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Crítica: O Que Fazemos nas Sombras

Com um humor diferente, O Que Fazemos nas Sombras é a comédia mais engraçada dos últimos tempos. 

Ficha técnica:

Direção: Taika Waititi, Jemaine Clement
Roteiro: Taika Waititi, Jemaine Clement
Elenco: Taika Waititi, Jemaine Clement, Jonny Brugh, Cori Gonzalez-Macuer, Stu Rutherford, Ben Fransham
Nacionalidade e lançamento: Nova Zelândia/EUA, 2014 (Home Video, 25 de agosto de 2016 no Brasil)

Sinopse: Viago, Deacon e Vladislav são três vampiros que estão apenas tentando sobreviver e se adaptar ao mundo moderno. Com centenas de anos de idade, os vampiros estão descobrindo que têm, de se preocupar com muito mais que exposições ao sol, estacas de madeira e atingir a artéria principal de suas vítimas. Nos tempos atuais, eles têm de lidar com questões mundanas como o pagamento do aluguel, conseguir entrar em boates e superar conflitos entre os moradores da casa.

O Que Fazemos nas Sombras

Dizer que O Que Fazemos nas Sombras é a melhor comédia do ano é irônico. E não pela qualidade do filme em si – ele é realmente a melhor comédia lançada no Brasil neste ano. A ironia mesmo é que o filme é de 2014, dois anos atrás. Este tratamento para um filme do tipo não é incomum. A chegada de filmes independentes como este às terras tupiniquins depende muito dos prêmios e do boca a boca gerado pelos mesmos. E se para filmes como dramas indies já ocorrem demoras, imagine para um mockumentary (um falso documentário) neozelandês sobre o dia  a dia de três amigos vampiros… pois é.

Sendo assim, a distribuidora Mares Filmes trouxe o filme ao Brasil com lançamento Digital On Demand e DVD, no dia 25 de Agosto. A decisão de um lançamento em Home Video é acertada. O humor da obra não é pra todos, realmente, e não de forma “elitista”. Na verdade, este pode ser um dos melhores elogios que posso atribuir a O Que Fazemos nas Sombras: o humor do filme e dos diretores Taika Waititi e Jemaine Clement (que também atuam como Viago e Vladislav, respectivamente) é tão peculiar, tão excêntrico, tão único, que o filme causaria uma certa confusão no grande público.

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O longa é baseado no curta-metragem de mesmo nome, dirigido também por Waititi e Clement em 2005. Nele, uma equipe de cinegrafistas, devidamente protegida com “colares de alho e estacas”, acompanha o dia a dia de três vampiros que moram juntos: Viago (Taika Waititi), Vladislav (Jemaine Clement) e Deacon (Jonny Brugh). Acompanhamos então as tentativas do trio de se ajustar aos tempos modernos, indo em baladas, limpando a casa, tentando socializar… e capturar vítimas. Juntando-se a eles, temos o milenar Petyr (Ben Fransham), e as mais novas adições ao “grupo”: o recém transformado Nick (Cori Gonzalez-Macuer) e seu melhor amigo humano Stu (Stu Rutherford).

As várias figuras do vampiro cinematográfico ao decorrer das eras são homenageadas. Petyr, o mais antigo deles, é a referência mais óbvia, representando o Nosferatu. Deacon, com suas investidas falhas de sedutor e mulherengo tem um quê de Drácula de Bela Lugosi. Viago, com seus bons modos e jeito de lorde é uma hilária verão do Louis de Pointe du Lac de Entrevista Com O Vampiro. Vladislav é uma espécie de Gary Oldman em Drácula de Bram Stoker, enquanto Nick, o mais novo transformado do grupo – com suas atitudes adolescentes e imaturas – representa os vampiros da nova geração, como o Edward de Crepúsculo. O filme brinca com os arquétipos e ironias, com referências diversas.

Já que estamos falando de ironia, é interessante ressaltar que um dos maiores triunfos deste filme é a sua honestidade na representação deste mundo. O Que Fazemos nas Sombras é um filme cheio de ironias, mas não alcança o sarcasmo crítico. Waititi e Clement amam a mitologia do vampiro e prestam uma homenagem hilária deste ícone. O mundo é retratado tão honestamente, que é até atribuída uma veracidade à mitologia criada no próprio filme. Não há deboche, o que acaba tornando aquele mundo mais real.

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A real graça de O Que Fazemos Nas Sombras está na comicidade simplória das ações de seus protagonistas, que são retratados como pessoas “comuns”, com inseguranças, medos e um delicioso senso de humor. como não se divertir vendo os vampiros provando roupas, e tendo que desenhar a si mesmos para terem uma ideia de como estão vestidos, já que eles não aparecem no espelho? Vê-los tentando “arrasar na pista” da balada então, é como acompanhar três amigos bem de perto, já que é tudo auxiliado pelo ótimo uso do mockumentary, que extrai todo o potencial cômico permitido pelo pequeno orçamento. São gags visuais, humor pastelão, piadas de uma sutileza incrível em alguns momentos, e histericamente escandalosa em outros. Uma verdadeira salada cômica.

Um dos melhores personagens, no entanto, é Stu, o humano que se junta ao grupo. Interpretado por  Stu Rutherford em seu primeiro trabalho como ator (ele foi escalado no curta original apenas “por diversão” e ganhou um papel maior no longa), Stu é um técnico de computador que é obrigado a se juntar aos vampiros quando seu amigo Nick é transformado por um deles. A reação quase que indiferente, assim como a falta de personalidade do personagem aos elementos sobrenaturais que ocorrem ao seu redor é impagável, e logo, de piada recorrente, o humano se torna parte essencial do grupo, como o único “cara normal”.

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Para provar a eficiência do filme, escrevendo esta crítica, me encontrei rindo apenas refletindo os momentos, que, em suas sutilezas, conseguem entreter – e divertir- mesmo semanas após vê-lo. Desta forma, O Que Fazemos nas Sombras é uma das melhores comédias independentes dos últimos anos, com personagens engraçados, situações hilárias, e deliciosamente excêntrico, com um humor que não é universal, mas para os que dão uma chance, permanece no subconsciente como uma mordida no pescoço. Se Waititi usar metade de sua veia cômica em seu próximo filme como diretor, Thor 3: Ragnarok, teremos um dos melhores e mais autorais filmes do Marvel Studios, e por esse vídeo especial feito para promover o longa, com o mesmo estilo de mockumentary usado em O Que Fazemos nas Sombras, não precisamos nos preocupar em relação ao filme do Deus Nórdico:

O filme está disponível em On Demand e DVD, então faça um favor a si mesmo e assista O Que Fazemos nas Sombras.

  • Nota Geral:
4

Resumo

O Que Fazemos nas Sombras é uma das melhores comédias independentes dos últimos anos, com personagens engraçados, situações hilárias, e deliciosamente excêntrico, com um humor que não é universal, mas para os que dão uma chance, permanece no subconsciente como uma mordida no pescoço.

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