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Crítica: Operações Especiais (2015)

Operações Especiais é um bom filme de ação nacional, mostrando que o Brasil também pode fazer longas do gênero.

Ficha técnica:
Direção: Tomas Portella
Roteiro: Mauro Lima, Tomas Portella, Martina Rupp
Elenco: Cleo Pires, Marcos Caruso, Fabrício Boliveira, Fabiula Nascimento, Fábio Lago, Antonio Tabet
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 15 de outubro de 2015.

Sinopse: Francis é formada em turismo e tem emprego na área. Após um assalto no local que ela trabalha resolve entrar para a Polícia Civil. Logo a inexperiente policial é escalada para ir a campo e tem que lidar com um esquema de corrupção bem mais profundo que ela imaginara.

Final do ano passado chegou aos cinemas Operações Especiais, levando quase 350 mil pessoas. O longa nacional já está disponível no catálogo da Netflix. O tema lembra muito o Em Nome da Lei, lançado no Brasil em abril de 2016. Mas, sem dúvidas que o filme protagonizado pela Cleo Pires teve um melhor resultado que o estrelado pelo Mateus Solano (inclusive maior sucesso nas bilheterias).

No entanto, a introdução de Operações Especiais não demonstrava isso. A contextualização da personagem na vida pré-polícia soa deslocada da trama. A premissa, uma mulher formada em turismo que vira uma policial inexperiente e jogada em campo daquela maneira, também soou desnecessária. A luta para se provar e superar os preconceitos poderia ser pota em tela sem aqueles elementos. Tanto é que da metade em diante não nos lembramos mais daquele arco inicial.

Já a ideia dela ter que lidar com piadinhas, trotes e descrenças da maioria dos companheiros homens, fica orgânica. O machismo é tratado como infelizmente ainda o vemos na vida cotidiana. A evolução dos acontecimentos nessa linha fazem sentido e são precisos. No começo falta um pouco de sutileza, imaginei que o filme seria “só” aquilo, porém logo ficou mais natural e a trama também enveredou para outros lados. Outro ponto favorável é a relação com a cidade e os moradores. As implicações de uma policia efetiva no local geram momentos até reflexivos.

Os personagens são funcionais apenas, contudo têm um crescimento – ainda que mínimo. A proposta não era aprofundá-los mesmo, então houve um surpreendente trabalho que não foi nulo. Por exemplo, o vigor e a determinação da protagonista são equilibrados pelas fraquezas e hesitações que volta e meia ela demostra, como na primeira cena. O que, mesmo com um contexto ruim na história, dá uma verdade à personagem.

As cenas de ação são contidas e não se mostram megalomaníacas. As trocas de tiro e perseguições não são mal feitas e caem na galhofa como no já citado Em Nome da Lei. Os momentos mais casuais também vem como boas formas de transição e preenchimento das lacunas. Já a questão familiar e o drama pessoal de Francis não obtiveram tal sucesso e ficaram sobrando (quem já viu o filme, pense em como ele funcionaria do mesmo jeito sem a cena do hospital ou os dilemas iniciais da personagem da Cleo).

Cleo Pires, aliás, cresce junto com a personagem. Quando a Francis se mostra mais confiante no novo universo, a filha da Glória Pires também fica mais firme na atuação. Então para responder se o início foi um demérito da atriz ou condizente com a lógica da interpretação, repetirei o bordão da mãe da atriz: “não sou capaz de opinar”. Mas falando sério, vou dar um voto de confiança à Cleo já que ela foi firme em outras produções e no recente Mais Forte que o Mundo – A História de José Aldo.

Marcos Caruso, por outro lado, é constante e nivela a interpretações do filme pelo alto. O resoluto Delegado Fróes mostra uma clara retidão de caráter em contraste com a podridão de muitos membros atuais. E o filme ganha muito com a presença do ator. Já o Fabrício Boliveira (Policial Décio) não consegue explodir em uma cena que isso era exigido dele, mas também passa as características necessárias para marcar o lado mais correto, de uma forma menos competente que o veterano Caruso, é verdade.


Operações Especiais não é excelente, sequer muito bom, todavia tem uma direção que sabe trabalhar a câmera de forma diferente nas diversas situações da história: closes, distanciamentos de câmera, ângulos não tão comuns estão presentes. Nada que soe brilhante, porém vai além do apenas correto. O roteiro é, portanto, bem conduzido, mesmo querendo atirar para todos os lados e tendo notórias falhas e faltando momentos marcantes. A história, mesmo com esses deslizes, traz alguns elementos que fazem o todo valer a pena.

Para quem gosta do gênero e sente falta de longas assim no Brasil, pode ser uma boa opção – mesmo não sendo memorável. É inconstante em diversos momentos e falta um que a mais. Ainda assim o saldo é positivo e valeria o ingresso – ou a escolha na Netflix.

[o trailer tem muito spoiler, não o recomendo – para aqueles que não ligam, ele passa o tom do que é o filme]

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