Crítica: Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Hamnet: A Vida Antes de Hamlet
Direção: Chloé Zhao
Roteiro: Chloé Zhao, Maggie O’Farrell
Nacionalidade e Lançamento: Estados Unidos, Reino Unido, 2026
Elenco: Jessie Buckley, Paul Mescal, Zac Wishart, James Lintern, Joe Alwyn, Justine Mitchell.
Sinopse: A história de Agnes – a esposa de William Shakespeare – enquanto ela luta para lidar com a perda de seu único filho, Hamnet. Uma história humana e comovente que serve de pano de fundo para a criação da peça mais famosa de Shakespeare.
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Em um mundo acelerado em que os vídeos precisam te prender nos primeiros segundos, senão são descartados; onde os roteiros dos filmes e séries já estão vindo com excesso de repetições para que o público que assiste enquanto rola o feed possa entender sem prestar atenção, ver um filme como Hamnet ser produzido chama atenção.
Chloé Zhao claramente ama o que faz e acredita no poder da arte para ultrapassar a vida e transcender a morte. Para dizer o que às vezes não pode ser dito apenas com palavras. Para mostrar que um sentimento quando transformado em arte e compartilhado com o mundo, se torna algo muito maior.
Hamlet é uma peça que ultrapassou o tempo e séculos depois da sua criação ainda é considerada uma das maiores obras já criadas. E William Shakespeare é cultuado pelo seu trabalho até os dias de hoje.
Muito se fala das suas criações, mas o que se sabe sobre sua vida é pouco comparado ao que se tem de conhecimento sobre sua obra. Apesar das inúmeras pesquisas sobre o que aconteceu em sua vida pessoal, muitas coisas são conjecturas. Mas uma certeza que se tem é que ele viveu uma tragédia que deu origem a seu espetáculo de maior sucesso: Hamlet.

Adaptando a obra de Maggie O’Farrell, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet vai trazer uma ficção do que teria sido a vida do dramaturgo antes da criação de sua obra-prima. E o que o levou até esse momento. E o que encontramos é pura poesia. Trágica, é verdade, mas como o próprio Shakespeare mostrou em suas obras, a tragédia também é muito capaz de trazer beleza.
Diferentemente de muitos filmes que falam sobre Shakespeare, ele não é o único ponto central. Na verdade, Agnès, sua esposa, é o centro da história. Uma mulher ligada à terra e ao oculto dessa mesma terra. Ela e William se apaixonam de forma avassaladora, se entendendo em seus silêncios. Eles se casam, têm filhos e mesmo se amando profundamente, fica claro para os dois que Shakespeare não é feliz vivendo naquela pequena vila. Ele precisa de mais. Agnès apoia que ele vá viver na capital em busca de algo maior. Mas apesar desse apoio as coisas se alteram entre eles. E quando sua filha fica doente e muda o rumo da vida da família, o distanciamento e estranhamento entre eles se torna visível.
Zhao permite que tudo tenha seu tempo em tela, sem jamais atropelar os acontecimentos. Ela também abraça o melodrama sem medo, mostrando como o gênero possui força quando bem executado. E mostra como a arte é capaz de ser cura em meio a dor.
Jessica Buckley e Paul Mescal estão totalmente entregues aos seus personagens. A Agnès de Buckley é uma verdadeira força da natureza. Sua dor chega até o público com tanta potência que você sai da sessão ainda carregando o que aquela mulher despejou em cena.
Um filme que mostra o poder da jornada. Independente de saber ou não o que vai acontecer na história, o impacto, a dor a renovação que tomam conta da tela fazem valer cada minuto de projeção.
Nota: 4 /5