Crítica: Lua Vermelha – 44ª Mostra de São Paulo - Cinem(ação)
Crítica: Lua Vermelha – 44ª Mostra de São Paulo

Crítica: Lua Vermelha – 44ª Mostra de São Paulo

Lua Vermelha” é uma poesia visual belíssima que se perde em suas metáforas e no paradoxo do tempo.

Ficha técnica:
Direção:  Lois Patiño
Roteiro:  Lois Patiño
Nacionalidade e Lançamento: Espanha, 23 de fevereiro no Festival de Berlim  (44ª Mostra de São Paulo)
Sinopse: O tempo parece ter parado em uma vila na costa da Galícia, na Espanha. Os habitantes aparentam uma espécie de paralisia, mas ainda conseguimos ouvir suas vozes: eles falam sobre fantasmas, sobre monstros, sobre a lua vermelha. Três mulheres descem das montanhas e chegam ao povoado em busca de Rubio, um marinheiro que desapareceu no mar.

Elenco: Ana Marra, Carmen Martínez, Pilar Rodlos, Rubio de Camelle.

“Lua Vermelha” tem imagens belas e impactantes. Trata-se de um filme experimental do cineasta galego Lois Patiño, que busca contar a história de uma pequena cidade na costa da Galícia, onde a invasão de um monstro paralisou a todos, embora ainda seja possível ouvir suas vozes ou pensamentos.

Um grupo de bruxas desce para tentar desvendar o mistério e encontrar o marinheiro Rubio, que desapareceu.

A câmera estática mostra, pouco a pouco, diversas paisagens da cidade e da natureza ao seu redor. As pessoas estão paralizadas. Suas vozes em off refletem sobre o monstro, a vinda dele com a lua vermelha, e o desaparecimento do personagem Rubio.

“Lua Vermelha” é lento, minucioso, e não se presta a explicar demais. Pode-se enxergar uma mensagem ecológica na barragem, na morte dos peixes e na letargia das pessoas. As imagens iniciais (e a surpreendente cena final) podem remeter ao passado do povo ibérico, que antes enfrentou bestas do mar e hoje vive como se fossem fantasmas em sua própria terra.

Mas o que o longa de Patiño faz, acima de tudo, é um exercício de linguagem. A poesia imagética é quase estática, como se estivesse desafiando o cinema e sua busca pelo movimento. Em mais de um momento, a voz dos personagens destaca que estão assim há mil anos, ou há séculos, tornando o filme uma alegoria para o passar do tempo, já que sua duração de quase 90 minutos pode muito bem simbolizar apenas um breve instante, ainda que os resquícios da história dos povos ibéricos perdure por séculos. Ao final de “Lua Vermelha”, não importa tanto quem é o monstro, nem as simbologias. Só importa a experiência. Com isso, o filme perde a possibilidade de ser mais amplo do que um simples momento. Depois que o assistimos, as sensações se vão, fugazes, junto com o monstro. Ficam, talvez, apenas algumas lembranças das imagens mais impactantes.

  • Nota
2

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