CRÍTICA: The Dirt: Confissões do Mötley Crüe - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

CRÍTICA: The Dirt: Confissões do Mötley Crüe

Um verdadeiro show de carisma.

Ficha técnica:

Direção: Jeff Tremaine
Roteiro: Tom Kapinos e Amanda Adelson
Elenco: Douglas Booth, Iwan Rheon, Machine Gun Kelly, Daniel Webber, Tony Cavalero, Kathryn Morris e David Costabile.
Nacionalidade e lançamento: Estados Unidos, 22 de março de 2019 (mundial)

Sinopse: Acompanhamos uma das bandas mais famosas dos anos 80 e 90, o Mötley Crüe. A vida empolgante (degradante) de quatro rockstars que ultrapassam décadas levando o Glam Metal a ser conhecido como ele é hoje.

Não tem como não citar Bohemian Rhapsody após vencer 4 Oscars e ser o filme mais atual dentre as biografias musicais da indústria. Mas onde os fãs pegaram no pé por tantas licenças poéticas e uma timeline de acontecimentos desordenada e confusa, um protagonista que talvez peque nos exageros, uma velocidade absurda nos acontecimentos de alta importância e a falta de peso em tudo que se propõem a passar (como orgias, consumo de drogas e doenças terminais), temos aqui: satisfação com o resultado.

Triste saber que não terá nem 10% da repercussão atingida pelo Queen Movie, mesmo sendo do streaming mais amado do mundo, aqui vemos um filme muito bem equilibrado. Se mantém forte em tudo que se compromete passar, com uma comédia rápida e cheias de gatilhos, um drama que surpreende e te pega, o excesso nas drogas, nas garotas e nas brigas, a realidade da qual eles não fogem e não se perdem quando precisam acelerar e apenas pontuar (como a troca de nome do Sixx, a primeira vídeo tape vazada do mundo, pelo Tommy Lee ou a banda conquistando 100% dos direitos de suas obras) e principalmente, mostrar que o longa é sobre uma banda, sobre o processo de quatro membros e não apenas um. É um filme do Mötley Crüe, por mais que (pra quem é fã sabe) o Nikki Sixx sempre tratou como “dele”, o trabalho em questão não permite isso. Tudo deixa com um puta sabor diferenciado.

E é usado diversos formatos para concluir esta trajetória, desde uma linguagem videoclíptica, narração em off, ponto de vista de todos os protagonistas, câmera estática, na mão ou em primeira pessoa, quebra da quarta parede (e chega a retirar um personagem no meio do filme) sem deixar o mise en scene morrer ou se complicar no processo.

Este belo filme do Mötley Crüe nasceu em 2001 em forma de livro, ao ser escrito pelo Nikki Sixx, Vince Neil e o famoso jornalista Neil Strauss. Mas eu sinceramente achava que o filme não abordaria tudo, pensei até que focaria naquele final dos anos 80 e começo dos 90, que o exagero tornaria tudo que eles vinham conquistando algo dark. Mas não, continuaram, chegaram a mencionar a fase limpa da banda, a morte do pai do Nikki e a importante volta do Vince para o Mötley Crüe.

O casting que foi escolhido a dedo e conviveu com os músicos por um tempo, para ouvir todo tipo de piadinha e ganhar trejeitos fiéis de seus personagens, realmente chama atenção. Conseguiram sustentar o carisma por todo o filme. Até o Daniel Webber que de primeira não lembra muito Vince, com uma das piores barbas falsas que já vi, ficou IDÊNTICO ao Neil dos anos 90. Aliás o trabalho de maquiagem e figurino, mudando os cabelos a cada álbum foi impecável. Lindo, lindo.

Quem conhece cinema ou entenda um pouco, sabe que um longa é uma obra conjunta, plural, assim como o mérito aqui. Tremaine traz loucura que sempre foi a sua assinatura, algo jovem e inconsequente, para as páginas da dupla de roteiristas Kapinos e Adelson, que deixaram tudo fluir muito bem a cada fala (aliás, uma das coisas que mais esperei ver em Bohemian Rhapsody, eram grandes frases, coisas cerebrais, e acabou que fui só encontrar aqui) e com toda e absoluta certeza, mérito a banda, que quis realmente fazer isso acontecer, compareceu e auxiliou ao máximo este resultado tão satisfatório.

