Crítica: Limiar – 44ª Mostra de São Paulo - Cinem(ação)
Limiar - 44ª Mostra de São Paulo

Crítica: Limiar – 44ª Mostra de São Paulo

“Limiar” é um filme que quer falar de questões nacionais de forma poética mas acaba, ironicamente, nem lá nem cá.

Ficha técnica:
Direção: Rouzbeh Akhbari, Felix Kalmenson
Roteiro: Rouzbeh Akhbari, Felix Kalmenson
Nacionalidade e Lançamento: Canadá, Armênia, Turquia, 2020 (44ª Mostra de São Paulo)
Sinopse: Um cineasta armênio procura locações para o seu próximo projeto, que busca retratar as raízes ancestrais de seu país. Em uma mistura de ficção com imagens quase documentais, o realizador encontra pessoas ao longo da viagem. As complexas realidades geopolíticas que impactam a região também chamam a atenção do diretor, em uma narrativa que caminha entre o mundano e o transcendental.

Elenco: Garik Hovhannissyan, Soma Hovhannissyan, Armenuhi Burmanyan.

Limiar - 44ª Mostra de São Paulo

Sem ler a sinopse de “Limiar” e sem investir profunda reflexão na absorção do filme, o espectador desavisado pode ter dificuldade para entender o caminhar incessante do protagonista pelas paisagens inóspitas, decadentes e frias da Armênia – e, mais tarde, da Turquia.

Em um dos poucos diálogos, o protagonista diz que busca por uma janela para o universo, e então olha nos olhos da mulher com quem conversa e diz: “encontrei”. Pouco depois, repete duas vezes a frase: “Havia um som dentro do vácuo institucional que se colidiu com os portões fechados da indiferença”.

A compreensão da frase e sua repetição formam um paralelo com o restante do filme de pouco mais de uma hora: assim como não é óbvio em suas intenções e reflexões, ele também é repetitivo. Isso ocorre porque, por mais que tantas cenas sejam de paisagens belíssimas, elas se repetem lenta e incansavelmente sem que a produção acrescente algo à discussão.

Sim, é possível entender a trajetória que o filme propõe: de conhecer os locais da história do país, repensar a identidade nacional, discutir o conhecimento da língua turca, bem como a complexa relação entre os dois países vizinhos. Os cenários pelos quais o cineasta passa são, em grande parte, ruínas e silenciosos ambientes abandonados. Ele passa à procura de locações para seu filme que, em possível metalinguagem, é o próprio filme que assistimos.

E só.

“Limiar” não fica só nos limites entre o que é história nacional e pessoal, o que é passado e o que é presente. O filme fica também no limiar entre a abstração e a proposta concreta, entre o poético e o ininteligível. E quando, mesmo pesaroso, o filme parece caminhar para algum conflito ou apresentação de alguma tese, a história desaparece em meio à gélida névoa do inverno.

  • Nota
2.5

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