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CRÍTICA: The Boys

Quem vigia os vigilantes? Os Caras é claro!

Ficha técnica:

Produtores: Seth Rogen, Evan Goldberg e Erik Kripke.

Elenco: Karl Urban, Erin Moriaty, Jack Quaid, Antony Starr, Dominique McElligott, Jessie T. Usher, Chance Crawford, Nathan Mitchell, Alex Hassell, Laz Alonso, Tomer Kapon, Karen Fukuhara, Jennifer Esposito e Elisabeth Shue. Convidado especial Simon Pegg.

Nacionalidade e lançamento: Estados Unidos, 26 de julho de 2019

Sinopse: Em um mundo movido por marketing, fama e muito dinheiro, uma equipe de super-heróis conhecida como “Os Setes” possui total poder sobre o que acontece ou deixa de acontecer com a humanidade a sua volta. Tudo isso até que Billy Butcher começar a gerar consequências para os seus atos

Nunca fui fã de séries, sempre preferi o começo, meio e fim de um longa, mas depois de mergulhar em Sonf Of Anarchy, comecei a dar mais chances. Ainda acho difícil me pegar, o formato demanda muito tempo que não tenho, então realmente só vou em coisas que é certeza que gostarei como Peaky Blinder e Maldição da Mansão Hill.

Nunca fiz uma crítica de série, até porque acho que é uma leitura completamente diferente de tudo que estou acostumado a levantar. Mas como os meus três quadrinhos favoritos virando série, não vou conseguir escapar! Deixei passar – quem sabe um dia não faça uma crítica da obra como um todo – o maravilhoso Preacher, e em breve também teremos Watchmen. A terceira HQ mais incrível que conheço é exatamente essa que vos escrevo: The Boys.

Amazon Prime veio com tudo para o mundo do streaming, disso todo mundo já sabe, adaptações e parcerias estão de vento em popa. Só com Neil Gaiman já foram duas temporadas de American Gods e uma de Good Omens, que repercutiu e fez milhares de fãs mundo à fora. Agora foi a vez de trabalhar com Garth Ennies em uma HQ que é um grande tapa na cara de pessoas acostumadas com a visão heróica que a Disney/Marvel trouxe para as telonas.

A ideia basicamente nasceu nas páginas de um pesado – e até underground – quadrinho, onde brincava com a frase de Alan Moore: “quem vigia os vigilantes?”, e aqui a resposta é na lata: “os caras”. Mas o plot mistura toda a escrotidão vista em outras obras do seu autor Ennies, mais a força obscura sempre proposta no cinema falho da DC/Warner e ainda uma enxurrada de situações extremamente atuais, falando sobre ser impactado, hashtags e até montagem de personas. Mas a obra vem como um murro, acertando o seu estômago e lhe tirando o ar. É algo marginal que extrapola a cor cinza dos personagens, levando tons ainda mais escuros para todo mundo. É a ótica mais realista do tal ser ‘’humano’’.

Com uma classificação alta, vemos as celebridades deste mundo da forma mais nojenta possível. Tudo é dinheiro, dinheiro, dinheiro. Então é a forma mais bizarra e ácida, de corroer a imagem que temos e nos depararmos com um espelho do nosso mundo. Cético, irônico, intenso e devastador, bebemos um brutal expurgo de abusos e realidade triturada com grosso sarcasmo. Encontramos uma grande mensagem no final da estrada, mas até lá, passamos por muito sexo, drogas, porradaria feia, todo tipo de exagero e até mesmo o gore, porém, ainda é uma versão light da sua obra original.

Particularmente não sou fã de séries de 22 episódios – não, não vamos falar de Friends amorzíneo s2 – Acho 13 o máximo para não perder o foco da temporada. 6 a 8 são perfeitos, mas muita gente acabou comentando que aqui tivemos alguma barriguinha. Não concordo, e olha que sou chato com isso. Tivemos diversos arcos se fechando de uma forma interessante, exploramos bem a ideia do argumento e principalmente tudo fez sentido. Logo não tem porque achar que foi atoa. Mesmo alternando os diretores, você sente sempre o bom ritmo, destaque para o ápice deste tom no episódio 4.

