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O Exterminador do Futuro: Destino Sombrio (2019)

É um erro analisar um filme de ação somente por ela, o ápice só o é, de fato, pois conhecemos a calmaria, em contraste com a movimentação seja fuga em veículos, tiroteios, entre outros. Busco lembrar isso, pois acho intensamente desconfortável o fato de que essa nova versão de Exterminador do Futuro – que se propagou como uma obra diferenciada, dentre os tantos capítulos que a precederam – não reconhecer a necessidade primordial citada nas primeiras linhas e que, ironicamente, os filmes clássicos da série conheciam tão bem.

Se a ação fosse inédita, ainda que pautado em uma velocidade ingênua, quem sabe não ficaria tão visível esse detalhe, mas o fato é que a ação aqui, sustentada pelos milhões depositados para os efeitos especiais, se estrutura na mesma fórmula que já vimos diversas outras vezes ao longo das décadas. É impossível não se render a resposta frustante de assistir uma obra preguiçosa, em diversos aspectos, ainda que o principal seja reciclar o que já está desgastado há muito tempo, mais inacreditável é fazê-lo de modo a unir com a tentativa de discutir levianamente a diferença cultual do papel da mulher na sociedade, entre os anos oitenta – e os filmes de ação onde a mocinha indefesa necessitava da proteção do homem forte – e a contemporaneidade.

A diferença é nítida, a evolução deve ser felicitada, mas nesse longa percebemos caricaturas rasas, onde a perseguição parece começar já na introdução com a logo da produtora, passando pela autocompreensão da totalidade catastrófica dos fatos – incluindo duas mortes próximas da protagonista – até culminar no desdobramento surpreendentemente insensato da personagem central, onde a apoteose acontece tão imediatamente como a correria e cabe ao espectador acatar os fatos e não questionar o texto mal feito.

A julgar pelas palavras, parece se tratar de alguém que detestou a obra, parto do pressuposto que não se detesta nenhuma obra, quando falamos de arte, pelo motivo que é possível aprender com tudo, ainda que pareça um esforço gigantesco me lembrar de algo nesse caso. Ironias à parte, é lamentável se deparar com um longa que começa e finda na pretensão de lucrar. É uma decisão que só destaca a cíclica ignorância de subestimar o público.

É emocionante rever Linda Hamilton no seu papel mais interessante, a super Sarah Connor, bem como Arnold Schwarzenegger. Mas tente explicar o propósito narrativo das suas respectivas presenças e falhe, não vale contar a tentativa de fechar o ciclo com um conflito mal elaborado por causa da urgência em criar uma nova John Connor.

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