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Crítica: Steve Jobs

Steve Jobs foi indicado em duas categorias do Oscar: melhor ator e melhor atriz coadjuvante

Ficha Técnica:
Diretor:
Danny Boyle

Roteiro: Aaron Sorkin

Elenco: Michael Fassbender, Kate Winslet, Seth Rogen, Jeff Daniels. Michael Stuhlbarg, Katherine Waterston

Nacionalidade e lançamento: EUA, 2015 (14/01/2016 no Brasil)

Sinopse: parte da biografia do Showman e rosto da Aple, Steve Jobs. Mostrando três das principais realizações, bem sucedidas ou não. E evidencia a personalidade geniosa de um gênio com a família, colegas e demais pessoas que o cercam

O filme tem uma curiosa opção de focar a narrativa em momentos antes das clássicas apresentações do Jobs. Na realidade, focar e até um eufemismo: a história da vida dele é contada apenas com este recorte. Os locais dos eventos são os únicos cenários do longa.

Temos uma clara divisão em 3 momentos, dois na década de 80 e outro nos anos 90. As datas são referentes aos lançamentos do Macintosh, da Next (aqui fora da Aple) e do iMac. Portanto não é uma biografia que abarca a totalidade da vida do biografado, outra opção um tanto incomum (não há sequer uma citação mostrando o destino dos personagens). 

Somente essas questões não são elementos que fazem com que o filme seja bom ou ruim. Agora quem espera um relatório completo do cidadão em tela irá se decepcionar. Outra característica marcante são os diálogos, em geral muito bons. Há um peso muito forte neste quesito. Alguns, portanto, podem achar o filme cansativo. Contudo, o quê de fato me incomodou um pouco foi a forma cíclica que os eventos acontecem. Nos segundo e terceiro arcos há várias situações que são vistas no começo do filme, passando um pouco do tom no uso daquele artifício.

Mais uma consideração: à semelhança de A Teoria de Tudo, é mostrado aqui mais o lado humano e menos a ciência por trás das conquistas de Jobs. Uma passagem em especial, digno de nota, onde mostra a confluência das duas facetas citadas é realmente muito boa. E diferente de O Jogo da Imitação, biografia de Alan Turin onde há mais aspectos “nerds” ao, por exemplo, focar no funcionamento do computador. Turin, aliás, é citado neste filme de uma forma provocativa culminando em uma hilária analogia com deus e Jesus.


O começo tem ritmo muito acelerado com diálogos rápidos. Já vemos um lado arrogante e teimoso do protagonista (quem não conhece o personagem não é totalmente convencido de que ele tem razão – acho que até quem o conhece também…). Em um dado momento mostra como ele prefere às máquinas aos seres humanos e temos a impressão que ele é um “babaca”. O primeiro arco é longo e tem encontros de Jobs com os outros personagens de um jeito coreograficamente artificial (principalmente pelas repetições futuras). Mas é bem estabelecido a relação que ele tem com aqueles que o cercam. Neste momento principalmente não há um viés tendencioso para dizer: “olha, estamos escrevendo a história de um cara legal”… e isso é muito bom para o gênero. 

Quanto às atuações, o Michael faz bem o personagem (eu não poderia perder o trocadilho). Fisicamente não há grandes semelhanças, mas vamos nos acostumando a esse “detalhe” e sendo convencidos cada vez mais. A Kate Winslet faz Joanna Hoffman, braço direito de Jobs. Em alguns momentos achei uma certa oscilação na interpretação de Kate, mas no todo temos uma boa performance aqui – que também ganha vulto com o passar do tempo. Seth Rogen como Steve Wozniak está funcional e caricatural (exceto por um excelente momento onde Wozniak questiona sobre o job do Jobs). Já John Sculley (Jeff Daniels) traz o melhor parceiro para Jobs aqui. Os melhores diálogos e maior peso são dados quando a dupla está junta.

As outras partes do filme acompanham o tom da primeira, para o bem ou para o mal. O roteiro se mantém com ótimos diálogos, mas com uma estrutura cansativa (devido às repetições que citei – há uma fronteira entre autorreferência e aparente preguiça ou falta de criatividade. Aqui, tendo a crer, que ela foi ultrapassada). 

Uma mudança, perceptível em tela, é concebida a partir do modo como cada macro-momento foi filmado, seguindo as tecnologias da época. Vale destacar, também, a trilha que evolui na trama (sendo, inclusive, lembrada no Globo de Ouro).

Justas as indicações para o Oscar (melhor ator e atriz coadjuvante), mas injusto o prêmio para a Kate Winslet no Globo de Ouro – Jennifer Jason Leigh (Os 8 odiados) e Alicia Vikander (Ex machina: Instinto artificial) foram melhores. A Rooney Mara (que no Globo de ouro concorreu com atriz principal e no Oscar está na categoria de coadjuvante, também foi melhor pelo trabalho em Carol).

Steve Jobs é uma figura tão icônica que nem foi necessário um subtítulo para o atual retrato dele. Mas esta obra, apesar de competente em vários aspectos, deixa um pouco a desejar em outros. As biografias supracitadas, do Stephen Hawking, notadamente pela atuação do Eddie Redmayne e do Alan Turing, foram  um pouco melhores realizadas como trabalho cinematográfico.

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