Crítica: O Urso do Pó Branco
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Crítica: O Urso do Pó Branco

Ficha Técnica: O Urso do Pó Branco
Direção: Elizabeth Banks
Roteiro: Jimmy Warden
Sinopse: Depois de uma operação de contrabando de drogas fracassada, um urso-negro ingere uma grande quantidade de cocaína e começa um tumulto movido a drogas.
Elenco: Keri Russell, Alden Ehrenreich, O’Shea Jackson Jr., Ray Liotta, Isiah Whitlock Jr., Brooklynn Prince, Christian Convery, Margo Martindale.

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Em O Urso do Pó Branco, um urso-negro ingere uma grande quantidade de cocaína que caiu de um avião numa operação de contrabando de drogas fracassada, e começa um violento tumulto movido a drogas. A sinopse absurda parece criação de um terror B, mas o filme dirigido por Elizabeth Banks é baseado numa história real que aconteceu em 1985. O roteiro de Jimmy Warden extrapola uma situação absurda da vida real para criar, numa comédia com elementos de terror, situações ainda mais absurdas e violentas.

E é na abordagem do absurdo que Banks encontra seu filme, através do choque muito consciente entre o humor que aproxima da comédia e a violência oriunda do terror. Ainda que sejam encarados por muitos como gêneros cinematográficos opostos, muito da eficácia da tensão e do medo por parte da audiência depende da liberação dessa tensão, que pode vir do alívio cômico em si. Em O Urso do Pó Branco, isso acontece muito pelo contraponto de uma situação de tensão e suspense para com o nonsense, com o humor de situações absurdas visto aqui.

Isso ocorre, também, porque o filme povoa sua narrativa com personagens idiossincráticos, de atitudes excêntricas: um traficante em crise existencial, um detetive que adota um adorável cachorrinho, uma durona guarda florestal interessada romanticamente por seu colega de trabalho, uma gangue de arruaceiros e uma dupla de crianças precoces – todos estes com suas próprias afetações. Ao inseri-los em situações nonsense não só pela presença do urso-drogado-assassino que dá título ao filme, mas também por seus próprios comportamentos, temos um filme que opera sempre num tom acima do normal, e que choca através do absurdo, ora por uma violência gráfica de execução muito competente e realista, ora por situações como aquela na qual duas crianças ingerem cocaína sem saber exatamente seus efeitos.

Banks se mostra segura na direção, não só pela execução das sequências de ação e suspense (o momento no qual o som diegético de batimentos cardíacos são potencializados por um estetoscópio e se tornam a trilha sonora para a cena de suspense que assistimos é inspirado), mas também pela consciência do tom bem humorado que imprime no filme, seja na trilha sonora oitentista ou na edição que – a parte de um primeiro ato morno que devota tempo demais a apresentar os personagens que acompanharemos ao decorrer do filme, consegue imprimir energia a trama, saltando de situação em situação envolvendo o urso e suas vítimas como se fossem esquetes humorísticas.

Apesar de investir num clímax final pouco convincente do ponto de vista dramático justamente pelo quão bem exerceu o nonsense durante o resto da projeção, O Urso do Pó Branco se revela uma mistura eficaz e consciente de humor e terror, que aqui se complementam com sucesso, tal qual o violento e o adorável – como na cena em que o urso-título se encanta com uma borboleta após mutilar mais uma de suas vítimas.

  • Nota
4

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