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Ad Astra: Rumo às Estrelas – Crítica


Ficha Técnica

Direção: James Gray

Roteiro: James Gray, Ethan Gross

Elenco: Brad Pitt, Tommy Lee Jones, Ruth Negga, Donald Sutherland, Liv Tyler, Natasha Lyonne

Fotografia: Hoyte Van Hoytema

Música: Max Richter

Montagem: John Axelrad, Lee Haugen

Nacionalidade e Lançamento: EUA, 2019 (26 de setembro de 2019 no Brasil)

Sinopse: Roy McBride (Brad Pitt) é um engenheiro espacial que decide empreender a maior jornada de sua vida: viajar para o espaço, cruzar a galáxia e tentar descobrir o que aconteceu com seu pai, um astronauta que se perdeu há vinte anos no caminho para Netuno.

Os confins do universo sempre se revelaram como um grande ambiente de autorreflexão e medo no cinema de ficção científica, seja pela da chegada de um simples monolito na obra-prima de Stanley Kubrick, “2001 – Uma Odisseia no Espaço”, na missão de reparar o telescópio Hubble em “Gravidade” (de Alfonso Cuarón) ou até mesmo na viagem interplanetária através de um buraco de minhoca em “Interestelar” (de Christopher Nolan). A busca de um significado e possíveis respostas para as nossas principais questões existenciais a respeito de onde viemos, qual seria o nosso propósito enquanto vivos e para onde iremos, revela um ponto em comum entre as obras. Em uma visão aprofundada e meditativa através do isolamento social, a nova obra de James Gray, “Ad Astra: Rumo às Estrelas”, faz um excelente papel em refletir sobre a existência humana à medida que transcende entre os mais diversos gêneros e subtextos em uma jornada completamente imersiva pelo cosmos.

Articulando um exercício já explorado anteriormente em suas obras, a seguir exemplo do isolamento enfrentado pelo personagem central interpretado por Charlie Hunnan em “Z: A Cidade Perdida”, o roteiro de James Gray e Ethan Gross segue um caminho similar em seu desenvolvimento (em diferentes proporções) ao iniciar um grande estudo de personagem acerca de Roy McBride (Brad Pitt), um astronauta incumbido de desempenhar missões no espaço, que após muitos anos ainda lida com a perda de seu pai, Clifford McBride (Tommy Lee Jones), responsável por liderar a primeira expedição tripulada pelo sistema solar em busca de vida inteligente fora da Terra. Com a revelação de que seu pai pode estar vivo, Roy embarca na missão de trazê-lo de volta para casa.

Dessa vez apresentando um semblante praticamente impenetrável para a função profissional do personagem na narrativa, Brad Pitt dá vida a Roy conferindo uma estabilidade emocional que nunca é alterada na presença de outros indivíduos. Mesmo quando lida com seus gatilhos pessoais, o astronauta não sugere minimizar o legado que foi deixado por seu pai. A melancolia que circunda o personagem pode ser vista quando está isolado ou nas questões existenciais que surgem em sua narração em diversos momentos da projeção, um artifício muito usado nas obras de Terrence Malick, como em “A Árvore da Vida” (que por sinal também inclui Pitt no elenco).

Contudo, o filme não se resume apenas na relação entre Roy e seu pai. É extremamente notável que um dos maiores acertos da obra é como ela consegue associar o universo particular que rege o personagem e seus questionamentos morais às necessidades dos habitantes da Terra (que está à beira de um grande colapso), assim como a disputa global por diversos recursos e os avanços da tecnologia, sem ao menos destoar da linha de desenvolvimento que o filme propõe.

A composição de um mundo futurista construída pelo design de produção através de uma estética que coloca a obra de grande orçamento como um art house propriamente dito é puramente formada por uma paleta de cores quentes nos ambientes mais fechados, sugerindo o constante perigo que envolve a principal missão da obra e como o desconhecido sempre se revela hostil, principalmente no desenvolvimento do segundo ato em que algumas cenas sugerem até uma certa simulação da realidade corrompida por um certo niilismo.

A fotografia de Hoyte Van Hoytema (Interestelar) apresenta a vasta imensidão do universo nos grandes planos de forma a criar uma profunda imersão através do realismo, porém sem nunca ameaçar a inventividade do diretor, e os planos mais fechados acabam por potencializar a experiência nos colocando na perspectiva de Roy. A captação de reflexos pela grande quantidade de luz nos diferentes astros, nas mais variadas camadas da atmosfera e no interior das espaçonaves dão vida as imagens mais belas do longa, com destaque para a justaposição em um momento de redenção do personagem central da obra.

O futuro fantasioso de James Gray, a partir da extraordinária odisseia espacial de Roy McBride, torna “Ad Astra: Rumo às Estrelas” uma dilacerante reflexão sobre a existência em um todo, capaz de gerar uma grandiosa experiência sensorial que entra em conflito com nossos principais dilemas morais e dos aspectos que nos definem como seres humanos. Como resultado desse equilíbrio, é uma obra que pode se configurar como uma das maiores contribuições para o gênero de ficção científica dos últimos tempos.

5

Resumo

“Ad Astra: Rumo às Estrelas” é uma dilacerante reflexão sobre a existência humana através de uma jornada completamente imersiva pelo cosmos

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