Eu Cinéfilo #50: O Bando de Godard - Cinem(ação)

Eu Cinéfilo #50: O Bando de Godard

“Bande à Part” é um dos filmes de linguagem mais simples de Jean-Luc Godard. Conhecido como “Band Of Outsiders” na Austrália e nos EUA (No Brasil, Bando À Parte), foi lançado em 1964 e segue a bela parceria entre o diretor e a atriz Anna Karina. Uma dupla (Sami Frey e Claude Brasseur) convence uma ingênua estudante de língua inglesa (Anna Karina) a fazer parte da gangue deles. O objetivo é fazer com que ela cometa um crime para eles. No início, a frágil moça não quer desagradar. O “pequeno furto” trata-se, na verdade, de uma grande soma em dinheiro. “Pequeno” ele é porque a façanha não foi difícil, a princípio, nem de ser elaborada, nem de ser cumprida: ela não rouba e sim verifica no quarto a quantidade de dinheiro para, posteriormente retornar aos ansiosos rapazes.  Relutante em roubar, ela diz sempre a Arthur (Claude Brasseur) que não sabe a respeito da quantia.

Mas eles estão dispostos a fazê-la participar do crime. E ela, acuada, aceita. A cena da dança dos três num pequeno clube é hoje considerada marcante na História do Cinema. Antes, sentados na mesa, eles transcorrem sobre o plano. Pensam, debatem, exploram os possíveis riscos de serem pegos. Logo em seguida, se divertem dançando. Antológico. Arthur é extremamente ardiloso. Ele é o líder, sem dúvidas. Daqueles que coloca álcool na Coca-Cola da menina indefesa, aquele tipo que faz chantagem emocional aproveitando-se da fragilidade das pessoas. Ele é o perfil que vai encaixando-se aos poucos, cuidadosamente. Pratica bem o início, pois sabe que, conquistando sua vítima, tudo fica mais fácil depois.

Aos poucos, Odile (Anna Karina) foi suavizando no olhar, no comportamento. Já estava seduzida pelos seus novos amigos. Por Arthur sentia-se atraída. Já com Franz (Sami Frey), uma amizade estava nascendo (apesar dele nutrir uma paixão por ela). Franz é o tipo criminoso mais reservado, quieto. Aquele que só fala quando o líder pede sua opinião…ou quando sua garota corre perigo. Odile era leal e assim se mostrava o tempo todo, ora pelas coisas que dizia aos rapazes, ora pela sua  própria conduta. Ela jamais os trairia. A menina suave e inocente pouco a pouco se rendia ao charme de seu bando de dois. Ainda com a doçura, mas quase rendida. Seu semblante é triste. Sempre franzindo a testa, Odile nunca dá um sorriso. Nem esboça um…Ela não quer fazer aquilo. Não quer trair Madame Victoria (Louisa Colpeyn), tão amiga.

Mas por que Odile foi se encantar logo com o violento Arthur, que chega a bater nela? Uma questão cuja resposta é simples: Arthur foi o primeiro a se aproximar da garota. Com ares de sedução e jogos de sentimentalismo barato, ele seduz Odile – uma menina que não conhecia bem o amor. A sedução de Arthur foi só parte da armadilha para que ela caísse. Logo depois, ele viria a mostrar quem realmente era. A primeira tentativa de roubo falha. Os rapazes, que diziam não ser bandidos (mais uma máxima da boca de Arthur respondendo por Franz) são, na realidade, totalmente tomados pela prisão que o dinheiro roubado significaria nas mãos deles. E eles não são muito experientes – pelo menos nesta ação. Os fatos que se seguem e levam ao desfecho desta jornada provam isso. Desilusões materiais. Trabalhos de ganância mal sucedidos. Esperanças quebradas e estilhaçadas como vidro no chão. Quando assistimos a Bando À Parte, a pergunta é inevitável: será mesmo que vale a pena colocar tudo em risco?

Texto escrito por: Daniele Rodrigues de Moura

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