Filmes Censurados pela Ditadura Militar

Filmes Censurados pela Ditadura Militar

O golpe militar em primeiro de abril de 1964 nos trouxe vários males e um deles foi a censura de obras artísticas consideradas impróprias para a população brasileira (seja lá o que isso significava). Quando estudamos a ditadura passamos bastante por cima das obras censuradas e a maioria que lemos são as famosas músicas de resistência de cantores da MPB. Porém, vários filmes lançados na época ao redor do mundo não chegaram ao Brasil ou foram cortados e mutiladas, e isso não é visto em sala de aula. Abaixo veja alguns exemplos:

1 – Laranja Mecânica (Kubrick, 1971)

Um dos longas mais emblemáticos de todos os tempos custou a chegar no Brasil. A Ditadura vetou o filme que só foi lançado anos depois em 78 e ainda assim os militares colocaram tapa-sexo nas partes íntimas dos atores. O que nos leva a grande questão que violência explícita não era um mal, mas sim a “promiscuidade”.

 

2 – Último Tango em Paris (Bertolucci, 1972)

Outro clássico acabou chegando com vários cortes para o Brasil. A exemplo de Laranja Mecânica, Tango em Paris recebeu cortes por sua nudez e cenas de sexo. Uma coisa recorrente na Ditadura Militar era essa fixação por cortar nudez de qualquer mídia artística, mesmo o estupro sendo liberado para a tortura de prisioneiros(as).

 

3 – Pra Frente, Brasil (Farias, 1982)

Uma película sobre a Ditadura Militar em pleno regime ditatorial, uma coragem para poucos hein? O longa conta a história de um cidadão classe média que é confundido com um militante comunista e levado aos porões podres da Ditadura para sofrer todo tipo de tortura. Um longa corajoso para a época que levantou questões muito polêmicas e ficou no limbo até ser lançado um ano depois.

 

Esses três exemplos de filmes revelam muito bem o conceito de censura da Ditadura e sua total hipocrisia. Além de obras cinematográficas também foram censuradas peças de teatro, livros, histórias em quadrinhos e todo tipo de entretenimento que saísse um pouco da linha imaginária dos militares. Esses tempos sombrios só foram acabar com a redemocratização do Brasil e com isso a total falta de pudor da nossa televisão na década de 90, já que sem a censura da Ditadura estávamos reaprendendo a fazer tv, filmes e novelas.

Assim que o tempo passa as feridas da ditadura vão cicatrizando a cada próxima geração que cresceu e cresce com a liberdade de escrever, ler, assistir e acompanhar tudo que quiser e onde quiser. Essa sensação de liberdade natural nos entorpece e nos deixa a mercê de pequenas privações e censuras que achamos “ok” pelo bem maior. Mas aos poucos e comendo pela beirada o monstro pode tomar uma grande forma novamente, então é muito importante todo dia se olhar no espelho e ver como é bonito ser livre e mesmo que tudo pareça estar ruim, péssimo, sem esperança de melhora e tudo desabe. Lembre-se: amanhã…

 

Há de ser outro dia.

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