Crítica: Priscilla - Festival do Rio 2023 - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
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Crítica: Priscilla – Festival do Rio 2023

Priscilla
Direção: Sofia Coppola
Roteiro: Sofia Coppola, Sandra Harmon, Priscilla Presley
Elenco: Cailee Spaeny, Jacob Elordi, Dagmara Dominczyk, Ari Cohen, Lynne Griffin, Tim Post.
Sinopse: Quando a adolescente Priscilla Beaulieu conhece Elvis Presley em uma festa, o homem que é uma estrela meteórica do rock se torna alguém totalmente inesperado em momentos íntimos.

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Sofia Coppola é uma cineasta interessada em contar histórias de mulheres. E muitas vezes jovens garotas privilegiadas que parecem ter o mundo à disposição, mas que por trás de todas as facilidades, estão sofrendo. Priscilla não deixa de ser uma história do tipo. 

Adaptação do livro Elvis e Eu, escrito por Priscilla Presley, temos aqui uma narrativa de princesa, mas que não tem final de conto de fadas da Disney. Aqui o castelo na verdade é uma prisão de ouro, e o príncipe, apesar das belas feições, esconde traços cruéis e abusivos. 

Priscilla Beaulieu conheceu Elvis Presley aos 14 anos, enquanto estava com sua família na base militar americana dentro da Alemanha. Vivendo com poucos amigos, ter a atenção daquele homem famoso, charmoso e mais velho conquistou de primeira a jovem. 

Algum tempo depois de ter começado seu envolvimento com o cantor, ainda menor de idade, se mudava para viver na mansão do astro nos Estados Unidos. Só que aquilo que inicialmente parecia um sonho, aos poucos foi se mostrando bem ruim. 

O longa mostra a história de Elvis e Priscilla Presley. Por mais que a vida dele tenha sido dissecada e recentemente tenha se tornado um filme de sucesso, o olhar para Elvis jamais foi como nesse filme de Coppola. O foco não é a sua carreira de sucesso, mas sim a história de vida de Priscilla. E tudo através dos olhos dela. 

Sofia faz com que o público sinta-se dentro daquela realidade. Acompanhando os sonhos românticos de uma jovem que acaba dentro de um relacionamento com grandes doses de abuso. Ao lado de Elvis ela não tinha espaço para existir. Era um objeto nas mãos dele, que decidia quais roupas ela ia vestir, como ia se maquiar, como usaria o cabelo. E ainda dava pílulas a uma adolescente. E é angustiante presenciar as inúmeras situações onde ela vai deixando de ser ela mesma para agradar ao companheiro.

Priscilla é um longa de basicamente dois atores. Jacob Elordi está excelente como Elvis. Com trejeitos semelhantes ao do astro do rock, e com um trabalho de voz que amplia sua presença em cena. Só que ele jamais transforma seu Elvis em uma caricatura, nem mesmo uma imitação. Cailee Spaeny brilha com sua Priscilla. Durante a duração do filme ela consegue demonstrar tantas emoções que se transformam como a própria personagem. 

Não é uma obra com um grande clímax, mas em nenhum momento o filme promete isso. É um retrato doloroso, honesto e meticuloso de um pedaço importante da vida de uma mulher que sempre foi resumida a ser ex-esposa de um astro. Isso em uma época em que às mulheres era permitido pouco. 

Sofia nos faz acompanhar todos os detalhes dessa união fadada ao fracasso, mas sempre com grande sensibilidade. E mostrando que Priscilla merece ser vista como mais que uma Presley. Como mais que um bibelô. Ela deveria ser vista como uma pessoa, e que merece respeito.

  • Nota
4

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