Eu Cinéfilo #25: Invocação do Mal 2
Invocação do Mal 2 - cena

Eu Cinéfilo #25: Invocação do Mal 2

Filmes de terror geralmente dão um lucro razoável para as produtoras, e sendo assim parece que o James Wan virou a galinha dos ovos de ouro para esse gênero. Dirigindo “Jogos Mortais”, “Sobrenatural” e “Invocação do Mal” – este último até ganhou um fraco spin-off chamado Anabelle – obviamente as continuações viriam a acontecer e então chega aos cinemas “Invocação do Mal 2” que mostra uma evolução monstruosa do diretor na parte técnica, mas que ainda insiste no mesmo erro de não perceber que, principalmente no Terror, menos é mais.

Mais uma vez baseado em eventos supostamente reais do casal Warren a história não se passa em uma mansão isolada e sim em uma casa no subúrbio onde eventos anormais começam a acontecer ao mesmo tempo em que uma possessão parece tomar conta de uma das meninas. A Igreja, duvidando da veracidade do caso, acaba contatando o casal para que investigue e que registre prova de tal anormalidade ao mesmo tempo em que os mesmos passam por um momento de desequilíbrio de suas crenças. O que poderia ser uma história clichê, e que na verdade acaba sendo, é transformado em um grande causo pelas mãos competentes de James Wan, que consegue dar um ritmo novo a uma linguagem antiga e desgastada desse tipo de longa.

Se não bastassem os diversos planos holandeses para dar a sensação de desconforto e os planos sequência para montar a geografia da casa, o mesmo se diverte fazendo algumas rimas visuais como o suporte da janela que em um momento acaba parecendo uma cruz, ou mesmo no primeiro take do longa onde a câmera sai de um céu claro e vem entrando em uma casa até que passa pela janela e para em um cômodo, para justamente representar a nós espectadores que saímos da claridade de fora do cinema e entramos em um lugar escuro.

Fora as várias referências: uma família em que a mãe se separa do pai e o trauma dessa ausência paterna acaba deixando a filha frágil e sucessiva à possessão e o casal que luta contra a perda da fé no que fazem e podemos fazer um belo paralelo com a personagem de Linda Blair e do padre Karras em “O Exorcista”, também temos referência a “O Sexto Sentido” com a cabana feita de pano de um dos filhos servindo de “casa” para um demônio, e o mais legal de todos é a homenagem prestada a um dos melhores filmes do gênero, que é “O Iluminado” na cena do corredor com a entidade.

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O Iluminado - filme Stanley Kubrick

 

As atuações que merecem destaque na projeção são do casal demonologista interpretados pelos atores Patrick Wilson. que consegue passar muito bem o sentimento paterno quando necessário, e a Vera Farmiga que está excepcional tanto em tomadas em que precisa parecer fragilizado quanto nas que precisa demonstrar afeto e da Madison Wolfe, que consegue fazer uma criança possuída de forma tão fantástica que lembra vagamente a Linda Blair (O Exorcista). Porém, tanto a ambientação quanto a imersão estavam indo perfeitamente bem até o Wan começar a querer mostrar demais a freira-demônio, que apesar de bem maquiada perde peso ao aparecer constantemente, o fantasma do antigo morador da casa é também recorrente na tela, e o elo mais fraco com certeza é da entidade do Homem Torto que, totalmente feito em CGI, acaba parecendo um bonecão de plástico mesmo em meio a ambientes escuros, e tira você completamente do filme. E o roteiro de “Invocação do Mal 2”, que parecia já bastante previsível, acaba que na hora de juntar as duas histórias paralelas (o diretor ainda brinca com isso fazendo os rolos das fitas caírem de modo que um encontra o outro) que estava contanto força a barra demais para uma resolução muito simples no confronto final que só não é totalmente desperdiçado pela boa direção que usa câmera subjetiva em um personagem que está com a visão ruim causando um clima muito interessante de tensão e mistério.

Por fim, “Invocação do Mal 2” não tem forças para se tornar um clássico, porém tampouco é genérico como a maioria das produções do gênero. É um ótimo filme que tem algumas falhas e quebra a maldição de que as sequências em terror são sempre ruins.

 

Texto escrito por:

Willian Bongiolo

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