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Crítica: Vaga Carne

O média-metragem Vaga Carne chegou ao streaming (Spcine Play) após ter sua estreia impedida pelo fechamento dos cinemas.

Ficha técnica:
Direção: Grace Passô, Ricardo Alves Jr
Roteiro: Grace Passô
Nacionalidade e Lançamento: Brasil, 18 de janeiro de 2019 (Festival de Tiradentes)
Sinopse: Uma voz errante consegue invadir qualquer matéria – sólido, líquido ou gasoso – e decide invadir o corpo de uma mulher pela primeira vez. A partir de sua experiência, ela narra como se sente como um sujeito, o que finge sentir, o que é incomensurável em si mesma, o que sua imagem é para os outros, e o que tenta entender o que um corpo significa como construção social.

Elenco: Grace Passô, Dora Santos, Dona Jandira.

Se não foi possível ver Vaga Carne nos cinemas, sugiro que ele seja visto com bons fones de ouvido. Além dos momentos em que o som vaga por nossos ouvidos (trocadilho intencional), a voz de Grace Passô sussurrando e ganhando força é o ápice desta excelente obra.

Adaptação da peça de teatro homônima também estrelada pela atriz, o filme conta a história de uma voz sem corpo que, após entrar em diversos animais e objetos, invade o corpo de uma mulher. Como uma voz se transforma quando pode se expressar de maneiras diferentes? Quais os efeitos sofridos por uma voz quando ela vive em sociedade?

“Vaga Carne” é um grito de resistência e de questionamentos sociais: fala sobre a valorização do ser humano e as vozes que não são ouvidas. Porque, afinal, se antes a voz era “livre”, agora ela está presa em um corpo, e na nossa sociedade os corpos não são sempre livres. Dependendo do tipo de corpo, do gênero, da cor, as vozes perdem a liberdade.

O filme também provoca ao nos perguntar se nossa voz é separada ou pertencente ao nosso corpo. Se podemos dizer sem falar. Se o esquecer é uma prisão que a memória dá à nossa voz.

A atuação de Grace Passô é outro ponto fundamental. Ainda que a atriz tenha participado do projeto para o teatro, o fato de colocar sua voz em sussurros em diversos momentos revela o cuidado para diferenciar o projeto. Assim como em Temporada e No Coração do Mundo, a atriz mostra uma força e personalidade na voz e no corpo que não apenas engrandecem o que vemos, como também permeia todo o vai-e-vem de emoções de sua fala.

Mais importante: “Vaga Carne” é sobre a voz da mulher. Em meio a uma filmagem quase hermética, já que é basicamente um monólogo filmado em um ambiente escuro com pouco mais do que a atriz principal, o filme mostra que a voz escolheu uma mulher. Preta.

E as vozes que ouvimos nos créditos finais coroam este belo projeto.

  • Nota
5

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