Las Chicas Del Cable: Uma aula sobre feminismo e sororidade

Las Chicas Del Cable: Uma aula sobre feminismo e sororidade nos anos 20

Em meio a tantos seriados cultuados e consolidados e os recentes lançamentos de 2017, tem sempre alguma série que fica de fora do nosso radar, e na maioria das vezes a Netflix opta por divulgar aquelas que fazem mais sucesso, mas, é nesse amontoado de produções novas que a produção espanhola Las Chicas Del Cable passa batida na programação do serviço de streaming.

O drama espanhol, retratado nos anos 20, pode não ser aquelas coisas quando o assunto é fotografia e até mesmo trilha sonora, mas Las Chicas é uma das melhores produções ”escondidas” da Netflix; nos mostrando a luta das mulheres contra o machismo em plena Espanha, dentro de uma empresa de telefones.

O seriado começa narrando a vida de Lídia, que na verdade se chama Alba e mudou de nome muitos anos atrás para se esconder dos fantasmas do passado e tentar esquecer seu primeiro amor Francisco. O que Lídia não sabe é que ao chegar a companhia telefônica e pedir um emprego, sua vida viria a mudar para sempre.

Tentando driblar dos spoilers para não estragar a experiência do leitor, quando Lídia consegue um emprego na companhia telefônica que vira marca registrada da série, faz uma uma aliança inquebrável com Angeles, Carlota e Marga – todas com suas cicatrizes e personalidades incríveis, que as destacam das demais mulheres da época e é aí que a produção novelesca começa a se tornar interessante, mostrando uma história cheia crimes de espionagem, violência domestica e o direito de explorar sua sexualidade, seja para se descobrir ou tentar um relacionamento aberto.

E os escritores não pouparam esforços na hora de mostrar as dificuldades do mundo LGBT; principalmente no segundo ano da série, onde somos apresentados a um personagem trans, muito importante para a trama, e as dificuldades da auto-aceitação que são tamanhas e te deixam tão ferido a ponto de rolar uma auto-internação do personagem para que este fuja da dor de ser algo que a sociedade ainda demora muito pra entender.

”Sara” ou Oscar (seu verdadeiro nome), faz tudo isso escondido e depois é resgatado pelo quarteto principal, nos mostrando o verdadeiro significado da palavra sororidade. E esse é outro ponto positivo do seriado, em vários momentos as personagens estão brigando por alguma mentira que foi preciso ser contada, mas logo as desavenças são deixadas de lado pelo bem-estar de alguma amiga em apuros.

As chicas e o feminismo

Como já foi mencionado, Las Chicas Del Cable é diferente por tratar do feminismo com sutileza, já que nessa época o movimento era completamente nulo, e a produção usa a importância desse movimento com suas personagens e muita emoção. Nos temos Angeles, que sofre nas mãos de um marido mal-caráter e abusivo e consegue se livrar dele, mas infelizmente tem que esconder isso da sociedade no começo da trama; já que a população não aceitaria um divórcio por ”qualquer coisa” nessa época.

Com Carlota, o negócio já é diferente. A telefonista foge de casa para trabalhar pois seu pai, militar convicto, jamais aceitaria uma mulher trabalhando em casa, e é ela uma das personagens LGBT do seriado, além de se envolver em um relacionamento poliamoroso com seu namorado e Sara, sua chefe. É tão importante, mesmo que na fantasia, ver uma personagem mulher se rebelando tanto dentro de qualquer ambiente que recuse essa rebelião feminina. E além de tudo, é a própria Carlota que organiza as rebeliões na empresa para que nenhuma funcionária saia prejudicada.

”Las Chicas Del Cable” pode ter cara de novela, mas tem todos os elementos para ser um hit mesmo que escondida em um serviço de streaming. O roteiro é cheio de questões sociais, romances, mistério, assassinatos e bons plot twists entre os episódios e as temporadas.

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