Kevin Spacey

Kevin Spacey

Assim como fiz na postagem “Grandes mestres do cinema: John Ford”, onde eu comecei o que será uma série de grandes diretores que brilharam no cinema, eu poderia intitular este post aqui desse jeito: “Grandes astros do cinema: Kevin Spacey”. Porém, as circunstâncias atuais não permitem isso. Não que eu não pudesse fazê-lo, porque o Cinem(ação) não censura as postagens de seus autores, e eu não veria problema algum em celebrar de forma mais gloriosa o artista (e não a pessoa), falando de sua carreira e sua filmografia. Mas se estamos aqui neste momento lendo este artigo, é porque Kevin Spacey é a “bola da vez” em forma negativa, o alvo da maioria dos comentários polêmicos envolvendo cinema nos últimos dias. O título pode ter sofrido uma alteração, mas a matéria mostrará um pouco de sua filmografia e de como ele é um grande ator que sabe como poucos escolher os filmes em que atua.

O que está acontecendo em Hollywood no momento não é fofoca de tabloide, não são meras especulações. O que está acontecendo por lá é algo grave e sério, algo que já vinha acontecendo há muitos e muitos anos, mas somente agora é que estão tendo coragem em denunciar. Casos de assédios e abusos sexuais estão ganhando manchete em todo o mundo, colocando em polvorosa a indústria cinematográfica norte-americana. Se aqui no Brasil, o ator José Mayer – que se envolveu recentemente em denúncias de assédio – já pode voltar a trabalhar na emissora que o teria “demitido”, nos EUA a coisa não está tão fácil assim para os envolvidos nos escândalos. Se no início deste ano o ator Casey Affleck conseguiu “driblar” a Academia de Artes e Ciências e levou um Oscar para casa, agora o cerco se fechou pra ele e outros. Depois que o chefão Harvey Weinstein foi denunciado por assédio sexual, Hollywood decidiu fazer uma limpeza geral, não jogando nada para debaixo do tapete. Hollywood não quer se ver envolvida em algo que pode vir a se tornar maior que a própria indústria; não quer perder seu público. Demais informações acerca de toda essa polêmica você lê no artigo Destrua seus Ídolos! de Fernando Machado. Falarei um pouco sobre a carreira de Kevin Spacey; mostrando como um ator que conseguiu chegar ao topo, perdeu tudo em poucos dias. Se o ator está sendo punido por seus erros, perdendo novos contratos de filmes e perdendo também homenagens que seriam feitas a ele, do ponto de vista cinéfilo não temos como apagar de nossas mentes o excepcional ator que ele é.  Sua carreira naufragou, e isso pelo menos no momento é algo mais que comprovado; mas, e o que ele fez em torno desses últimos 30 anos?

Os Suspeitos (1995)

Kevin Spacey começou sua carreira no cinema como vários outros atores começaram: sendo o coadjuvante da história; e demorou um pouco para Hollywood colocá-lo como protagonista em seus filmes. O divertido “Uma Secretária de Futuro” (1988), e os emocionantes “O Rochedo de Gibraltar” (1988) e “Meu Pai, Uma Lição de Vida” (1989) foram alguns de seus primeiros trabalhos. Com o suspense “Jogos de Adultos” (1992), Spacey chamou a atenção da crítica; mas foi no ótimo “O Sucesso a Qualquer Preço” (1992) que o ator – e um elenco formidável – brilhou pela primeira vez. As portas estavam abertas para Spacey, e o reconhecimento total viria em pouco tempo.

Los Angeles – Cidade Proibida (1997)

O surpreendente “Os Suspeitos” (1995) lhe deu o Oscar de melhor ator coadjuvante no mesmo ano em que ele participou do excelente e perturbador “Seven – os 7 Crimes Capitais”, em um papel simplesmente aterrorizante. No ano seguinte, Al Pacino o dirigiu em “Ricardo III – Um Ensaio” (um filme que merece mais atenção do público); participou também de “Tempo de Matar” e “Meia-noite no Jardim do Bem e do Mal” (esse último dirigido por Clint Eatwood). Spacey dirigiu o interessante “Ciladas da Sorte” (1996). O excelente policial “Los Angeles – Cidade Proibida” (1997) é um de seus melhores trabalhos. “A Negociação” (1998) é um de seus poucos trabalhos no gênero ação policial. O papel do chefe de família insatisfeito em “Beleza Americana” (1999) coroou sua carreira e lhe deu o Oscar de melhor ator.

Beleza Americana (1999)

Como vimos, é uma bela filmografia de um ator formidável, um monstro na arte de atuar. Uma bela carreira jogada fora, e que será muito difícil recuperar. Como as coisas estão (a cada momento surge uma nova denúncia contra ele), será muito difícil Spacey voltar a ganhar credibilidade; ele poderá até produzir e dirigir seus próprios trabalhos, mas serão projetos de risco. Muitos de seus colegas de profissão já se manifestaram contra ele e não trabalhariam ao seu lado. O ator afundou sua carreira; e depois dessa queda gigantesca, fica difícil saber o que o futuro lhe reserva.

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