(500) Dias Com Ela – Uma Crônica Sobre a Vida Real

(500) Dias Com Ela – Uma Crônica Sobre a Vida Real

Leia ouvindo a trilha sonora de (500) Dias Com Ela

Quantas vezes você já se apaixonou? Quantas vezes você já se decepcionou? Quantas vezes você já sofreu por amor? Se apaixonar, amar, se decepcionar, sofrer por amor é parte da nossa vida. Tanto é assim, que tenho uma amiga psicóloga que diz que todos devemos sofre por amor, todos temos de sentir dor de cotovelo pelo menos uma vez na vida, se isso não acontecer, não iremos crescer. E talvez é isso que faça de (500) Dias Com Ela um filme tão interessante. Ele é real. Não é uma fábula com um final feliz, mas simplesmente a realidade colocada na tela.

Logo no início do filme somos informados: “Essa não é uma história de amor” e realmente o que passamos a ver é qualquer coisa, menos uma história de amor. Joseph Gordon-Levitt é Tom um rapaz sonhador, que vê em A Primeira Noite de Um Homem o máximo do romantismo. Ele sonha com a mulher perfeita e com o relacionamento perfeito, ele é um romântico inveterado. Zooey Deschanel é Summer uma garota pé no chão e realista. Não acredita no amor e no romantismo, não acredita em relacionamento. Ela quer simplesmente viver a vida, livre de compromisso. Dois opostos que se atraem.

A partir do momento que conhecemos a ambos, passamos a ver seu relacionamento, tendo como ponto de partida o fim deste. E de forma não linear passamos a conhecer a história da relação entre eles. Isso faz com que passemos a entender aquele relacionamento. Os erros e fantasias de Tom e em contrapartida as incertezas e inseguranças de Summer. Tudo está ali jogado na tela de forma nua e crua sem floreios. A realidade mais pura e real dos relacionamentos.

E isso incomoda, porque todos nós já fomos ou somos um pouco de Tom. Existe certos momentos, como em um casamento que ocorre no início do terceiro ato, que a vontade é de gritar: “Tom seu Burro, ela está só te usando”. Mas essa é a realidade. Quem de nós nunca foi feito de bobo? Quem de nós nunca disse sim querendo dizer não? Ou teve um fio de esperança renovado depois de um convite? E é isso que torna (500) Dias Com Ela tão interessante: é a visão da nossa realidade. Conseguimos ver a nós mesmos na tela. E isso pode incomodar. “O quão bobos nós somos!” podemos pensar ao refletir sobre o filme.

Com uma trilha sonora maravilhosa, que é simplesmente viciante, (500) Dias Com Ela é a visão da nossa realidade. Realidade essa amplificada pela trilha sonora que descreve bem os momentos que estamos vendo em tela. Realidade que por várias vezes queremos florear, mas nem sempre é tão florida assim. Em certo momento do filme Rachel (Chloë Grace Moretz), a irmã mais nova de Tom, e a personagem mais madura do filme, fala uma coisa para o irmão que é sem dúvida nenhuma uma das maiores verdades da vida:

“Você está vendo apenas as coisas boas, mas tente ver nesses momentos detalhes que indicavam que nem tudo estava bem.”

E é realmente assim, as vezes não conseguimos ver os detalhes das coisas, não reparamos nas pequenas coisas, e são elas que dizem muito. Tanto para o bem como para o mal, se reparássemos nas coisas pequenas da vida, tudo seria tão diferente. Não sofreríamos tanto.

Veja uma coisa que ilustra bem isso. Em certo momento do filme, Tom e Summer estão conversando sobre os Beatles. Summer diz que o seu Beatle favorito é Ringo (coincidentemente o meu também). Tom ao invés de tentar entender, caçoa dela, e sempre que pode usa isso para tirar sarro dela, vide o momento na loja de Disco, a cara de Summer é tipo: “De novo isso? Já cansou.” Em nenhum momento vemos Tom tentar entender Summer. Não é de admirar que o que faz Summer se apaixonar no filme, é quando lhe perguntam pelo livro que ela está lendo. Um simples gesto, uma coisa pequena a conquistou.

