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“O Mecanismo” – (2018)

A série O Mecanismo dirigida por José Padilha e estrelada por nomes (re)conhecidos no meio artístico brasileiro, ultimamente, desde sua estréia no Netflix, tem sido alvo de críticas, principalmente via posts no Facebook. É importante ressaltar que a obra, além de criar e veicular, a partir da dramaturgia um relato que um dia refletiu e ainda agita o cenário da política do país, também, é uma ficção. É possível diferir ficção de realidade? O que os produtores da série quiseram fazer foi isso ou aquilo? Na verdade não nos cabe, como tem sido divulgado como forma de protesto, boicotar o espaço que fez acontecer a série, que a fez ser o que é, como também, deu emprego para muitos artistas. Todos sabemos, principalmente quem faz arte no Brasil, que nada fácil é viver artisticamente por aqui.

A arte da obra tem o seu próprio tempo, isto é, pertence a um espaço imaginário onde ela – a arte – encontra e dispõe seus recursos. É a partir desse momento que o espectro da realidade ganha vida. A arte dramática necessita de uma imaginação para que o real não seja estampado como seu contento, visto que simular com verossimilhança a nossa existência é sinônimo de documentar o que se conhece, e na arte, denominamos esse caminho artístico como Documentário. Acredito que O Mecanismo não seja um.

O fato de que a imagem de seu conteúdo tem sido gradualmente pautada por diversas frentes, sejam elas contrárias ou a favor à seu respeito, é no ínterim desse episódio, então, que nos deparamos com a dualidade do sim e do não e do não pensamento. O essencial permanece obscuro. A resposta de um não convém a nenhum outro, ela é inconveniente, responde àquilo que necessariamente ignoramos e é, nesse sentido, indecifrável, jamais exemplar. O que importa então? Que espécie de exigência nela se anuncia, de modo que não possa ser captada por nenhuma das formas morais em curso, sem tornar culpado quem a ignora, nem inocente quem pensa realizá-la? A obra de arte não teme nenhuma lei. Aquilo que a lei atinge, proscreve ou perverte é a cultura, é o que se pensa da arte, são os hábitos históricos, é o curso do mundo, são os livros e os museus, por vezes os artistas, mas por que escapariam eles à violência? Maurice Blanchot já disse um dia que …Aquilo que um regime tem de duro com relação à arte pode fazer-nos temer por esse regime, mas não pela arte.

A discussão trazida pela obra é válida, carregou nossas atenções para aquilo com que vivemos diariamente nesse país. Quem somos nós para sabermos a verdade de alguma coisa? Confiamos nos veículos de informação que seguimos? Será que por acreditarmos em tais frentes, e pela ocorrência disso, tal crença, então, não seja um reflexo de nossas opiniões pessoais acerca de certos assuntos ou temas? Submerge, pois, o não pensamento quanto ao fato de apenas acreditarmos no que acreditamos ser crível para nós. O que tem de demais é opinião e ela é um ponto de vista e não o certo ou o errado. O pensamento deve se elevar acima do constrangimento dos raciocínios e das provas, que seja pensamento finito a partir do infinito.

Uma memorável crise.

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