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Crítica: Alice Através do Espelho (2016)

Alice Através do Espelho diz que tempo é dinheiro. Então não perca nenhum dos dois com este filme…

Ficha técnica:
Direção: James Bobin
Roteiro: Linda Woolverton
Elenco:  Mia Wasikowska, Johnny Depp,  Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Sacha Baron Cohen.
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (26 de maio de 2016 no Brasil);

Sinopse: Alice volta para o mundo maravilhoso. Desta vez ela lutará contra o Tempo para ajudar o amigo Chapeleiro a encontrar a família dele.

Alice Através do Espelho

Muitas franquias passam a sensação que tem como único proposito serem caça-níquel. O longa anterior de Alice (2010) não nos brindou com uma obra interessante. Ela foi belíssimo visualmente, isso é um fato inegável. Mas nos trouxe uma história bem vazia e simplória. Tinha necessidade de fazer outro filme? Não. O resultado é enfadonho.

A estrutura deste longa é bem parecida com a do anterior. A história começa com Alice no mundo “real” tendo um conflito e querendo romper com o conservadorismo. E continua com aquele discurso de que não existe impossível. Após um chamado, a nossa protagonista atravessa o espelho e vai novamente para o fantástico mundo.

Quando ela chega no mundo subterrâneo descobre que o antigo amigo, o Chapeleiro, está com depressão e tenta ajudá-lo. O jeito que ela encontra envolve questões temporais. Ela dialoga com o próprio tempo (aqui uma figura humanizada, mas ainda com características de um deus).

A aventura é embalada por um vai e vem irritante e uma série de conveniências mais insuportáveis ainda. Sim, é um filme de fantasia com elementos bizarros, imaginários e exóticos. Claro que o problema não está ali. O furo está em objetos estarem no local que Alice precisava ou ainda ela mesmo estar exatamente onde determinados fatos ocorreram… Além do recurso deus ex-machina, com coisas externas vindo salvar o dia, sendo muito utilizado aqui.

alice-through-the-looking-glass

Há diversas histórias de origem sendo contadas. Vemos as motivações de alguns personagens e nos é explicado, desnecessariamente, como eles chegaram a ser as figuras que conhecemos. O passado da Rainha Vermelha foi o único interessante e com alguma carga dramática.

A Alice está destemida, curiosa e sagaz. Todavia não acrescenta em nada à personagem que já tínhamos visto anteriormente. Os secundários trazem também características repetidas. A Rainha Branca continua sem sal. O Chapeleiro tem um ou outro ponto que vale o elogio, mas no todo é bem marcado por maneirismos já manjados. Um certo tempero vem pelo Tempo, novo personagem colocado na história. Apesar de a ideia ter sido boa, logo ele perde força e evidencia mais um equívoco na abordagem.

Alice-Looking-Glass

O design de produção e os efeitos impressionam o olhar. Os cenários variados mostram um bom trabalho nesse sentido. Como o gênero permite, a liberdade criativa para os efeitos visuais pode ser melhor aproveitada e o peso do CGI é amenizado por firulas que tem algum proveito. Grosso modo são as únicas coisas que valem grandes elogios. Contudo elas não dialogam bem com a narrativa, parece que toda a inteligência criativa foi gasta com esses elementos isoladamente.

Sobre as atuações: há muita inconstância. Mia Wasikowska, a Alice, é um tanto inexpressiva e não cativa. Johnny Depp não tem muito material para trabalhar, mas não traz nada diferente do primeiro filme. Anne Hathaway continua com aquele movimento cretino com as mãos e entrega uma Rainha Branca muito inferior à irmã. E exatamente a Helena Bonham Carter (Rainha Vermelha) é a que traz a melhor interpretação e presença. Praticamente todas as cenas com ela funcionam em um nível mais alto que o resto do longa. O ótimo Sacha Baron Cohen (como Tempo) tem altos e baixos, mas merece uma avaliação positiva.

Alice Através do Espelho nos traz um falso senso de urgência, coloca a protagonista em situações que sabemos que não vai dar em nada. Tem um roteiro bem ruim. Um parte técnica boa, mas que funciona isoladamente. E um último arco, principalmente os minutos finais, bem melodramático e com uma tentativa de passar uma lição de moral. Enfim, o tempo é precioso demais para aquelas quase duas 2 horas…

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