Os melhores westerns de todos os tempos

Os melhores westerns de todos os tempos

Gênero americano por excelência, o western (ou filmes de caubói, Faroeste, Bang-Bang) surgiu no início do século 20, tendo como símbolo inicial “O Grande Roubo de Trem” (1903). Tantos  outros filmes de westerns foram surgindo; alguns memoráveis, outros nem tanto. Mas é possível escolher o melhor ou os melhores westerns já feitos? Antes de avaliarmos quais filmes desse gênero estão no topo, é importante lembrarmos que há duas vertentes de análises acerca do que é um western. Alguns dizem que western é basicamente aquele filme que apresenta homens de chapéu, armas, ambiente campestre, etc., mesmo a história se passando na atualidade. Para outros, o western precisa estar dentro de sua época de origem: lá pela segunda metade do século 19. A maioria das listas de melhores westerns constam filmes que se encaixam dentro da primeira vertente.

Fizemos uma pesquisa nas redes sociais, perguntando: “Qual é o melhor western de todos os tempos em sua opinião?”. Abaixo anunciamos os 20 primeiros colocados, seguidos daqueles filmes que foram lembrados (mas acabaram não entrando na classificação) e daqueles que porventura acabaram sendo esquecidos.

Um agradecimento especial a todos que votaram escolhendo seus westerns preferidos, e a Lucas Fortes pela contagem dos votos.

 

1º – Rastros de Ódio (1956), direção: John Ford

Considerado por muitos o melhor filme de John Ford (indiscutivelmente o grande mestre do gênero western), esta obra-prima coloca o anti-herói Ethan Edwards (John Wayne, o maior dos caubóis) numa busca incessante por suas sobrinhas, únicas sobreviventes de um massacre de índios. O embate entre o bem e o mal é mostrado aqui de maneira sóbria e antológica, com belos momentos que fazem desse um dos melhores filmes já feitos.

2º – Era uma Vez no Oeste (1968), direção: Sergio Leone

Um espetáculo visual e narrativo espetacular, esta obra-prima de Leone figura merecidamente na lista dos melhores filmes de todos os tempos. É realmente um trabalho primoroso que traz, o até então sempre mocinho, Henry Fonda como um desprezível vilão. Estrelado ainda por Charles Bronson, Claudia Cardinale e Jason Robards, “Era uma Vez no Oeste” carrega algumas das mais memoráveis cenas da história do cinema. Obra-prima.

John Wayne em “Rastros de Ódio”

3º – Três Homens em Conflito (1966), direção: Sergio Leone

A terceira parte da Trilogia dos Dólares do diretor italiano Sergio Leone é sem dúvida um dos mais notáveis westerns de todos os tempos. Clint Eastwood, Lee Van Cleef e Eli Wallach tentam sobreviver cada um à sua maneira em um ambiente hostil onde apenas os fortes saem ilesos. Leone era ótimo com enquadramentos, e aqui ele os utilizam à perfeição. A magnífica trilha sonora de Ennio Morricone faz toda a diferença.

4º – Meu Ódio Será sua herança (1969), direção: Sam Peckinpah

A violência é nada menos que brutal neste trabalho inesquecível do diretor Peckinpah. Obra forte e impactante que é vista através dos bandidos liderados por William Holden (tão acostumado a papéis de mocinho). O diretor foi quem melhor filmou cenas violentas mostradas em câmera lenta (é difícil esquecer o final sangrento). Os heróis aqui ficam em segundo plano. Considerado por muitos o melhor trabalho de Peckinpah.

5º – Sete Homens e um Destino (1960), direção: John Sturges

O clássico “Os Sete Samurais” (de Akira Kurosawa) serviu de modelo para este western ágil do diretor Sturges. Yul Brinner lidera um discutível grupo de pistoleiros que defende uma aldeia de mexicanos da opressão de um terrível chefão e seu bando. É famosa a trilha sonora (indicada ao Ocar) de Elmer Bernstein. Steve McQueen e Charles Bronson estão no elenco. Teve uma refilmagem em 2016. O clássico foi aprovado por Kurosawa.

Eli Wallach e Clint Eastwood em “Três Homens em Conflito”

6º – Os Brutos Também Amam (1953), direção: George Stevens

O ex-pistoleiro decidido a esquecer o passado tenebroso ganha contornos belíssimos nas mãos do diretor Stevens (“Um Lugar ao Sol”), nesta obra-prima que tem um elenco ilustre (encabeçado por Alan Ladd). Shane vê em uma família de fazendeiros a chance de deixar o passado para trás, mas um assustador pistoleiro (o excelente Jack Palance) acaba por dificultar a vida do herói. O final emblemático com o garoto chamando Shane ao longe é antológico. Oscar de fotografia a cores.

7º – Matar ou Morrer (1952), direção: Fred Zinnemann

Gary Cooper é o xerife que, no dia de seu casamento, recebe a notícia que em pouco mais de uma hora um bandido que ele prendera estará de volta para matá-lo. Em tempo real (exatos 80 minutos) vemos a aflição do xerife e seu drama em não encontrar na cidade quem o ajude contra seu adversário e capangas. Um trabalho excepcional do diretor Zinnemann que ousou tocar na ferida do Macarthismo. O filme venceu os Oscar de melhor ator, edição, canção e trilha sonora. A bela Grace Kelly interpreta a esposa do xerife.

