Eu Cinéfilo #42: Buscando (Searching - dir. Aneesh Chaganty, 2018) - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

Eu Cinéfilo #42: Buscando (Searching – dir. Aneesh Chaganty, 2018)

Trazendo para o universo cinematográfico um aspecto novo em termos narrativos e visuais, o longa “Amizade Desfeita” (Unfriended), de 2014, despertou na época imensa curiosidade nos fãs dos gêneros do terror e do suspense, já que sua história é contada inteiramente através de uma tela de computador. Reproduzido de forma um tanto similar, “Buscando” explora diversos temas reais e ameaçadores que surgiram com a evolução da internet em uma narrativa intrigante do começo ao fim e que serve de base para compreendermos e refletirmos na forma a qual usamos o espaço cibernético nos tempos de hoje.

Neste caso acompanhamos David Kim (John Cho), um pai que após uma perda recente em sua família, enfrenta problemas em lidar com o luto e na relação com sua filha de 16 anos, Margot (Michelle La). Os dois se mostram extremamente distantes um do outro, seus horários não batem visto que Margot agora frequenta a universidade e normalmente chega tarde pois comparece a aulas de piano ou passa a tarde estudando. Mas logo de cara podemos perceber que a relação não é distante apenas no âmbito físico, mas também no social e no virtual. As mensagens enviadas de David para Margot sempre soam convidativas ou sempre cobram algo, o que revela um ar de carência perante a filha que só o responde com mensagens curtas para evitar o pai, e quando Margot está em casa, dificilmente tem tempo para o pai. Após uma noite, David tenta entrar em contato com a filha de todas as formas possíveis, mas não obtém sucesso ao encontrá-la, o que o leva a uma busca incessante pela garota através de seu computador.

 

Marcando sua estreia na direção de um longa, Aneesh Chaganty constrói uma narrativa eficiente e já estabelece um ritmo desenfreado ao exibir as ações da família Kim através de memórias guardadas no computador do pai. O motivo pelo qual nos importamos com Margot deve-se ao fato de acompanharmos todo o seu crescimento, seus hábitos, suas conquistas e seus sonhos mostrados logo nos primeiros minutos de projeção, o que também nos leva a entender o motivo de uma mudança de comportamento radical em sua vida, além do fato de estar vivendo o período conturbado da adolescência. Por escolha do diretor, porém sem assumirmos a perspectiva de primeira pessoa, enxergamos apenas aquilo o que David vê (aliás, o que vemos é a apenas o reflexo de sua imagem projetado na câmera do computador e outros dispositivos), assumimos o ponto de vista do protagonista e isso nos leva a acompanharmos todas as suas ações e ficarmos tão preocupados quanto o próprio pelo desaparecimento da garota. Tal ritmo se torna instigante desde o primeiro minuto por ser composto pela edição ágil que dificilmente nos oferece cortes sem qualquer tipo de informação sobre o caso ou a natureza dos personagens, além da trilha que auxilia complementando a agilidade da narrativa, criando expectativas e oferecendo surpresas.

Ao passo que usa o computador de sua filha para encontrar pistas que possam levar a conclusão do caso, David passa a conhecer um universo o qual percebe não fazer parte, pois apesar de os dois usarem a mesma plataforma, seus interesses individuais ligados as suas diferentes gerações os levam para caminhos distintos no campo virtual. O pai começa a observar como não está a par da forma que os adolescentes fazem o uso da internet e os ambientes que acessam, e por isso observa como a internet pode-se tornar um ambiente hostil para aqueles que fazem seu uso de forma indevida, com base nos riscos que se submetem devido ao limite da auto exposição muitas vezes encarado por jovens de hoje.

Com uma carga dramática consideravelmente pesada, o roteiro faz com que além de presenciarmos a busca por Margot, passemos a conhecer mais sobre a garota, complementando o grau de mistério sobre o caso e assim evidenciando um distanciamento ainda maior entre a filha e David, que até o momento mostrava-se convicto em conhecê-la inteiramente, mas ao longo que passa a ter contato com sua persona virtual, observa que não conhece muito sobre sua garotinha, abrindo possibilidades ainda maiores do perigo que possa estar exposta e criando uma narrativa totalmente equilibrada tanto no mistério como na emoção.

John Cho confere a David Kim um olhar carregado de indignação, não só pelo desaparecimento de sua filha, mas também pelo distanciamento dos dois com o passar dos anos. O medo e a pressão que o envolve em relação a resolução do caso é presente o tempo todo em sua performance, fazendo com que mostre uma transição perfeita entre os graus de afetividade que possuía a garota e sendo muito convincente, assim como o resto do elenco composto por Michelle La, que faz Margot em sua estreia no cinema com este longa e Debra Messing, integrando autoridade à detetive Rosemary Vick, responsável pelo caso de desaparecimento.

Repleto de reviravoltas e fazendo um apanhado do uso da internet pela atual geração, “Buscando” é um suspense que raramente decai em ritmo, reflete sobre a auto exposição nos dias de hoje através de um mistério totalmente comovente.

 

Texto escrito por:

Fabio Cosmos

 

  • Nota
4

Summary

Repleto de reviravoltas e fazendo um apanhado do uso da internet pela atual geração, “Buscando” é um suspense que raramente decai em ritmo, reflete sobre a auto exposição nos dias de hoje através de um mistério totalmente comovente.

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