O cinema político a serviço de uma sociedade cada vez menos reflexiva
Uma das características da sociedade no século 21 é o rápido acesso à informação. Nunca foi tão fácil ter acesso a uma notícia, um texto, um arquivo e até aos dados bancários, mas em paralelo a esse desenvolvimento tecnológico existe um outro lado: toda essa informação tem se tornado cada vez menos sinal de conhecimento. Na contramão da tecnologia temos pessoas cada vez menos capazes de refletir, de se debruçar para entender ou até mesmo lembrar do impacto de fatos históricos e sociais e é nesse contexto que o cinema político ajuda a sociedade a não esquecer ou conhecer fatos sociais e históricos.
Obras como “Tropa de Elite 2”, “Cidade de Deus”, “O que é isso companheiro?”, “Que horas ela volta”, “Ainda estou aqui”, “Terra em Transe” e tantas outras contribuíram e muito para que pudéssemos acessar questões delicadas, nos levaram a refletir, se emocionar e entender como a nossa sociedade é e os seus múltiplos problemas, através delas podemos ver como são as coisas sob diferentes metáforas e o Brasil nunca precisou tanto de obras assim, o cinema brasileiro pode, além de tudo, contribuir para a construção de um imaginário coletivo diferente.
Vendo o que ocorreu no primeiro turno das eleições de 2026 penso no quanto é importante que arte seja esse mecanismo de acesso à informação. Os resultados mostram como uma parcela grande dos eleitores simplesmente ignorou a história e memória recente do país na hora de votar. As escolhas, majoritariamente à extrema-direita, refletem como o conhecimento tem passado longe de muitas pessoas e mais do que isso, como temos perdido a sensibilidade para crimes feitos ou para o fato determinados políticos atacarem grupos sociais com violência gratuita e criminosa.
É triste ver que mesmo com tanta informação temos aprendido cada vez menos, por isso mesmo é necessário defender o uso da cultura como indispensável para que a sociedade se reconheça e compreenda que certos aspectos não são brincadeira. O cinema brasileiro sempre nos leva a lembrar dos perigos de nossa história que vivem a nos rondar, a ditadura, as versões autoritárias do nosso estado, a construção escravista de nossa sociedade que nos faz sermos quem somos e muitas outras camadas.
No Brasil de 2026 é necessário, mais do que nunca, que obras audiovisuais ajudem esse mundo tão informado e tão sem conhecimento a entender que certas escolhas são caras a longo prazo, esse país onde todo mundo grita e ninguém se ouve precisa refletir, acalmar e olhar pra si com mais seriedade e atenção, precisamos voltar a querer aprender e pensar diferente e a arte é e sempre será um bom caminho para nos fazer sonhar com dias melhores.