Pastelões que amamos: Chumbo Grosso (Hot Fuzz – 2007)

Pastelões que amamos: Chumbo Grosso (Hot Fuzz – 2007)

Chumbo Grosso

Quando se é o melhor no que se faz, nem sempre se atrai energias boas das outras pessoas. Mas como lidar quando o seu colega de trabalho é o melhor do melhor do mundo em ser um policial? E se esse colega for seu subordinado, o que é que você faz? Manda ele pro interior para você não ficar parecendo um babaca, óbvio. E foi isso que aconteceu com Nicholas Angel, o melhor policial que Londres já viu é enviado para uma charmosa vila no Interior da Inglaterra. Revoltado com a atual situação por não poder usar todas as suas habilidades para lutar contra o crime, se vê preso a uma vida tediosa e a um parceiro pouco inteligente pelo resto de sua vida.

Mas Angel é perspicaz e percebe que a vida em Sandford não é tão perfeita e livre de crimes quanto parece. Uma série de “acidentes” começa a acontecer e nada tira da cabeça de Angel que na verdade se trata de uma série de assassinatos. Ele então sai em busca de respostas junto com o seu parceiro um tanto quanto paspalhão.

E por que amamos? Porque é genial, ao mesmo tempo que é uma crítica à forma que todos nós fazemos as coisas (sabe aquele jeito de fazer nas coxas e achamos super chato o cara que faz do jeito certo? Então, esse jeito), conta a história de forma engraçada sem perder o tom de seriedade policial, mesmo que lá no fundinho. Da mesma forma que acontece em Máquina Mortífera, Bad boys II e alguns outros filmes policiais/comédias, que são inclusive referenciados no meio do filme e posteriormente na cena quebra-tudo-motherfucker final (essa cena está no meu coração).

“Sai da frente, lá vem eles minha gente que agora o chumbo é quente e eles têm toda razão”

 

Conforme o filme vai se desenvolvendo você vai se identificando com o Sargento Angel e a inquietude com os problemas da cidade e a mania de seus habitantes de virar o rosto para o outro lado. Tudo pelo “bem de todos”. Uma ótima maneira de pensar em como virar o rosto para algo errado pode trazer consequências muito grandes, mesmo que sejam consideradas erros pequenos. Vide final do filme que não vou contar.

O humor do filme é ótimo com os trejeitos de Angel e as respostas rápidas (como se fossem óbvias) de Butterman que arrancam risadinhas. As perseguições ao cisne do fazendeiro “Pistache”, que perduram até a cena de perseguição final do filme, são hilárias. Mas não se enganem, pela maneira que eu escrevo pode parecer que é um humor sutil e super inteligente. Não é. É um humor fácil para se assistir comendo besteira em frente a sua televisão no frio, ou enquanto sua mãe faz sua unha do pé (situação hipotética que nada se assemelha à realidade). Embora o mistério policial seja sim um tanto quanto enganador, amei.

Dessa vez não quero me demorar muito na parte técnica, mas é impossível não citar, outra vez, a fotografia. Como a luz vai se moldando aos ambientes e às cenas. Quando estamos em Londres a luz é mais puxada para o azul e é bem mais clara. Quando fomos a Sandford o tratamento da luz se torna mais quente e escuro. O que aponta não somente a inquietude e estado de espirito do protagonista, mas também a situação do lugar que tem algo de podre acontecendo na melhor aldeia da Inglaterra. (Algum dia escrevo só sobre fotografia, prometo.)

Em suma, eu sei que tá frio e sei também que romance não vai ajudar com aquele seu ex que você não deveria tá pensando (sem ligações com a realidade novamente). Então assiste Chumbo Grosso que vai te deixar melhor por cento e vinte minutos, pelo menos.

 

 

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