Crítica: O Rei do Show
O Rei do Show - The Greatest Showman

Crítica: O Rei do Show

O Rei do Show prova que qualquer história pode se tornar um espetáculo hollywoodiano que seja fruto de seu tempo.

 

Ficha técnica:

Direção: Michael Gracey
Roteiro: Jenny Bicks, Bill Condon
Elenco: Hugh Jackman, Michelle Williams, Zendaya, Zac Efron, Rebecca Ferguson, Keala Settle, Paul Sparks.
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (25 de Dezembro de 2017 no Brasil)

Sinopse: Com origem humilde, P.T. Barnum (Hugh Jackman) decide desafiar as barreiras sociais ao se casar com uma mulher de origem rica, sua paixão da infância. Mais tarde, ele decide empreender em uma época em que esse verbo sequer existia, mas só começa a ter sucesso ao produzir um grande show estrelado por freaks, fraude e rejeitados.

 

 

Uma das magias do cinema é poder transformar histórias terríveis em verdadeiras fábulas com mensagens positivas. É o que temos em “O Rei do Show”. O musical estrelado por Hugh Jackman conta de forma fantasiosa e repleta de licenças poéticas a história de P. T. Barnum, empresário que se tornou o primeiro milionário do show business, criador do circo moderno e criador de fraudes – as famosas “hoaxes”.

De maneira leve e com o infinito carisma de Jackman, “O Rei do Show” conta a história baseada em fatos como uma fábula de aceitação e valorização da diversidade. Em nenhum momento, ao longo da projeção, o espectador é levado a pensar que, no século XIX, o empreendedor explorava pessoas com deficiências e maltratava animais (aliás, é muito recente a compreensão do quanto os circos podiam ser ruins aos bichos que lá “trabalhavam”).

Mas fidedignidade histórica nunca foi condição sine qua non de qualidade, e é dessa liberdade de adaptação que se trata “O Rei do Show”. Por meio de uma história linear e uma trama básica que retrata a ascensão, queda e redenção do protagonista, acompanhamos Barnum em sua trajetória. A princípio, ele compra um museu com dinheiro emprestado – após enganar o banco – e depois decide fazer apresentações com pessoas “únicas”, o que acaba reunindo um elenco de “párias” da sociedade.

As resoluções são simples, o desenrolar da trama é ralo, as qualidades técnicas são impecáveis e o carisma dos atores se torna um dos grandes destaques. Michelle Williams, mesmo sem tanto tempo, consegue mostrar o talento que possui como atriz, enquanto Jackman e Efron conseguem se manter no topo da lista de astros de musicais (cada geração tem o Gene Kelly e o Fred Astaire que merece). Por fim, vale citar o grupo de “freaks” e sua vivacidade, com destaque para Zendaya e Keala Settle, cada uma com seu momento.

A trama reduz as polêmicas que poderiam ser tratadas. Mas, afinal, trata-se de um musical leve e pop – tais quais suas músicas (muitas criadas por parte da equipe de La La Land). Um mínimo de sensatez impedirá as pessoas de saírem do filme com vontade de ir a um circo com elefantes acrobatas (aqui eles pelo menos são feitos de CGI). Cada período possui a arte de seu tempo, e o cinema é o que temos agora. É curioso, portanto, que o personagem do crítico Bennett (vivido por Paul Sparks, ótima escolha) reconheça algo que muda completamente o retrato de Barnum: o fato de ele se apresentar com pessoas tão diferentes como seus iguais no palco (o que funciona apenas para fins dramáticos da obra, é claro).

Afinal, se o objetivo não é traçar uma biografia detalhada, nada melhor que atualizar a mensagem de uma história e adequá-la aos nossos tempos. E que isso seja feito em meio a uma bela estética e uma boa diversão – ainda que pouco memorável. Afinal, como o filme faz bem em nos lembrar em uma das falas mais inspiradas: se um crítico não é capaz de se divertir com a arte que critica, estará fadado a se tornar um carrancudo infeliz.

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  • Lucas Albuquerque

    Os problemas do filme são vários: ele não sabe o que quer ser: uma história de empreendedorismo, um drama familiar, um romance… o filme trata de inclusão, mas deixa os “párias” de lado, não vemos aprofundamento nas “aberrações” (por favor entenda o termo, não sou eu chamando). Eles parecem mais dançarinos profissionais do que artistas desajustados. As cenas de músicas, isoladamente, são ótimas, mas além desse problema tem uma pegada pop – que deixa a coisa meio torta.

    Na trama, é tudo muito certinho, os conflitos são antecipáveis e as resoluções nem sempre vem. Não estou cobrando um spotlight aqui, mas faltou viço.

    Há carisma de sobra por parte do nosso wolverine e o filme tem uma montagem em algumas sequências, que corroboram com o fake positivo que aquela arte estava vendendo, mas podem maquiar (aí um fake negativo) os problemas.
    Acho que também dou 2,5

  • Daniel Lemos Cury

    verdade! mas ainda assim é uma diversão bacana pro domingo à tarde…

  • Lucas Albuquerque

    Diversão até Transformers pode ser… vai do mau gosto de cada um rsrs. Mas cinema, cinema mesmo, aí o buraco é mais embaixo.