Cinema brasileiro: após dois anos mágicos… o que vem agora?
O cinema brasileiro nos encheu de orgulho nos últimos dois anos. Conseguimos finalmente ganhar o Oscar de melhor filme internacional, voltamos a ganhar Globo de Ouro e a sermos destaques em grandes festivais internacionais. “Ainda Estou Aqui” e o “Agente Secreto”, grandes responsáveis por essa projeção marcaram seus nomes na história do cinema brasileiro e internacional, com isso, algo que sempre soubemos voltou a ser debatido e celebrado por várias pessoas, nosso cinema é bom demais!
Com o advento destes destaques uma coisa era impossível de não tratarmos, a pergunta era, e agora? Qual será o próximo? Qual o potencial real do nosso audiovisual? O que será feito pelo poder público e até mesmo pela iniciativa privada para explorar todo esse potencial? Tudo parecia óbvio e uma questão de “ajeitar direitinho” as coisas que tudo fluiria. Bom, parecia…

No momento em que escrevo esse texto, basicamente nada ou quase nada mudou: o cinema brasileiro segue de escanteio, produções pouco divulgadas, quase nenhum projeto voltado para explorar o potencial artístico e financeiro do segmento, nada. Nem a cota de telas, debatida de forma exaustiva em 2025, avançou como deveria. As grandes redes de cinema seguem arranjando meios de burlar a lei, ninguém fiscaliza e em um ano eleitoral parece que ninguém quer mexer neste vespeiro ou seja, nada do que está no papel dá a pinta de que vai vingar um dia.
O sentimento neste momento é de que tudo seguirá como era antes de 2024, os artistas brasileiros precisando dar a luz às suas obras na unha, o governo sem direcionar verbas ou incentivos para o setor, as salas de exibição sem cumprir corretamente cota de tela e o sentimento amargo sobre o potencial do cinema brasileiro segue sem ser explorado.
A culpa é principalmente do governo, por não conseguir fazer o básico para esta engrenagem funcionar, mas também passa por quem tem poder de trazer luz a esse assunto, a imprensa e a mídia especializada precisam querer também. Tal qual a iniciativa privada, quase sempre os grandes jornais e portais agem quando ocorre esse tipo de ocasião, quase não se fala do cinema nacional no dia a dia, como vemos em relação ao cinema em geral e pouco se fala das necessidades do nosso cinema, penso que se não houver vontade de fato de uma esfera de envolvidos maior tudo seguirá assim, até que ocorra um novo reconhecimento externo às nossas obras e todos os holofotes se voltem para elas de forma momentânea e oportuna.