E é em pequenas coisas da vida que passamos a amar, e sentimos que aquela pessoa é tudo o que precisamos. São em pequenas coisas que passamos a ter certeza de tudo. Como Summer diz em certo momento:

“É que eu acordei um dia e eu soube… Que com você eu nunca tive certeza.”

E é essa certeza que faz toda diferença em nossa vida. Podemos sim nos apaixonar, o amor existe sim, a própria Summer fala que ele existe. Mas para que ele exista é necessário mais que o olhar, mais que o toque, é necessário prestar atenção nas pequenas coisas da vida. Coisas que farão toda a diferença.

Principalmente quando o nosso parceiro tem uma visão diferente da nossa. Por exemplo, Summer e Tom vão ao cinema assistir A Primeira Noite de Um Homem, o filme símbolo da crença do amor de Tom. Mas Summer vê as pequenas coisas, e repara que o filme é triste. Ela termina o filme aos prantos e Tom não entende o motivo, mas o pior nem tenta entender o que ela está sentindo. Ele simplesmente quer ir comer. E é aí que entra as pequenas coisas, reparar nos detalhes. E isso vale pra tudo na nossa vida. Mas em especial para os romances.

(500) Dias Com Ela é uma verdadeira lição de vida. Preste atenção nos pequenos detalhes. Não floreie seu relacionamento, seja sincero consigo mesmo. Não estacione, não acomode, isso vai te atrasar, te puxar para baixo. Conheça seu parceiro, sua parceira. Tente entende-lo. E sonhe. Sim, se permita sonhar, se permita se apaixonar. Não tenha medo de não ter suas expectativas satisfeitas. Summer só conseguiu a felicidade quando se permitiu amar. Tom só conseguiu se reerguer quando passou a ver as coisas pequenas do seu relacionamento. E aprendeu a lição, ou não, só o Outono dirá.

Não há como negar, (500) Dias Com Ela é um filme único, com uma trilha sonora única que reflete exatamente o que vemos em tela. Mas acima de tudo é um filme que nos permite sonhar, que nos permite amar, que nos permite viver. Que nos ensina que para amar precisamos muito mais que toques e beijos, é necessário tempo. Tempo para se conhecer, para conversar, para saber quem é a pessoa ao nosso lado. E então não ter apenas (500) Dias Com Ela, mas quem sabe teremos (500) Meses Com Ela.

Obs: Escrito ao som da trilha sonora de (500) Dias Com Ela.

Trilha Sonora (500) Dias com Ela no Deezer

Trilha Sonora (500) Dias com Ela no Spotify

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  • Fernando Machado

    No texto você disse: “Tom seu Burro, ela está só te usando”. Mas essa é a realidade”. Você acha que ela realmente estava usando o Tom?

  • Daniel Lemos Cury

    Adorei o texto! E nunca tinha me dado conta disso: “A Primeira Noite de Um Homem” é um filme ZERO romântico… o que prova que Tom tinha probleminhas. heheheh
    E é uma pena que o filme nao mostre o ponto de vista da Summer. Pq no fim das contas, ela basicamente namora o cara e depois de um tempo nao quer mais… o que é plenamente aceitável. As pessoas tem todo o direito de deixar um relacionamento, e isso não significa que ela estava “usando” Tom. Nesse quesito, o roteiro é machista…

  • Davi Vilela

    Sim acho. Ela o estava usando para se divertir. Tanto que ele pergunta: porque vc dançou comigo? Ela responde: pq eu queria dançar. Aí ele fala: é vc sempre faz oq quer. Ela o usou pra se divertir, o iludiu, ela devia ter falado a vdd, mas sabia que se falasse ficaria sozinha no casamento. Ela o usou só para não se sentir abandonada solitária. E é a realidade pq qntos de nós já não fomos usados.

  • Davi Vilela

    Olha só Dani elogiando meu texto que privilégio. Realmente seria legal fazer igual fizeram com Os dois lados do amor tem a visão dela, dele e dos dois. E olha só o cara problematizando o filme, rsrsrs. Realmente é um roteiro bem machista. Mas talvez pq é baseado numa história de amor frustrada do roteirista!