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Crítica: Tão Forte e Tão Perto

“Tão Forte e Tão Perto” é uma visão novaiorquina a respeito do ataque terrorista de 11 de Setembro. Talvez este seja o primeiro longa metragem a trazer os desdobramentos do ataque terrorista para o âmbito pessoal em uma história de ficção. E podemos apostar que muitos filmes ainda serão feitos sobre o assunto, tal qual ainda fazem filmes sobre o Vietnã, a 2ª Guerra e diversos conflitos já existentes.

Oskar é um menino muito inteligente que se diverte com as brincadeiras e desafios de seu pai (Tom Hanks), um joalheiro apaixonado por curiosidades e conhecimentos científicos – algo que percebemos pelos objetos e quadros espalhados pelo seu apartamento. Após perder o pai no atentado terrorista, o menino passa a seguir em busca de uma fechadura para uma chave deixada por seu pai, baseado em pequenas pistas.

Não se pode negar que “Tão Forte e Tão Perto” é emocionante e engraçado em diversos momentos, além de ter muitos elementos interessantes. No entanto, o filme também tem momentos de pieguice, como os pedidos do menino para beijar e abraçar as pessoas quando estas choram, afinal esta característica não combina com o personagem Oskar e parece ter sido colocada no roteiro apenas para tentar arrancar mais comoção do espectador.

O filme procura mostrar, através do drama do protagonista, que a tragédia de 11 de Setembro não tem explicação, e tem como principal mérito a competência em mostrar a jornada de Oskar para vencer seus medos e amadurecer sua vida e seu relacionamento com a mãe após perder o pai, com quem tinha uma ligação profunda.

Com uma câmera detalhista e cuidadosa, o filme consegue habilmente mostrar pequenos tiques de Oskar, que caracterizam um menino bastante sensível, que tem medo de lugares fechados e desconfia de qualquer coisa que não seja completamente segura. Além de retratar o caos urbano visto por Oskar, a câmera é sensível também ao iniciar uma cena da escola em uma quadra esportiva para, em seguida, desviar para o canto, onde Oskar joga videogame com um colega. Outra cena curiosa é a de uma casa que Oskar visita antes de conhecer a história do “Inquilino” (Max Von Sydow): ao aparecer, a casa é vista de um ponto de vista enquanto um avião cruza o céu, de maneira que o espectador vê o avião atravessando a casa, em uma imagem semelhante ao ataque terrorista.

Com atuações seguras de Sandra Bullock e Tom Hanks, o grande destaque do filme é o ator sueco Max Von Sydow, que foi bem lembrado pela Academia com uma indicação ao Oscar. Ao viver um personagem mudo, Von Sydow é competente ao colocar em seus olhos toda a emoção e carga dramática necessárias para seu personagem.

Nos momentos finais, o filme falha em mostrar as “pazes” entre o menino e sua mãe (Bullock), já que fornece uma explicação pouco convincente a respeito de sua atitude frente à descoberta do menino.

Feliz em retratar os sentimentos de tristeza, perda, impotência e medo gerados na população de Nova York após o fatídico dia, “Tão Forte e Tão Perto” é um belo filme, mas que não precisaria de uma indicação ao Oscar de melhor filme. Obviamente, o filme deve soar muito mais belo aos olhos de um novaiorquino que aos olhos de um paulista.

Nota: 4 Claquetes

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