50º Festival de Brasília – Abertura: Não Devore Meu Coração

50º Festival de Brasília – Abertura: Não Devore Meu Coração

O 50º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro conta, mais uma vez, com cobertura in loco no Cinem(ação). Vamos trazer o que aconteceu em todos os dias do evento, que ocorre entre 15 e 24 de setembro.

Cobrindo mais de 20 filmes, entre curtas e longas, teremos um recorte variado do momento atual do nosso cinema. Produções de diversos estados compõem as mais diversas mostras do Festival, com destaque, claro, para a Mostra Competitiva.

Em 2016, o filme A Cidade Onde Envelheço ganhou o prêmio máximo. Mas ressalto fortemente Deserto – um dos grandes filmes nacionais dos últimos anos. Ainda na ficção, o drama Antes o Tempo Não Acabava e os documentários Cora Coralina Todas as Vidas e A Era dos Gigantes foram os melhores filmes que vi.

Agora em 2017, o Festival de Brasília será ampliado para outros locais do DF, com uma ampla programação. O primeiro dia não houve competição, tendo apenas algumas exibições especiais. Foram 4 curtas e 1 longa. Apresentação dos atores Juliano Cazarré e Dira Paes. O consagrado Matheus Nachtergaele também participou com uma performance um tanto visceral e poética.

Dentre os curtas, tivemos Festejo Muito Especial, Carlos Adriano. Além de homenagens: Nelson Perreira dos Santos, 90 anos, foi lembrado com a exibição de Nelson Filma – o diretor foi representado pelo filho e neta que receberam medalha Paulo Emílio Salles Gomes .

Os outros curtas foram homenagens póstumas a Marcio Curi, Manfredo Caldas e Geraldo Moraes. Com Quando Márcio virou estrela, de André Luís Oliveira, em homenagem a Márcio Curi e Manfredo Caldas; e Um cineasta no coração do Brasil, homenagem a Geraldo Moraes dirigida por Bruno Torres, seu filho.

Para fotos dos eventos do Festival cliquem aqui



O carro chefe da noite em Brasília foi Não Devore Meu Coração, de Felipe Bragança. Você já teve a cobertura do filme no Festival de Sundance aqui no Cinem(ação). Mais do que um simpático título, Não Devore Meu Coração tem uma premissa singular: na fronteira entre Brasil e Paraguai, acompanhamos um clima de gangues e tensões sociais, em meio a uma potencial história de amor entre adolescentes de origens diferentes.

Um letreiro inicial, transporta o público da História para o clima de fábula, mesmo com um certo didatismo imperando. Acompanhamos o garoto Joca (Eduardo Macedo) que precisa lidar com um mundo que ocorre em volta: relação com os pais, irmão, inimigos, e principalmente o amor.

Já Fernando (Cauã Reymond), está imerso em um mundo de gangues – que ele nega veementemente – porém também passa, com maior ou menos intensidade, pelos mesmos temas do irmão mais novo. Ambas as histórias ocorrem em paralelo, vez ou outra se cruzando.

Infelizmente a obra tenta abraçar mais do que dá conta. Acaba se perdendo e sendo pouco efetiva em quase tudo que se propõe. Os dramas não são tão desenvolvidos e personagens entram e saem do filme sem o menor pudor. As tensas metáforas de fronteira – física ou metafísica – cambaleiam entre o explícito demais e o clamor por mais profundidade. O flerte com o fantástico é apenas um namoro à distância.

A maior parte de não atores prejudica a experiência. A falta de expressividade, contornos dramáticos e a reprodução mecânica de um texto decorado são alguns dos problemas. Como destaques positivos temos uma firme atuação de Cauã Reymond e na parte técnica a trilha oitentista e uma fotografia suja que falam muito mais que o próprio roteiro.

Não Devore Meu Coração não é propriamente ruim. Talvez precisasse de uma lapidação. Como disse o crítico Daniel Guilarducci, do Razão de Aspecto: “há um filme muito bom dentro deste filme”.
NOTA: 3 Estrelas



O segundo dia do Festival  (16/9, sábado) contará com duas mostras, além de oficinas e outras atividades que vocês podem conferir no site do Festival de Brasília. Segue a agenda dos curtas e longas que contarão com a nossa cobertura:

Mostra Esses Corpos Indóceis

Baronesa, Juliana Antunes, 2017, 70 min, MG, 16 anos

Com o Terceiro Olho na Terra da Profanação, Catu Rizo, 2016, 66min, RJ, 12 anos

Estamos Todos Aqui, Rafael Mellim e Chico Santos, 2017, 21 min, SP, 14 anos

Meu Corpo é Político, Alice Riff, 2017, 71 min, SP, 12 anos

 

Mostra Competitiva

O Peixe, Jonathas de Andrade, 2016, 23min, PE, Livre

Nada, Gabriel Martins, 2017, 27min, MG, Livre

Música Para Quando as Luzes se Apagam, Ismael Caneppele, 2017, 70min, RS, 14 anos

Peripatético, Jéssica Queiroz, 2017, 15min, SP, Livre

Vazante, Daniela Thomas, 2017, 116 min, SP, 14 anos

 

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