Rocha )S( #04 - "A linha tênue"

ROCHA )S( #04 – “A linha tênue”

Limitar fronteiras pode ser uma armadilha…

E até onde vai a do teatro e a do cinema?

 

– Até onde escolhemos entre qual dos dois fazer (bem!)

Possuem semelhanças, mas ignorar as diferenças não é cegueira, é burrice mesmo! Existem artifícios de grandes efeitos no pós-roteiro cinematográfico que passam em branco no selo do AO VIVO. E por aí vai…

“ELES” surgiram nas 30 páginas de uma peça de teatro, decupadas depois em um roteiro de curta metragem.

Mudanças, inserções, e sem contar os dolorosos clicks na tecla “DEL”.

 

Não existe sofrimento maior para um autor e/ou roteirista do que fazer valer a máxima, de que às vezes, “menos é (bem) mais”.

Fato é que 35mm e a caixa preta dionisíaca possuem estruturas diferentes. E perceber isso, foi o primeiro passo.

Quando resolvi transformar peça em cinema, tinha ciência de que precisaria readaptar a estrutura, sem perder a essência do conteúdo.

Marcar histórias, personagens e contextos em um breve espaço de tempo, transmitindo toda verdade cênica e dramatúrgica vital à toda obra artística, é tarefa cirúrgica, artesanal.

Das trintas páginas restaram quinze…

 

A linha tênue, inicialmente traçada, ligaria apenas dois pontos um tanto quanto oximoros. Mas, no meio do retilíneo percurso a reta virou a curva da literatura para matar a secura da garganta.

 

O desvio foi provocado pelas folhas em branco da “Língua Portuguesa”. Mais especificamente as páginas 36 e 37 – edição número 77 – Coluna Retórica.

Breve paradoxo entre o artigo do Bráulio Tavares, com a frase da página 07 dita pelo poeta e dramaturgo siciliano Luigi Pirandello:

“Assim é, se lhe parece.”

 

A percepção de qualquer coisa é variante.

Nada é uma constatação absoluta. Cada um assimila a mensagem de um jeito e decodifica de outro (ou não!).

 

Essa liberdade interpretativa do leitor, telespectador ou da plateia é o que me instiga como escritor a não limitar as histórias em pontos finais.

Esse grão de areia é um dos momentos mais delicados da escrita. Antes do ato em si, quando tudo não passa de ideias flutuantes já penso na melhor maneira de “fechar o pano”.

Em “Uma Câmera na mão…”, pensei em três finais. O primeiro, por incrível que pareça, acho que tive um lapso criativo e esqueci (mas tenho plena certeza que existiu); o segundo, emergia por uma linha espírita de prenúncio, mostrando que nossos laços fraternos – de amizade e de amor – são tecidos sob a cegueira da nossa visão e podem durar uma vida inteira; e o terceiro é o que vocês verão na tela.

 

– Minha omissão foi dolosa e complementa toda a subjetividade presente no filme. Vocês são intimados a contribuir com a imaginação de quem vê de fora pra dentro.

 

Nós – me incluo como público – perdemos nossa capacidade intelectual de pensar com o passar dos anos ou nós – me incluo como autor – que de forma arbitraria subestimamos essa capacidade?

A ausência do ponto de interrogação é proposital porque não se tratam de perguntas, mas de conclusões que vocês certamente terão.

 

Depois me digam suas respostas, por favor!

 

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