Crítica: Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha (2017)
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Crítica: Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha (2017)

Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha (2017) entrega mais do mesmo com uma boa parte técnica.

Ficha técnica:
Direção: Stephen Frears
Roteiro: Lee Hall
Elenco: Judi Dench, Ali Fazal, Adeel Akhtar, Michael Gambon
Nacionalidade e lançamento: Reino Unido, 2017 (16 de novembro de 2017 no Brasil).

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As rainhas da Inglaterra renderam diversos filmes (inclusive um já dirigido por Stephen Frears, intitulado simplesmente de A Rainha, que rendera o Oscar de Melhor Atriz para Helen Mirren em 2017). Em Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha, vemos especificamente um recorte da vida da rainha Victoria (Judi Dench), que reinou entre 1837 e 1901, sendo um dos mais longevos da história.

O foco começa nas comemorações do Jubileu de Ouro, quando ela comemorava 50 anos de reinado e onde acabou conhecendo Abdul Karim (Ali Fazal), um indiano que foi levado à Inglaterra para apenas apresentar uma moeda do próprio país à época colonia britânica.

O que era para ser um encontro passageiro e insignificante, acabou se tornando uma relação onde Abdul ensinaria as riquezas da cultura dele e ampliaria os horizontes dela, além de dar vida ao tédio que ela se encontrara – mesmo mostrando isso com tintas um tanto carregadas e uma afetação nos trejeitos.

O primeiro ato é rico em comparações cômicas decorrentes desse choque cultural e dos inacreditáveis rituais reais. Diversas situações que confrontam os costumes ocasionam espanto entre os presentes e uma sincera diversão do público. Tal mote acabou gerando uma contradição: se ficasse só nisso, seria muito pobre, contudo foi o melhor momento de Victoria e Abdul.

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Da metade para o final o tom muda perdendo todo o charme. A coisa fica descompassada. Onde antes víamos curiosidade, depois enxergamos o quão rasos eram os personagens – principalmente os da corte. Onde antes tinha potencial na dupla Mohammed ( Adeel Akhtar) e o Adbul, passou a jogar para escanteio o primeiro e quase esquecemos da presença dele.

De elogiável, muito aliás, fica a parte técnica: o design de produção, penteados e figurino mostram um valor de produção incrível, passível de serem lembrados no Oscar. E devendo ganhar todos os prêmios locais. Não raro vemos produções chamadas de época (que época, cara pálida?) sendo premiadas, até pela dificuldade em se reproduzir o período.

Outro mérito cai na atuação da dupla principal: Akhtar e a experiente Judi Dench. Há uma bela química na dupla e acreditamos no carinho, curiosidade e motivações dos personagens. Acho difícil Dench vir para o Oscar, mas ela é deve também fazer sucesos nas premiações da terra da rainha.

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O gera outro incomodo analítico: se ambos estão quase 100% do tempo em tela destilando carisma e presença, então como o gosto do filme é tão agridoce? O problema cai muito no roteiro bobo que vai se perdendo, o último ato em especial, junto com a direção frágil e a montagem acelerada, refletem uma falta de filme. Parece que era pouca história para 1h50. O tempo do filme também é algo estranho, não sentimos quantos dias ou meses se passaram…

Victoria e Abdul – O Confidente da Rainha vai agradar os fãs menos exigentes da história britânica e quem quer uma sessão descompromissada. Como cinema, tem mais valor de produção do que narrativo. Ruim? Não…. mas um pouco preguiçoso…

 

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