Criança colocando a mãe na cadeia, acidentes fatais de carro, vandalismo, overdose, prisão, surubas, arrependimento, porradaria com os fãs, garotas traindo os parceiros a rodo (inclusive dentro do próprio Mötley Crüe), o fantasma de um pai ausente, a despedida de uma jovem criança, consumo de álcool, maconha, cocaína, doces, heroína, formigas, urina… olha… graças a Deus tiraram a parte que o nosso decapitador de morcegos pinta as paredes do quarto do hotel com fezes.

Aliás, o câncer no estômago da linda (e muito talentosa) garotinha filha do Vince, foi mais explorada e dramática em 10 minutos de tela do que a AIDS do Freddy Mercury… mesmo indo contra a realidade e falando para os integrantes da banda com tamanha antecedência.

Mas chega de comparações, este filme tem que funcionar por si só, e de fato FUNCIONOU.

Com ótimos coadjuvantes, personalidades bem definidas e que empurram a história o tempo todo. Pete Davidson, Kathryn Morris e David Costabile, todos muito bem encaixados. Mas o destaque fica para Tony Cavalero. Além de estar com um visual absurdamente Ozzy Osbourne dos anos 80, em 5 minutos ele mostra um pouco do que foi este dinossauro do rock quando mais novo. OBSERVAÇÃO IMPORTANTE: Juro que não me lembro se foi a beira da piscina, mas aquela cena dele foi real e é relatada pelo Nikki em seu livro Heroína e Rock’n’Roll.

Estou boquiaberto com o resultado. Muito feliz como fã e como crítico. Perdi no cinema? Ah, ia ser uma puta experiência, mas me fez economizar uma graninha, uma vez que já assisti este filme 3 vezes desde que lançou.

Mas não vou dar 5 estrelas por dois motivos:

PRIMEIRO COMO FÃ: Sei que o livro só vai até 2001 e o filme meio que acaba ali pra 1998 quando Vince já está de volta na banda. Se fosse mesmo até 2001, não teríamos mais Tommy Lee na bateria (lógico que isso implicaria muito no final do filme, MAS ESTOU AQUI COMO FÃ). No lugar dele teríamos Randy Castillo até a sua morte em 2002 (outra vítima do maldito câncer) e depois Samantha Maloney até 2004. Poxa… já que mostrou o pé no saco do John Corabi, fiquei na vontade de ver estes dois…

Ir tão longe poderia azedar o filme, Tommy Lee sendo preso ao espancar a Pamela Anderson, os dois episódios da Crüefest, o jogo RockBand salvando a banda e as turnês maravilhosas com o Kiss.

E mesmo com detalhes tão caprichosos como as cenas do Nikki com braço em chamas na abertura, Tommy brincando de queimar baratas onde ensaiavam ser real, e o clipe das tochas ser um marco pra banda, não vimos algumas coisas. Por exemplo a banda ser presa no Japão, não ficamos sabendo que a responsabilidade Mick Mars não era só pela doença, mas ele já tinha dois filhos ao entrar para a banda e que o vício do Nikki Sixx por heroína é culpa de uma batida de carro na qual ele machuca o ombro, e para não parar as gravações, começou a usar para aguentar a dor.

AGORA COM UMA VISÃO MAIS CRÍTICA: Gostei muito do elenco, principalmente do trabalho em equipe. Douglas Booth convence na hora do xaveco, da filhadaputice, no palco, na briga, na camaradagem. mas quando é pra se drogar… falta algo… falta mesmo… ele só virava os olhinhos, não tem uma tremedeira, não fica ofegante, nada de veias estaladas, suor frio , sabe?? Faltou algo meio… Pinkman. Infelizmente nisso não gostei. Não cheguei a sofrer com ele.

De resto… putaquemepariudelado.

4.5

Resumo

Não dá para falar que não é um filme corajoso. Começa com um grande squirt e carrega a obra toda recheando de coisas erradas, em um puta um tom testosterônico e machista. Se permite ter um ponto de virada com um puta nome e sobrenome (Ozzy Osbourne) e se mantém equilibrado até o fim, dando foco e espaço para todos os seus integrantes, e mais ou menos com uma linha Jackass (que o diretor traz), joga eventos importante da vida do Mötley Crüe na tela, de forma espetacular. Do humor ao drama. Do anonimato as estrelas. Um show de carisma.

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