Um Papo Sobre Terror (Com Terror de Quinta) - Cinem(ação)

Um Papo Sobre Terror (Com Terror de Quinta)

Olá, leitores do cinema(ção) como vão vocês? Hoje nesta sexta-feira 13 lhes trago um papo super legal com Analu Tortella (criadora do canal Terror de Quinta) onde ela vai falar um pouquinho sobre essa paixão pelo gênero de Terror, sobre terror nacional e a grande polêmica desse meio: afinal, existe pós-horror?

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1 – Olá, Analu. Tudo bem com você? Antes de tudo eu queria que você se apresentasse para nosso público. Fale um pouco sobre você, seu canal Terror de Quinta e sua relação com o Terror.

Olá! Queria agradecer pelo convite e dizer que essa é a minha primeira entrevista para um site, estou emocionada! Sobre a minha relação com o terror, tudo começou nas tardes sombrias dos anos 90, com a TV sintonizada no SBT, onde o Silvio Santos insistia em apavorar as crianças que deixavam a lição de casa de lado para ver um filminho. Fui me acostumando com os monstros que apareciam na telinha e cada vez mais pegando gosto pela coisa.


2 – Para conhecermos você melhor ainda quero traçar seu perfil cinéfilo. Vou colocar aqui disputas entre dois filmes de terror e você terá que escolher em uma situação hipotética qual deles você escolheria para poder assistir mais vezes e o outro você nunca mais poderia ver (pode colocar comentários do porquê da escolha):

O Iluminado x O Bebê de Rosemary – Me colocaram em uma sinuca de bico, eu AMO os dois filmes. Mas se é para escolher, fico com O Iluminado. Não consigo imaginar uma vida sem “Here’s Johnny”.
Franquia Sexta-Feira Treze x Franquia Pânico – Sexta-Feira Treze. Pânico, eu te amo, mas não dá pra bater o Jason.
Franquia Brinquedo Assassino x Franquia Anabelle – Brinquedo Assassino, sem sombra de dúvidas. Anabelle ainda tem que comer muito arroz e feijão para chegar aos pés do Chucky.
O Chamado (EUA) x O Chamado (Japão) – O Chamado (EUA). Apesar de achar o japonês melhor, no americano eu entendo a língua, dá para assistir sem ficar fissurada na legenda.
O Exorcista x A Profecia – Ah, pronto! Fico com O Exorcista, mas saibam que minha vida será miserável. 


3 – Agora que conhecemos você melhor podemos partir para um papo mais profundo sobre o gênero. Terror, na minha humilde opinião, é o gênero mais fascinante tanto do cinema quanto da literatura. Nele temos ‘n’ possibilidades para criar várias sensações nas pessoas. E são sensações que geram reações diversas. A mesma cena pode fazer uma pessoa rir, a outra chorar, outra se assustar e outra ficar indiferente. É um gênero complexo e completo. E é por tudo isso que Terror tem uma legião de pessoas que são completamente “malucas” por ele. Você que lida diretamente com o público de Terror, consegue perceber que ele acaba sendo mais participativo, interativo e apaixonado que de outros gêneros?

Com certeza! O terror é um gênero muito visceral, e sua apreciação não poderia ser diferente. Por ter características muito peculiares, que acabam repelindo grande parte do público, o terror cria um grupo de pessoas que se reconhecem e se conectam por esse interesse em comum.  

4 – O cinema de Terror vem em uma crescente muito boa, não só em qualidade, mas também de público. As pessoas estão indo em massa assistir aos filmes depois de algumas décadas de baixa. Aqui no Brasil não é diferente e filmes como Invocação do Mal, Anabelle, It, entre outros, arrastam muitas pessoas e principalmente adolescentes a sala de cinema. Já que temos um público tão interessado em ir assistir esse tipo de filme pra você qual o motivo de o cinema nacional de terror ainda não ter “dado certo” em termos comerciais?

O cinema brasileiro de gênero sempre teve dificuldade em encontrar uma essência. Nunca estudei isso a fundo, então pode ser que esteja falando besteira, mas acredito que nossa pluralidade religiosa dificulte um pouco a criação de um medo genuinamente brasileiro. Essa é uma das razões do cineasta José Mojica Marins ter feito tanto sucesso com seu personagem Zé do Caixão. Ele é temível exatamente por ser cético. Depois dele, pouca coisa original se fez, pouca coisa que tivesse esse nível de brasilidade. Felizmente, estamos em uma crescente hoje em dia. Temos ótimos filmes, como As Boas Maneiras (Juliana Rojas e Marco Dutra), Animal Cordial (Gabriela Amaral Almeida) e Morto Não Fala (Dennison Ramalho), que vêm para sedimentar um caminho que começou lá atrás, com Mojica e a Boca do Lixo.


