Crítica: A Última Casa
A Última Casa
Direção: Louis Leterrier
Roteiro: Matthew Robinson
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, 2026.
Elenco: Greta Lee, Wagner Moura, Riley Chung, Noah Alexander Sosnowski, Emma Ho, Gabriel Barbosa.
Sinopse: Em uma situação inexplicável, uma família está confinada em sua casa, incapaz de sair. À medida que os suprimentos diminuem, eles precisam aprender a ser engenhosos para sobreviver e desvendar a força misteriosa que os aprisiona.
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Quanto mais a A Última Casa marina na consciência, menos divertido ele parece e piora com o tempo. Certamente todos têm contas a pagar e deve ter sido o caso de Wagner Moura e Greta Lee para aceitar esse projeto. Dificilmente aceitariam algo tão aborrecido e esvaziado, não fosse pelo ofício. Verdade que, na essência, o longa-metragem de Louis Leterrier tinha algo interessante, que provavelmente ficou nas intenções. E como diz o ditado, de boas intenções o inferno está cheio. Repaginando o dito, de boas intenções o catálogo da Netflix está abarrotado.
Nem tudo parecia ruim de imediato, mas com certeza poderia piorar. E piorou. Uma família fica presa dentro de casa enquanto cai uma chuva torrencial. A água trancou as pessoas. O isolamento agora faz parte daquele mundo. O pai, Wagner Moura, casado com a mãe, Greta Lee, tem dois filhos. No começo, a esperança de que aquele cenário chegaria ao fim, serve para situar o espectador num cenário positivo para, em seguida, cheio de avisos prévios, entrar num ambiente claustrofóbico de monstros na água. Um thriller e ficção científica de sobrevivência.
O excesso de facilitações irrita. Os monstros, quando aparecem, são meros recursos de espectáculo que não acrescentam narrativamente e pioram o que não tinha saída. Se eles ocupassem outra estrutura, como parte da paranoia dos personagens, por exemplo, seria menos desgastante. Mas recorrentemente somos lembrados de ser um filme Netflix, logo, o imperativo de mastigar todas as informações para uma audiência falida imaginariamente se impõe — saltitam matérias explicando o final do filme(!!!).

O pai se transforma num sobrevivencialista paranoico — o que todos desse grupo social costumam ser —, aumentando o nível de ridículo. Além de flertar com um conservadorismo tosco, a saída de sua egotrip se dá de maneira preguiçosa. Numa de suas crises de confinamento e pulsão de morte, ele entra num carro que passou consertando e causa um acidente em si mesmo. Após ser socorrido pela esposa que estava numa crise qualquer, num momento ‘eureca’, a escuridão se faz luz. Assim, cavam a saída da casa em pedaços.
Os símbolos da casa desmoronando não funcionam. O isolamento pandêmico tampouco. Os filhos, depois de anos isolados, agora adolescentes, não servem nem para arquétipos dessa faixa etária. A única sorte foi ter o carisma de Wagner Moura e Greta Lee em quase duas horas. Wagner está bem e se esforça, mas quem realmente parece ter dado o sangue para extrair algo interessante foi Greta Lee. Sua personagem, composta por duas linhas de personalidade, foi resumida a função materna. O que ela fazia antes? O que ela pensa? Quais seus interesses? Não sabemos.

A direção de Leterrier soa genérica em demasia e repetitiva. Planos básicos e pensados sem função narrativa clara, simplesmente não ajudam. O roteiro de Matthew Robinson, autoexplicativo: mal acabado, vazio e irritante. A simplória tentativa de fazer a filha empatizar com a criatura a partir do olhar gentil e sem preconceito da infância, apenas acrescenta armadilhas sentimentalistas numa história sem substância, perdida.
Tamanha oscilação chama a atenção para Matthew Robinson, que escreveu uma das melhores ficções científicas do ano, o divisivo Boa Sorte, Divirta-se, Não Morra (2026), que flerta com o fantástico e, por ser mais depressivo, se tornou mais interessante. A Última Casa se resume a um monte de ideias desenvolvidas a troco de nada, que saem de algum lugar para lugar nenhum. Não tem peso dramático nem sacrifício e insiste num final de consequências ocas. Não sabe ser thriller, não presta como sci-fi e não serve como drama familiar. Restou apenas ser chato.
Nota: 1 /5