Crítica: Monos: Entre o Céu e o Inferno - Cinem(ação)

Crítica: Monos: Entre o Céu e o Inferno

“Monos: Entre o Céu e o Inferno” é uma potente obra com personagens interessantes e uma história impactante.

Ficha técnica:
Direção: Alejandro Landes
Roteiro: Alejandro Landes, Alexis dos Santos
Nacionalidade e Lançamento: Colômbia, Holanda, Argentina, Alemanha, Suécia, Uruguai, 2019
Sinopse: No topo de uma montanha, numa selva sul-americana, oito adolescentes têm a grande missão de cuidar de uma refém norte-americana, sequestrada por uma misteriosa organização. Na sua rotina, os jovens guerrilheiros passam por treinos rigorosos, mas também se divertem e vivem descobertas sexuais. Após uma noite de farra acabar em tragédia, eles sofrem uma emboscada e são obrigados a deixar o local. A refém acredita que esta é a sua grande chance de fugir. Mas a selva sempre surpreende.

Elenco: Julianne Nicholson, Moisés Arias, Julian Giraldo, Sofía Buenaventura, Deiby Rueda, Karen Quintero, Laura Castrillón.

Monos: Entre o Céu e o Inferno - estreia

Ao assistir a Monos, é difícil desgrudar os olhos da tela. O filme, exibido pela primeira vez no Festival de Sundance de 2019, finalmente chega ao circuito no Brasil. Dirigido pelo cineasta colombiano Alejandro Landes, o longa conta a história de um grupo de adolescentes guerrilheiros que estão em uma montanha, longe de tudo e todos, para guardar uma mulher sequestrada pela guerrilha.

“Monos: Entre o Céu e o Inferno” não se preocupa em determinar o país ou o tipo de organização à qual pertencem os jovens. É claro que as FARC são a primeira referência em que pensamos, mas a preocupação com as relações entre os personagens torna esse detalhe irrelevante. Poderia ser qualquer organização, em qualquer conflito, em qualquer país.

O que Landes faz no filme é adentrar nas relações de amor, ódio e desejo adolescente que ocorrem entre os “monos”. Os personagens são identificados apenas por apelidos, incluindo alguns que permitem até questionarmos o gênero de certos personagens – que também não é algo importante, assim como a sexualidade deles. É como se, longe da sociedade, pudessem ser quem realmente são.

A evolução das relações entre os personagens se dá conforme os acontecimentos vão se tornando cada vez mais dramáticos, e a principal força desses acontecimentos reside na atuação do elenco juvenil. Todos os atores carregam consigo uma força visceral e uma intensidade na atuação que nos puxam ainda mais para o drama visto na tela.

Monos - filme colombiano - Sundance Film Festival 2019

Por falar em imagem, é impossível comentar “Monos: Entre o Céu e o Inferno” sem citar a fotografia de Jasper Wolf e as escolhas impactantes do filme para engrandecer o drama. A névoa que passa pela montanha, a floresta densa filmada de baixo para evidenciar o quanto ela é opressiva, e a cena de Patagrande (Moises Arias) pintado de preto e sumindo na escuridão, além de plasticamente perfeita, é uma maneira forte de comentar sobre o personagem.

Também não há protagonistas claros no filme. Se no começo parece que haverá um casal levando a história adiante, logo se rompem as expectativas, já que o filme dá tempo de tela a todos, e busca se aprofundar até mesmo na “Doutora”, a prisioneira do grupo, nos aproximando dela e fazendo com que, mais tarde, possamos vibrar com determinadas escolhas da personagem, mas não sem lamentar que estas resultem em destinos tão amargos para pessoas tão jovens.

Por fim, após ver a violência tomar conta do grupo e acabar com os momentos de diversão e arroubo adolescente, tudo o que precisamos é encarar de frente a dor de saber que há crianças sendo expostas às mais terríveis guerras. É isso que o filme faz, de forma belíssima, e sem usar nenhuma palavra.

  • Nota
5

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