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CRÍTICA: LORD OF CHAOS

O som pesado da morte.

Ficha técnica:

Direção: Jonas Åkerlund
Roteiro: Jonas Åkerlund e Dennis Magnusson
Elenco: Rory Culkin, Emory Cohen, Sky Ferreira, Jack Kilmer, Valter Skarsgård e Wilson Gonzales Ochsenknecht
Nacionalidade e lançamento: Reino Unido / Suécia, 08 de fevereiro de 2019

Sinopse: Euronymous, fundador da banda e Black Metal norueguesa, Mayhem, narra a violenta história de sua banda no começo dos anos 90 e a mórbida cena dos jovens desta época e suas barbaridades.

Mais um filme que retrata a rotina de uma banda. Suas dificuldades, desafios e conquistas, porém, esta aqui vai um pouco além de drogas e orgias. Muito além. Os relatos registrados neste longa, foram baseados no livro de mesmo nome, lançado em 1998, que por sua vez, guardava os segredos da Mayhem de 1984 a 1993.

Tudo que é apresentado para o público é verdade. Suicídio, ataques a igrejas, assassinatos, satanismo… e pasmem, a banda existe até hoje. Sim, ela está em atividade! Mas se for dar uma conferida, Euronymous, Varg, Dead… todos terão um leve spoiler do filme ao lado de seus nomes. Aliás, assistir o filme sem saber dos fatos é bom. Não é todo mundo que acompanha o cenário de Black Metal Norueguês, mas muita gente ficou sabendo da cena de igrejas em chamas e consequentemente um pouco sobre os caóticos acontecimentos gerados por esta banda insana.

Uma das coisas ótimas no filme, é que para aquele que ainda não sabe para onde o longa vai levar, a cada 15 minutos temos um novo caminho a ser explorado, uma nova porta se abre. É incrível como o roteiro do Dennis Magnusson (JORDSKOTT) foi muito bem arquitetado. Instiga o melhor do espectador que deve acompanhar muita coisa.

Biografias musicais costumam apelar para grandes hits, trazendo mais aproximação com os fãs e enxertando conteúdo, mas aqui não. Lord Of Chaos prefere tocar poucas músicas, caprichar nas situações e trabalhar os seus personagens – o que particularmente acho ótimo, até por não ser um fã assíduo de black metal.

Os personagens assim ganham força e tridimensionalidade, fazendo os seus arcos terem desfechos dignos ao que nos foram apresentados desde o começo. Não é que fica óbvio, é que fazem sentido com cada persona. Casa bem. Nada fica forçado, flui porque todos são bem descritos.

Falando em personagens, Jack Kilmer – sim, filho do Val Kilmer – como Dead (DOIS CARAS LEGAIS) funciona muito bem e Varg interpretado por Emory Cohen (BROOKLYN), tem lá os seus defeitos, mas conquista nosso rancor. Mas quero falar sobre o membro mais novo da famosa família Culkin: Rory Culkin (SINAIS) o Euronymous. Tem cada vez entrado mais para um hall de atores que eu gostaria de trabalhar. O rapaz está demais. Traz muito carisma para o longa. De uma forma absurdamente assustadora, ele dá traços e cara do que realmente foi o Mayhem. Sinistro e infantil, espantoso e ao mesmo tempo apavorado. Um garoto de alma negra, lábia afiada e sem colhões para nada.

O terceiro ato traz uma atmosfera diferente. Cria-se tensão e instala urgência. De uma forma bem amarrada, chegamos ao fim que deveríamos chegar. É entregue o máximo do que poderia ser feito com tal budget e com a história que tinham para contar. Creio que poderíamos cortar um pouco da sequência na escada, mas acho que a dupla de escritores, realmente queriam cutucar a ferida e incomodar ao máximo com aquela cena catártica.

O que o mais me ganhou em toda a obra, foi a edição. Ela transforma um filme com tom adolescente em algo forte e experimental. Pois é. A coragem do diretor Jonas Åkerlund (POLAR), nos leva a degustar dezenas de sabores em poucos minutos. Comédia jovem, um drama pesadíssimo, loucura política, depressão, primeiro amor, thriller policial, pesadelos alucinantes, jogo de poder, insanidade, ansiedade… É uma crítica social com sabor de trash. Experimentando tudo com pouco medo e muita competência. Temos um nome aqui para anotarmos.

3

Summary

Optei por falar sobre tudo que encontrei de positivo, mas o fato é que por mais que tenha uma edição excelente, uma história real para nos contar e a atuação bem foda do Rory Culkin, ainda assim nos deparamos com um filme mediano. A sua coragem e efeitos práticos chamam atenção sim. De fato, cheguei a me sentir na tal cena norueguesa, só que a suspensão da realidade nos forçando a muita descrença, somados a romantização de algumas passagens onde nada acontece, deve baixar um pouco o seu poderio.

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