8º – No Tempo das Diligências (1939), direção: John Ford

Este foi o primeiro western de grande destaque de John Ford, um dos maiores mestres no gênero. Foi também sua primeira parceria com o lendário John Wayne. A história é uma adaptação livre do conto “Bola de Sebo”, do francês Guy de Maupassant, e apresenta uma caravana de pessoas de diferentes classes sociais tentando sobreviver a ataques de índios. Venceu os Oscars de ator coadjuvante (Thomas Mitchell) e trilha sonora

William Holden em “Meu Ódio Será sua Herança”

9º – O Homem que Matou o Facínora (1962), direção: John Ford

Para muitos este foi o último grande filme do mestre John Ford; um western com tons de despedida que conta uma história sobre resistência e justiça envolvendo um advogado (James Stewart) e um pistoleiro (John Wayne) na luta contra o temível Liberty Valence (Lee Marvin). Cercando-se aqui de alguns de seus atores preferidos, Ford realiza um conjunto de referências à sua própria filmografia, enquanto coloca a lenda à frente da verdade.

10º – Os Imperdoáveis (1992), direção: Clint Eastwood

Este é o melhor western dos últimos 25 anos; um memorável trabalho de Clint Eastwood em seu auge na direção e atuação. Um velho fazendeiro (Clint) tem seu passado tenebroso de volta quando aceita ajudar uma prostituta contra um homem que a desfigurou. O tom obscuro da obra é realçado pelo xerife vilão (feito de forma magnífica por Gene Hackman). Morgan Freeman e Richard Harris compõem o excelente elenco. Oscar de melhor filme, direção, ator coadjuvante (Hackman) e edição.

11º – Onde Começa o Inferno (1959), direção: Howard Hawks

O diretor Hawks não gostou muito do que viu em “Matar ou Morrer; o isolacionismo da obra de Fred Zinnemann não o agradou, talvez por ele ter achado a obra pouco norte-americana. Hawks decidiu mostrar o inverso: um xerife (John Wayne) que vai recusando ajuda para lidar com uma situação envolvendo resgate de prisioneiros em sua delegacia. O resultado é uma obra forte e inesquecível. O diretor basicamente o refilmou duas vezes, em 1967 e 1970. Dean Martin está no excelente elenco.

Morgan Freeman e Clint Eastwood em “Os Imperdoáveis”

12º – Da Terra Nascem os Homens (1958), direção: William Wyler

O rico e discreto James McKay (Gregory Peck), vai ao encontro de sua noiva em uma pequena cidade, mas por lá o que ele encontra é hostilidade por parte de algumas pessoas, ficando no meio de uma grande disputa de terras entre dois fazendeiros. Um ano antes de dirigir o épico “Ben-Hur”, o diretor Wyler realizou este poderoso e singular western que tem uma cena antológica de luta entre Peck e Charlton Heston. Oscar de ator coadjuvante para Burl Ives.

13º – Dança com Lobos (1990), direção: Kevin Costner

Primeiro trabalho na direção do ator Kevin Costner, “Dança com Lobos” conquistou a crítica e o público com a história de um oficial da cavalaria que, durante a Guerra Civil Americana, faz amizade com um lobo em uma região distante. Western que faz justiça aos índios aos mostrá-los como um povo perseguido e massacrado pelos homens brancos. Um belo trabalho vencedor dos Oscars de melhor filme, direção, roteiro adaptado, mixagem de som, fotografia, edição e trilha sonora.

14º – Django Livre (2012), direção: Quentin Tarantino

Em sua primeira incursão no gênero western, o diretor Tarantino reúne um elenco de peso (Jamie Foxx, Christoph Watz, Leonardo DiCaprio e Samuel L. Jackson) para contar a história de um ex-escravo que, junto ao homem que o libertou, vai em busca de sua esposa que foi sequestrada por um temível fazendeiro. Tarantino realiza um western bastante violento, mas que não deixa de lado seu habitual humor negro. Oscars de ator coadjuvante (Watz) e roteiro original.

John Wayne e Dean Martin em “Onde Começa o Inferno”

15º – Paixão dos Fortes (1946), direção: John Ford

Henry Fonda interpreta o famoso xerife Wyatt Earp na melhor versão para o cinema do histórico duelo em O.K. Corral. Ford intensifica não apenas os momentos finais, mas também a caracterização dos personagens. Traz Victor Mature como o jogador Doc Holliday. No excelente elenco ainda temos Linda Darnell, Walter Brennan, Tim Holt e Jane Darwell, entre outros. O título original “My Darling Clementine” também é uma clássica canção do filme.

