CRÍTICA: MADAME BOVARY (2015) - CINEMA VERSUS LITERATURA - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

CRÍTICA: MADAME BOVARY (2015) – CINEMA VERSUS LITERATURA

Ficha Técnica

Direção – Sophie Barthes

Roteiro Adaptado – Sophie Barthes e Felipe Marino

Elenco PrincipalMia WasikowskaEzra MillerHenry Lloyd-Hughes

Data de Lançamento – 17 de dezembro de 2015

Sinopse –   Emma  (Mia Wasikowska) filha de um camponês, vê no Doutor Carlos (Henry Lloyd-Hughes)  uma oportunidade de ascender socialmente. Ávida leitora de romances sentimentais, ela se frustra com a mediocridade do marido, com a monotonia da vida conjugal e da sociedade interiorana. Como fuga dessa realidade, passa a se envolver com outros homens.

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Já ouviu a famosa frase que diz: “Uma coisa é uma coisa; outra coisa é outra coisa”? Essa máxima se aplica muito bem quando falamos em duas linguagens completamente distintas: cinema e literatura. Embora as duas tenham a função de contar uma história, a escrita e o formato são muito diferentes.

Como diz Syd Field em seu Manual: “ O roteiro é uma história contada em imagens ”.  Nós vemos um filme em duas horas. Já o livro, conta-nos uma história em detalhes, com riqueza de descrições, de pensamentos de personagens e nos faz imaginar.

Madame Bovary é o terceiro filme da Diretora Sophie Barthes. Ela também produziu e fez a adaptação do roteiro com muita propriedade e domínio de transição da linguagem literária para a cinematográfica. Nas primeiras cenas já percebemos que se trata de um filme de quem sabe o que faz.  (Ela também escreveu e dirigiu “Almas à Venda” e “Their Happinesse”).

Algumas versões dessa obra já foram produzidas. O cineasta Claude Chabrol, por exemplo, fez uma versão em 96. Ele tentou ser fiel ao livro, mostrando o máximo possível de cenas com fidelidade, resultando em uma narrativa superficial e muito fria. Não me tocou. As outras versões tiveram mais sucesso. Porém, nessa versão de 2015, Sophie destaca as partes mais importantes do livro e se aprofunda nelas. A essência da história está explicita, clara e objetiva. Ela inseriu os seus recortes do livro nos paradigmas de construção de roteiro com muita competência.

Sophie nos mostra uma Bovary mais humanizada, mais quente, mais de acordo com os devaneios românticos em que ela vivia. Emma é uma leitora compulsiva das obras do romantismo e torna-se um reflexo desse movimento nos primórdios do realismo. No romantismo, os autores retratavam os dramas humanos, os amores trágicos, as paixões e as emoções intensas. Para entendermos melhor a importância dessa história, é bom conhecermos um pouco do contexto em que foi criada. Gustave Flaubert, um escritor realista, vivenciando os seus próprios conflitos internos e crises, deposita em uma mulher, Emma Bovary, muito dos seus sentimentos e contradições. Por isso observa-se em Emma atitudes mais masculinas do que femininas, para uma época tão repressora à mulher.

Este livro foi lançado em uma França altamente tradicionalista, conservadora e de pensamentos políticos radicais. Uma mulher que cometesse adultério, era considerada uma marginal. Recebia o castigo do isolamento e não tinha direito a nada. O escritor foi julgado por violar preceitos morais, religiosos e públicos. Mas foi inocentado argumentando que Emma Bovary era apenas ele próprio, e o livro se tornou muito popular na época.

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A Direção de Fotografia e a Direção de Arte do filme são requintadas, não deixa nada a desejar. Sophie só cometeu um erro que poderia ter sido grave: a escolha do elenco. Para quem conhece bem o livro e os personagens, a possibilidade de se decepcionar com os tipos físicos dos atores é grande. Emma Bovary seria praticamente a nossa Capitu de Machado de Assis que descrevia os seus olhos como oblíquos e dissimulados. A atriz Mia Wasikowska, embora seja uma boa atriz, não tem essa força no olhar e na postura. Conhecemos uma Bovary mediana. E assim foi com todo o elenco. Com exceção do ator Logan Marshall-Green, o segundo amante de Emma, que estava totalmente a altura do seu personagem.

Mas mesmo com um elenco mediano, o filme merece ser visto pela beleza do conjunto da obra. Mesmo quem não leu o livro, pode se comover com a excelente adaptação feita por Sophie. Confira o trailer.

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Resumo

A versão de “MADAME BOVARY, 2015” mostra um ótimo exemplo de transição de uma obra literária para a cinematográfica, respeitando a linguagem de cada uma.

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