Crítica: Rafiki (2018) - Mostra Internacional de Cinema de São Paulo - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

Crítica: Rafiki (2018) – Mostra Internacional de Cinema de São Paulo

“Rafiki” foi escolhido como parte da mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes e foi exibido como parte da programação da 42ª edição da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo (SPIFF)

 

Ficha Técnica

Direção: Wanuri Kahiu

Roteiro: Wanuri Kahiu, Jenna Cato Bass

Elenco: Samantha Mugatsia, Sheila Munyiva, Jimmi Gathu, Nini Wacera, Neville Misatti

Nacionalidade e Lançamento: Quênia, 2018

Sinopse: “Boas meninas quenianas tornam-se boas esposas quenianas”, diz o ditado. No entanto, Kena e Ziki querem algo mais. Apesar da rivalidade política que existe entre suas famílias, as garotas resistem, continuam amigas e se ajudam a perseguir seus sonhos, mesmo em uma sociedade conservadora. Quando o amor entre elas floresce, as duas se veem obrigadas a escolher entre a felicidade e a segurança.

 

O romance apresentado por Wanuri Kahiu em “Rafiki” possui um enorme peso para os tempos de hoje e principalmente para seu país de origem, o Quênia. Isso pode-se afirmar levando em conta que as práticas homossexuais são consideradas como crimes de acordo com as leis quenianas. O longa, que havia sido banido por tempo indeterminado e coloca a vida da diretora em risco por tratar destas questões, era a principal escolha do país para a categoria de Melhor Filme Estrangeiro no próximo Oscar, justamente por ter construído uma boa carreira internacional através de grandes festivais meses antes de sua estreia, tendo como o principal deles o Festival de Cannes. E mesmo após a suspensão dessa decisão do governo queniano, outro filme acabou sendo escolhido, assim minimizando seu potente grito de liberdade que ecoa nos arredores de um país majoritariamente conservador.

Baseado no conto “Jambula Tree”, da escritora ugandense Monica Arac de Nyeko, sobre uma comunidade na África que é afetada por um amor que nasce entre duas adolescentes, o filme acompanha a vida de Kena, uma jovem bastante conhecida na região em que habita por ser filha de um político na disputa para se eleger e que logo passa a conhecer a filha do rival de seu pai nas eleições, Ziki. As duas garotam se tornam amigas e aos poucos que vão conhecendo mais sobre uma a outra essa relação se intensifica, se tornando um grande amor proibido carecido de cuidados diante dos limites impostos pela sociedade e o governo.

 

Infelizmente, “Rafiki” é um daqueles filmes em que o conceito e a crítica manifestados por trás de sua história destoam demasiadamente quando comparados com sua execução. A construção de um roteiro pouco eficiente revela seu maior infortúnio, ao ponto que a narrativa apresenta uma história comovente sobre o romance entre Kena e Ziki podemos perceber que grande parte do que se é apresentado é feito às pressas e por conta disso é oferecido um raso desenvolvimento na questão central do filme e as subtramas criadas. O lado político que o longa explora não nos dá muita informação em relação ao posicionamento e a ideologia dos possíveis futuros governantes e pais das duas garotas, sendo este um ponto primordial e que pode definir o futuro de suas vidas. Por outro lado, a forma como a relação é vista por aqueles que também habitam a comunidade em que Kena vive também é exibida, não só o lado preconceituoso de seus vizinhos mas como o cristianismo atuante no país interfere e controla essa questão.

Entretanto, no que se diz respeito à estética visual, desde a pluralidade de cores apresentada pela fotografia, o figurino e o design de produção compõem uma vivacidade e quando transportadas para a narrativa representam até um certo alívio no olhar dos afetados a uma situação tão delicada exposta pela narrativa em meio a uma sociedade tradicionalista como aquela, onde por mais que abrace as mais diferentes cores, não aceitam aqueles que precisam ser abraçados pela sociedade.

 

 

Talvez seja esse o filme que o Quênia precisa para abrir seus olhos diante às questões ligadas a comunidade LGBT e assim reformular seus próprios princípios e valores morais, onde por mais que ainda apresente inconsistências em seu roteiro, consegue levantar julgamentos importantes sobre o próprio país.

 

 

  • Nota
2.5

Resumo

Rafiki retrata um comovente romance adolescente entre duas garotas do Quênia e por mais que possua inconsistências em seu roteiro ainda se torna relevante ao confrontar o conservadorismo de seu próprio país de origem

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