório. Documentário de Joaquim Pedro de Andrade, rodado durante o auge da carreira do jogador, com registros em preto e branco que capturam Garrincha consagrado no Botafogo e como peça central da Seleção Brasileira campeã em 1958 e 1962. Andrade acabava de retornar de uma viagem de estudos nos Estados Unidos, onde teve contato com as técnicas do cinema direto dos irmãos Maysles, e isso aparece em cada enquadramento. 

O filme trata o futebol como fenômeno social antes de tratá-lo como esporte, e a camisa da seleção brasileira que Garrincha vestia já carregava um peso simbólico que o diretor entendeu melhor do que qualquer jornalista esportivo da época. A obra foi selecionada para o Festival de Berlim em 1963 e, décadas depois, ganhou uma versão restaurada apresentada em Veneza em 2006.

Boleiros: Era uma Vez o Futebol (1998)

Dirigido por Ugo Giorgetti e lançado em 1998, tornou-se um dos filmes mais marcantes sobre o futebol no Brasil. A abordagem sentimental resgata as raízes do esporte sob o aspecto lúdico, enxergando o jogo principalmente pela importância emotiva que preenche na vida das pessoas.

Em um bar de São Paulo, ex-jogadores se reúnem para relembrar antigas glórias e histórias curiosas do tempo em que ainda eram profissionais. Para o cinéfilo, é um filme sobre o que sobra depois que a narrativa principal termina. Menos sobre futebol e mais sobre o que as pessoas fazem com as histórias que não conseguem largar. 

Heleno (2012)

Dirigido por José Henrique Fonseca, o longa conta a história de Heleno de Freitas, ídolo do Botafogo, considerado um dos primeiros craques problemáticos do futebol brasileiro por conta do seu temperamento explosivo. 

Apesar de irregular, tem uma fotografia belíssima em preto e branco e uma atuação de Rodrigo Santoro que sustenta o filme inteiro. É o tipo de cinebiografia que interessa porque não tem interesse em reabilitar o personagem. Heleno de Freitas era difícil, e o filme não faz esforço para suavizar isso. 

Pelé (documentário, 2021)

Acompanha a trajetória de Pelé desde a ascensão no Santos até a consagração definitiva na Copa de 1970. Mais do que relembrar gols e títulos, observa o peso político, social e simbólico do maior nome da história do futebol brasileiro. O que diferencia este documentário dos perfis celebratórios é o contexto: a Copa de 70 coincide com o período mais brutal da ditadura militar, e o filme não desvia do assunto. 

A camisa da seleção brasileira original daquele ano tornou-se, ao mesmo tempo, símbolo de beleza e de contradição histórica. 

Maradona: Conquista de um Sonho (Amazon Prime Video, 2021) 

A única entrada da lista que não parte do futebol brasileiro, incluída pelo que diz sobre o ofício de narrar. A série dramatiza a vida de Diego Maradona em dez episódios, percorrendo diferentes fases da carreira e da vida pessoal do argentino, da estreia na Argentina ao auge no Napoli, passando por escândalos e sua relação intensa com a torcida. 

É um experimento de como narrar um personagem que já foi narrado à exaustão. A solução encontrada é partir da fragmentação, o que nem sempre funciona, mas quando funciona é televisão de alto nível. 

Brasil 2002: Os Bastidores do Penta (Netflix)

O documentário revisita a conquista do pentacampeonato mundial da Seleção Brasileira, com imagens gravadas pelos próprios jogadores e depoimentos de nomes como Ronaldo, Roberto Carlos e Cafu, mostrando o lado emocional e os bastidores da campanha. A escolha formal de entregar câmeras aos próprios atletas produz um material que nenhum documentarista externo conseguiria. É o tipo de arquivo que envelhece bem.

TETRA: Acreditar de Novo (Netflix, 2026)

O lançamento mais recente da lista. Documentário sobre o tetracampeonato de 1994, com imagens inéditas gravadas pelos próprios jogadores e entrevistas com Dunga, Romário, Bebeto e Zinho, dirigido por Luis Ara. 

A Copa de 94 foi, para parte da crítica esportiva, a mais discutida esteticamente do futebol brasileiro, associada por anos a um pragmatismo que se contrapunha à tradição ofensiva da seleção . O documentário chega num momento em que essa revisão histórica já está em curso, e há algo de interessante em ver aquele grupo sendo recontextualizado agora, às vésperas de outro Mundial. 

Em 2026, com a Copa acontecendo pela primeira vez em solo norte-americano desde 1994, o Brasil chega carregando décadas de narrativa acumulada. Esses filmes ajudam a organizar esse arquivo antes do começo do torneio.

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