16º – Johnny Guitar (1954), direção: Nicholas Ray

O grande western clássico protagonizado por mulheres – dirigido por Ray (“Juventude Transviada”) – é notável por várias razões, entre elas seu tom sugestivo. A estrela Joan Crawford interpreta uma dona de um saloon que se vê ameaçada por ambiciosos rancheiros. Tudo muda com a chegada do forasteiro Johnny Guitar (Sterling Hayden). A vilã (feita por Mercedes McCambridge) é marcante. Repare que os homens da lei estão sempre vestidos de preto.

17º – O Estranho sem Nome (1973), direção: Clint Eastwood

Um dos primeiros trabalhos na direção do lendário Clint Eastwood é também um de seus projetos mais aclamados. Um estranho chega a uma cidade, impondo desejos de mudanças no local. Aos poucos ele vai combatendo homens cruéis que tentam manter a desordem ali. Quando se pensa que Clint já havia nos mostrado de tudo nessa obra, eis que ele nos surpreende com um desfecho impactante e inesperado.

Joan Crawford e Sterling Hayden em “Johnny Guitar”

18º – Tombstone – A Justiça Está Chegando (1993), direção: George P. Cosmatos

Este é o (comercialmente) mais bem sucedido filme sobre o xerife Wyatt Earp. Kurt Russell é o protagonista deste western de ritmo ágil, estrelado ainda por Val Kilmer (como Doc Holliday). O filme tem participações especiais de astros do cinema clássico como Charlton Heston e Harry Carey Jr. No ano seguinte, Kevin Costner estrelou outra versão da mesma história: “Wyatt Earpp” (dirigido por Lawrence Kasdan).

19º – Rio Vermelho (1948), direção: Howard Hawks

John Wayne e Montgomery Clift são pai e filho neste western clássico do genial Hawks. O filme conta a história de condutores de gado na região do Texas e seus grandes desafios pelo caminho. O embate entre os protagonistas é o ponto alto desta aventura épica que tem entre suas várias cenas marcantes um impressionante estouro de boiada. “Rio Vermelho” é frequentemente eleito um dos melhores westerns da história.

20º – Duelo ao Sol (1946), direção: King Vidor

Em uma tentativa de repetir o sucesso de seu “E o Vento Levou”, o produtor David O. Selznick escalou um excelente elenco que coloca Gregory Peck, Jennifer Jones e Joseph Cotten em um triângulo amoroso que acabou causando polêmica em suas primeiras exibições. O filme conta ainda com a presença de Lillian Gish, Lionel Barrymore, Charles Bickford, Walter Huston e Harry Carey. Um western que marcou época. O final é inesquecível.

 

 

Foram lembrados:

E Deus Disse a Caim”; “O Grande Roubo de Trem”; “Duelo de Titãs”; “O Cavalo de Ferro”; “Por uns Dólares a Mais”; “Vera Cruz”; Embrutecidos pela Violência”; O Último Por-do-Sol”; “O Matador”; “O Último Pistoleiro”; “O Cavaleiro Solitário”; “Silverado”; “Os Abutres Têm Fome”; “A Marca da Força”; “O Dólar Furado”; “Blefando com a Morte”; “Django, o Bastardo”; “Django”; “Um por Deus, Outro pelo Diabo”; “Bravura Indômita”; “Galante e Sanguinário”; “El Dorado”; “Os Filhos de Katie Elder”; “Sem Lei e Sem Alma”; “Duelo de Titãs”; “O Portal do Paraíso”; “Sangue de Pistoleiro”; “Uma Longa Fila de Cruzes”; “Uma Cidade Contra o Xerife”; “O Irresistível Forasteiro”; “A Raposa Negra”; “O Tesouro de Sierra Madre”; “A Face Oculta”; “Crepúsculo de uma Raça”; “Pequeno Grande Homem”; “Jovem Demais para Morrer”; “Banzé no Oeste”; “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”;  “O Último dos Moicanos”; “Ninho de Cobras”; “Hombre”; “Por um Punhado de Dólares”; “O Passado não Perdoa”; “Onde os Fracos não têm Vez”; “A Conquista do Oeste”. “Winchester ‘73”.

 

Ficaram de fora:

Consciências Mortas”; “Atire a Primeira Pedra”; “Butch Cassidy”; “Sete Homens Sem Destino”. “Céu Amarelo”; O Homem dos Olhos Frios”, “E o Sangue Semeou a Terra”; “Pistoleiros do Entardecer”; Minha Vontade é Lei”; “O Resgate de um Bandoleiro”; “Ao Rufar dos Tambores”; “Legião Invencível”; “O Homem do Oeste”;  “O Preço de um Homem”; “A Última Carroça”; “Sua Única Saída”; “Flechas de Fogo”; “Josey Wales – O Fora da Lei”; “Pat Garrett e Billy the Kid”; “Rio Grande”; “Um de Nós Morrerá“; “Eu Matei Jesse James”; “A Árvore dos Enforcados”; “Uma Cidade que Surge”; “O Vingador Silencioso”; “Dominados pelo Terror”; “Aliança de Aço”; “Audazes e Malditos”; “Jesse James”, “Caminhos Ásperos”; “Estigma da Crueldade”; “Meu Melhor Companheiro”; “A Última Fronteira”; “A Grande Jornada”.

 

 

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