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Crítica: 22 July (Netflix, 2018)

“22 July” participou da seleção oficial do Festival de Veneza deste ano e era um dos concorrentes ao Leão de Ouro.

 

Ficha Técnica:

Direção: Paul Greengrass

Roteiro: Paul Greengrass, Åsne Seierstad
Elenco: Anders Danielsen Li, Jon Øigarden, Jonas Gravli, Ola G. Furuseth
Nacionalidade e Lançamento: Noruega, 2018 (10 de outubro na Netflix)
Sinopse:
Uma história em três partes do pior ataque terrorista ocorrido na Noruega, no qual cerca 70 pessoas foram assassinadas, com um olhar no desastre causado, os sobreviventes, o sistema político norueguês e os advogados que trabalharam no caso.

 

A cidade de Oslo, capital da Noruega, foi alvo de uma série de atentados os quais resultaram na perda de 77 vidas e deixaram vários feridos, ocorridos no dia 22 de julho de 2011. Em uma tentativa de protesto contra a política de aceitação de imigrantes do Partido Trabalhista, o jovem Anders Behring Breivik, um ativista de extrema-direita e fundamentalista cristão, explode um carro-bomba na sede do governo (no centro de Oslo), uma hora depois, invade um acampamento repleto de jovens integrantes desse mesmo partido e dispara contra eles sem qualquer tipo de hesitação na ilha de Utøya.

Baseado nesses eventos reais, “22 July” exibe não só a sequência destes acontecimentos que levaram a Noruega a ficar em estado de choque, mas foca principalmente nas consequências dos atentados, o processo de julgamento de Anders Breivik (Anders Danielsen Li) e como casou traumas a suas vítimas.

O longa nos apresenta a três diferentes núcleos de personagens os quais acompanhamos para compreendermos não só a dimensão alcançada pelos atentados mas também a discussão moral que envolve a situação. O primeiro deles é composto Breivik e o advogado que o mesmo escolhe para o defender no caso, Geir Lippestad (Jon Øigarden), onde esse se mostra surpreso ao ter sido escolhido previamente pelo ativista justamente por já ter atuado em defesa de um neonazista. O segundo foca no jovem Viljar (Jonas Gravli), um dos sobreviventes do acampamento que é alvejado por Breivik e sofre sequelas físicas e psicológicas após quase morrer. Por último, acompanhamos o lado do governo da Noruega através das ações do primeiro-ministro, Jens Stoltenberg (Ola G. Furuseth). Porém, não é estabelecida uma conexão natural entre estes núcleos, não só por não termos tempo para reagir a tudo o que está acontecendo nos três diferentes locais, devido ao ritmo extremamente apressado da narrativa mas por cada um deles apresentar motivações distintas com o objetivo de nos apresentar a três características de cada núcleo: o extremismo do terrorista, o lado humano da vítima e um governo ameaçado.

O primeiro ato é responsável por exibir a parte mais inquietante do filme, onde mostra todas as ações motivadas pelo ódio de Breivik e o medo que cerca todos os jovens que estão na ilha, mas ainda assim falha ao quebrar o andamento da narrativa alternando entre o que está acontecendo no centro de Oslo e em Utøya. O segundo decide explorar a humanidade de seus personagens, de onde parte a natureza violenta de Breivik (não com intuito de justificar seus atos injustificáveis mas de explorar seu passado e suas motivações), a situação do advogado que se vê diante de um caso o qual já sabe seu desfecho e mesmo assim é chantageado e a indignação de uma vítima a qual terá que viver com esse trauma para sempre.

O diretor Paul Greengrass aqui emprega vários planos pouco estáticos, a câmera sempre executa movimentos ágeis (que muitas vezes confundem o espectador) para representar o caos que a Noruega enfrenta no momento e o dilema de seus personagens, assim como faz em seus trabalhos anteriores, como Capitão Phillips e os três filmes que dirigiu da franquia Bourne.

Com roteiro e performances pouco convicentes, “22 July” se perde ao explorar seus personagens apenas superficialmente e aparenta partir para a espetacularização de um dos episódios mais sangrentos da memória recente dos que vivem na Noruega.

  • Nota
2

Summary

Baseado nesses eventos reais, “22 July” exibe não só a sequência destes acontecimentos que levaram a Noruega a ficar em estado de choque, mas foca principalmente nas consequências dos atentados, o processo de julgamento de Anders Breivik (Anders Danielsen Li) e como casou traumas a suas vítimas.

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