5 – Apesar do gênero de Terror abranger muitos assuntos, aspectos e abrir margem para imaginação, estamos vendo bastante franquias ou filmes famosos ganhando reboots e remakes. Você vê isso com bons olhos ou acha que está faltando um pouquinho mais de esforço dos grandes estúdios investirem em ideias novas como a A24? 

Existe mercado para tudo isso! Acho os remakes e reboots interessantes, já que conquistam novos públicos e trazem histórias que combinam mais com os tempos atuais. Ao mesmo tempo, acho interessante que a democratização do cinema traga projetos mais ousados, como os da A24, que não seguem o padrão dos grandes estúdios e exploram ainda mais tudo o que o gênero tem para oferecer. 


6 – Falando em A24, podemos entrar nesse certame agora? hehe. Algumas pessoas acreditam que nós temos hoje duas vertentes do Terror acontecendo no cinema norte-americano: a mais conservadora e tradicional liderada pelo James Wan com a franquia Invocação do Mal e os “fora da caixa” progressista que é liderada pelo estúdio A24 e recentemente o Jordan Peele vem aparecendo como um forte nome desse estilo de filme. Você acha que isso é uma verdade, existe mesmo essas duas vertentes? 

Ao meu ver, essa questão vai além do gênero. Não acho que exista essa separação no terror propriamente dito, mas sim no cinema como um todo. E não é uma coisa exclusivamente da atualidade, isso existe desde que o cinema é cinema. Também não acho que seja uma coisa ruim, como eu disse ali em cima, tem público pra tudo! 

7 – Falando ainda em A24 e Jordan Peele. Esse estúdio e diretor fizeram filmes que agradaram bastante a crítica e também agradou boa parte do público. Com tanta aprovação e tantas qualidades a serem reconhecidas por que você acha que os filmes de Terror não chegam com grande gás para a temporada de premiações? 

Eu sempre espero que sim! Torcendo para que a Lupita seja indicada a melhor atriz por Nós (pelo amor de deus, que atuação foi aquela?). Mas não vou ficar muito esperançosa, pois a academia ainda não entendeu que terror (e fantasia no geral), é um gênero que tem muito a dizer!


8 – Quais filmes de Terror recentes você acha que mereciam mais destaque na temporada de premiações e porque?

Por enquanto, Nós! É um filme cheio de camadas, bem do jeitinho que a academia gosta. Mas ainda tem muita coisa por vir. Estou apostando muito em The Lighthouse, Midsommar e The Fanatic.


9 – Estamos chegando ao fim, mas não podíamos encerrar sem uma polêmica. Afinal, existe pós-horror? O que você acha do termo?

Hora da pergunta capciosa! Eu acho essa terminologia bem infeliz. O terror sempre foi visto como um gênero menor e, para a crítica especializada, é impossível admitir que existam filmes complexos, cheios de camadas e até “de arte” (outro termo que não me desce) que sejam de terror, então eles fazem esse esforço para descolar essas produções que trabalham com uma narrativa mais densa do gênero, o que eu considero um erro. 

Apesar disso, acho importante a divisão em subgêneros do terror. Não dá para se referir ao terror como uma grande massa homogênea, já que temos tantos elementos e estilos diferentes. Uma pessoa pode amar filmes de espíritos e odiar slashers, por exemplo. 

No fim das contas, acho necessário que se separem os subgêneros do horror, mas acho que a terminologia escolhida foi bem equivocada. 


10 – Queria muito agradecer a você por ter disponibilizado esse tempo e topado participar desse papo que está saindo bem na sexta-feira Treze haha. Agora abro esse espaço aqui pra você dar algum recado para nossos leitores. Obrigado!!

Eu agradeço muito a oportunidade! Fiquei muito feliz, mesmo! Queria convidar todo mundo para conhecer o Terror de Quinta! Lá falo tudo sobre o horror, de uma forma leve e divertida, para quem é fã, mas também para aqueles que não gostam tanto do gênero! 

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