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Crítica: Okja (2017) – O Polêmico Original Netflix

Okja é o típico filme onde a mensagem quer se sobrepor à obra.

Ficha técnica:
Direção: Joon-ho Bong
Roteiro: Jon Ronson, Joon-ho Bong
Elenco:  Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal,  Paul Dano, Seo-Hyun Ahn
Nacionalidade e lançamento: Coreia do Sul, EUA, 2017 (28 de junho de 2017 no Brasil, diretamente na Netflix)
Sinopse (da própria Netflix): um imenso animal e a menina que o criou se veem no fogo cruzado entre o ativismo animal, a ganância empresarial e a ética.

Okja se envolveu em uma polêmica este ano no Festival de Cannes. A questão passa pela exibição do filme, original Netflix. Abordamos o tema no podcast #224: A NETFLIX VAI MATAR O CINEMA?  Deixando a confusão de lado, vamos aqui nos ater à obra em si.

O objetivo de Okja é claro: uma panfletagem descarada sobre como as empresas são malvadonas e como ainda há pessoas de bom coração (sejam doces menininhas ou violentos ativistas) que podem salvar os animais. Sim, maniqueísmo reina nas duas horas de Okja. Há poucos confrontos de ideias, a quase fábula só está preocupada em vomitar um lado – algo que já acho problemático, mas que é realçado pela incapacidade do roteiro em criar uma trama com personagens de relevo.

A história começa com a empresa Mirando, que produziu um super porco que teoricamente vai ajudar na produção de carne e salvará a humanidade. Os funcionários são retratados de forma exagerada, o que gera uma caricatura vazia, como vemos nos casos de Tilda Swinton, como a dona da empresa, e Jake Gyllenhaal como apresentador de um show. Que fique claro: os atores estão ótimos, a caracterização precisava de nomes como de Swinton e Gyllenhaal e eles entregaram a galhofa bem. Mas o roteiro não ajuda. Vide o caso do Giancarlo Esposito, que tem nas mão um personagem quase sem função e ainda assim marca uma boa presença. Paul Dano é quem tem um personagem significativo e também exerce uma atuação verdadeira.

Quando os super porcos são enviados ao redor do mundo para um competição, acompanhamos, dez anos depois, uma garotinha interagindo em uma floresta com Okja (um desses bichos geneticamente modificados). Este momento é receado de cenas fraternas entre o Okja e a menina. Não tarda para a empresa, como era combinado anteriormente, pegar de volta o leitão – desencadeando um natural e clichê desespero na jovem. Ela só falta vestir uma capa de super herói, após quebrar um cofrinho, e sair em debandada atrás do amigo.

Cruza o caminho dela um grupo de ativistas que tem como meta desmascarar Mirando e mostrar para o mundo como eles não são a salvação que pintam ser. Aqui há uma perseguição que transcende qualquer boa vontade do público. Uma cena que seria absurda até em um desenho animado, com a gigante Okja atravessando um centro de compras sem os devidos percalços. É nesse ponto da narrativa que o único conflito é posto em tela: uma rixa entre os ativistas pode gerar alguma reflexão. Episódio que logo foi abandonado pelo roteiro, seguindo apenas com linhas óbvias.

Neste segundo ato, o tom muda, o que a priori não seria ruim. Mas há uma clara falta de compatibilidade com o primeiro e terceiro ato. O mérito de saber transitar em vários gêneros, com fotografia e ritmo diferentes, acaba diluído por essa desconexão.

No desfecho é onde o sentimentalismo impera. Talvez você chore, desarmado por movimentos apelativos, e por vezes sem sentido e convenientes. Aqui vemos mais de um Beleza Oculta do que de traços orgânicos que pudessem ser apreendidos pelo público. A humanização dos bichos quer gerar uma quase inevitável simpatia goela abaixo… Nota-se também alguns furos e uma total falta de desenvolvimento – ressalto: não é um filme de personagem, mas apenas da maçante mensagem. Em Os Simpson – o Filme (2007) a necessária pauta ambiental é muito melhor realizada…

Como nota positiva ficamos apenas com o bom uso do CGI, principalmente nas interações entre Okja e a família que a criou. Nesse sentido remete-se ao brilho de um Mogli – vencedor do Oscar, o que pode gerar indicação aqui também. E é inegável que o diretor Joon-ho Bong sabe filmar bem. A câmera não é preguiçosa o espaço é bem explorado. Contudo ele comete os mesmos erros que cometeu no outro longa que dirigiu: O Expresso do Amanhã.  Apesar dos ótimos ambientes, a marca é uma mensagem que grita o tempo inteiro e um vazio cheio de inconsistências.

Com inegáveis méritos técnicos e atores que tiram leite de pedra, o longa sabe bem o que quer ser, mas Okja acaba sendo infantiloide cretino e esquecível. E apenas reforçou a minha vontade de ir em uma churrascaria…

  • Nota Geral
2

Resumo

Okja gerou polêmica por conta na exibição no festival de Cannes e por conta da Netflix querer defender a transmissão dentro dos próprios domínios. O longa em si deixa a desejar e acaba sendo engolido pela mensagem ambiental.

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