Crítica: Operação Fronteira (2019) | Netflix
Operação Fronteira Critica

Crítica: Operação Fronteira (2019) | Netflix

Antes de ler esse texto sobre “Operação Fronteira“, pare por alguns segundos e observe o pôster desse filme. Pode ir lá, eu espero…

Pronto?

Clichê? Óbvio? Genérico? Pouco inspirado? Te remeteu à filmes como “Os Mercenários“? É óbvio que nunca devemos “julgar o livro pela capa” ou o filme pelo pôster, mas há casos em que os materiais de divulgação revelam qual o propósito do filme – ou dos produtores. Por se tratar de um filme lançado direto na Netflix, um pôster chamativo se faz mais necessário do que nunca, afinal, a lista de filmes e séries que estão à disposição do assinante é enorme, e para que o mesmo cesse a busca do que assistir e dê o esperado play, o pôster precisa despertar a vontade do espectador, além de dar uma ideia do que esperar do filme.

No caso de “Operação Fronteira” do diretor J.C. Chandor, a imagem transborda testosterona com 5 homens brancos, fortes, bonitos e com cara de mau. Nem “Os Mercenários” foram tão óbvios assim, mas quero parar de fazer comparações entre as duas obras, pois as semelhanças entre elas se dissipam conforme a trama vai avançando.

Basicamente, “Operação Fronteira” narra eventos de um grupo de 5 homens (4 deles ex-soldados e um em atividade) que decidem invadir uma casa pertencente a um perigoso traficante para a) matar o cara e b) recuperar o dinheiro do tráfico e ficar com boa parte dele. O filme é isso e não vai sair muito disso, porém, J.C. Chandor não se limitaria a dirigir uma obra tão simplória assim. Basta lembrarmos do seu último longa, “O Ano Mais Violento” onde o diretor conseguiu recriar um submundo da máfia sem recorrer aos chavões do gênero.

Em “Operação Fronteira“, Chandor tenta fazer algo maior no escopo, porém intimista ao retratar as motivações e as culpas de cada um dos 5 personagens. Para tal, Chandor e o roteirista Mark Boal se valem do velho clichê do “selecionar os melhores de cada área” e com algumas linhas de texto, tentar criar algo da personalidade de cada um. Lembra por exemplo quando Steve Trevor em “Mulher Maravilha” vai recrutar Charlie, um homem bêbado, porém resiliente? Algo parecido ocorre aqui. A ideia era tentar criar uma motivação para que cada um embarque nessa operação.

De início, ela até funciona, como por exemplo no caso de “Tom” (Ben Affleck) que vive uma crise conjugal e uma situação financeira complicada. Durante todo o recrutamento, “Pope” (Oscar Isaac) repete que Tom é um herói não reconhecido pelo Estado Americano e que entrar para essa operação seria uma forma de compensação por tudo que ele já fez pelo país. A intenção foi clara, já a execução nem tanto.

Todos os personagens tem razões para estar ali, e quando Chandor tenta dar motivações a cada um, é para que o espectador passe a se importar com eles. É sentir a urgência quando eles estão em risco, criando a tensão necessária para que as cenas de ação funcionem. Quando em uma cena de tiroteio por exemplo, nos preocupamos mais com figurantes ao redor do que com os protagonistas do filme, é por que esses não foram bem desenvolvidos. É nisso que reside os maiores problemas do filme que não permite que o espectador se apegue aos personagens.

Catfish (Pedro Pascal) por exemplo, tem uma motivação para estar lá, e isso envolve sua família. Porém o filme em momento algum mostra essa família, privando o público de criar um vínculo emocional com o personagem. Esse problema se repete com todos os 5 que ali estão. É mencionado que Tom é um herói, que Catfish zela por sua família, que Pope se preocupa com a namorada, mas nunca vemos nada que mostre isso. Tudo é apenas verbalizado e isso não suficiente para criarmos conexões com aquelas pessoas.

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Adria Arjona em “Operação Fronteira” (2019)

Outro exemplo é a utilização da única mulher no filme, Yovanna (Adria Arjona) que já na sua primeira aparição, falha ao tentar criar um elemento surpresa. Na cena há uma apreensão de drogas, armas e dinheiro e dentre um bando de homens apreendidos. A câmera de Chandor dar um zoom no rosto da atriz em contra-plano com Pope. De forma grosseira e óbvia criou uma conexão entre ambos. Depois ela foge e ele corre atrás para capturá-la e já sabendo que não sairá nada daquilo, afinal havia uma conexão entre ambos, qualquer tentativa que criar um fator surpresa ao mostrar que eles já se conheciam cai por terra. Depois há uma tentativa de mostrar o quanto aquele garota é importante para Pope, porém isso fica apenas verbalizado.

Toda essa obviedade que é vista até na ótima trilha sonora com músicas que vão de Metallica e Pantera à Fleetwood Mac e Creedence Clearwater Revival porém são jogadas à esmo. A partir do final do segundo ato, o filme muda o foco e fica bem mais interessante ao retratar as consequências das ações tomadas pelo grupo, justificando o interesse do roteiro em criar uma conexão com esses homens e o público e é nesse momento que a falta de uma melhor contextualização é sentida.

Alguns personagens surpreendentemente começam a tomar decisões dúbias porém sem qualquer razão aparente que não seja “por que o roteiro pede”. As ações se tornam rasas e as consequências perdem força. Ao final do filme, a sensação que temos é de que nada aconteceu na história e que tudo não passou de uma aventura agitada.

Por mais que eu reconheça “Operação Fronteira” como uma divertida obra de ação, a falta de interesse naqueles personagem torna tudo óbvio, tão óbvio quanto aquele horroroso pôster.

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