Muita gente pegou pesado quanto aos efeitos. Principalmente alegando que usaram quase todo o orçamento deles no piloto. Eu não sou muito a favor de CGI, sou um fã declarado dos práticos, mas aqui vou defender. Por mais que o trailer já vem com a “estranha” cena em que a namorada do protagonista se liquefaz em suas mãos, temos outras tantas funcionando muito bem, pois temos uma série que se preocupa com a fotografia. Um dos pilares do audiovisual, aqui é explorado e bem arquitetado, ajudando e muito nas cenas que existem computação gráfica. Um ótimo exemplo é como a câmera transita em takes de voo e velocidade, na Queen Maeve se afundando em um veículo ou no fatídico e belo atropelamento do Translúcido. Breaking Bad já falou a mais de 10 anos atrás, a importância desta arte para séries, tá na hora, né?

Ao meu ver, castings de séries – em geral – costumam ser mais “fracos”, porém ganham carisma gerado por tempo de tela. Claro que um personagem, por mais que esteja em 5 temporadas de 22 episódios cada, não seja equivalente a um Marlon Brandon em Poderoso Chefão, mas crava forte sua personalidade e arco, com ainda mais facilidade e empatia do que geralmente os coadjuvantes em longas.

Temos aqui um bom time, com atores que já fizeram Capitão Fantástico (Erin Moriaty), O Pacto (Chace Crawford), House Of Cards (Dominique Mcelllogott), Independence Day (Jessie T. Usher), Logan Lucky (Jack Quaid), Esquadrão Suícida (Karen Fukuhara), Avatar (Laz Alonso), 7 Dias em Entebbe (Tomer Kapon), Karate Kid a Hora da Verdade (Elisabeth Shue) e Desafiando os Limites (Antony Starr), mas é claro que o nome com mais peso é de Karl Urban (Senhor dos Anéis, Thor Ragnarok, Dredd, Star Trek, Riddick e Supremacia Bourne). Todos muito espirituosos e empenhados em fazer seus papéis. Gosto bastante da química entre a maioria deles.

E o Simon Pegg? Bom, falo dele mais a frente.

Pode parecer polêmico e pesado para o público em geral, mas isso é basicamente o que o seu autor faz. Os produtores sabiamente deram uma nova estrutura – e atualizaram bem – uma outra cara e claro, fatiaram bem o humor negro e as orgias. Com isso infelizmente perdemos situações impagáveis, cenas inesquecíveis e falas desagradavelmente memoráveis. Perdemos a participação do Terror – inseparável cachorro do Billy Butcher – que faz apenas uma ponta apenas em um dos seus flashback no quarto episódio. Mas a maior mudança de fato é o protagonismo do Simon Pegg.

O personagem “Hugie Mijão” teve o seu visual completamente inspirado no ator. Garth Ennies e o seu desenhista Darick Robertson, entraram em contato com o ator antes de publicar o primeiro volume do quadrinho. Pegg amou a ideia e ficou empolgadíssimo em estar neste projeto. Mas como a série saiu muitos anos depois, Pegg envelheceu. Sinceramente eu acho que ainda daria para usa-lo, pois nunca foi revelado a sua idade. E outra, se fosse por grana, não teríamos alguém do cacife de Karl Urban no elenco e o próprio Pegg topando participar como o pai do ”seu personagem”.

Mas o que esperar da próxima temporada? Bom, o showrunner Eric Kripke falou que irá ter mais do Terror – o cachorro – e a aceitação incrível do público, da mais liberdade para eles trazerem um pouco mais do pesado humor das páginas para as telas. Fora que assim como quadrinho, podemos ver mais heróis e vilões deste mundo e não só focar nos Sete.

Vem coisa boa por aí. E vem na velocidade do Trem-Bala.

4.5

Summary

Para o fã da obra original, não contar com o protagonismo do Simon Pegg, a falta do Terror ao lado do Butcher, diminuir o universo de heróis e o peso das piadas, pode ser até um pouco decepcionante, mas mesmo a série sendo uma versão light da HQ, temos constrangimentos necessários para entendermos o recado do que seria ter ”heróis” por aqui. Uma salva de palmas para criação de Garth Ennies e mais uma vez, para a coragem e tato do visionário Seth Rogen.

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