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Jane Austen em 7 Filmes

Jane Austen em 7 filmes

“Quando vi Orgulho e Preconceito, me apaixonei pelo filme e pela autora Jane Austen. Fiquei a refletir o quão magnífica ela foi em retratar em sua obra uma protagonista mulher, moradora da zona rural da Inglaterra, que desafiou uma sociedade machista e conservadora em virtude das suas convicções. Jane a escreveu com maestria e sutileza, transformando sua obra em um dos maiores clássicos da literatura mundial.”

Vanessa Sand

No século 20, escritoras como Virginia Woolf, Clarice Lispector, Toni Morrison, Rachel de Queiroz, Pearl S. Buck e Agatha Christie conseguiram ver o sucesso de suas obras. No final do século 19, algumas mulheres conseguiram se destacar no cenário literário, publicando obras com seu nome impresso nas capas de seus livros. Porém, nas primeiras décadas desse mesmo século, as escritoras não desfrutavam muito da fama, pelo “simples” fato de serem mulheres.

A sociedade masculina não aceitava que assuntos como amores intensos, caráter, desejos, opressão e vingança pudessem ser tratados de forma tão marcante como eram descritos nos livros, se viessem das mulheres, principalmente por algumas delas mal terem tido uma vida mais intensa e relacionamentos amorosos. As (hoje) famosas irmãs Emily Brontë (“O Morro dos ventos Uivantes”), Anne Brontë (“A senhora de Wildfell Hall”) e Charlotte Brontë (Jane Eyre“) tiveram que publicar suas obras com nomes masculinos e o sobrenome ‘Bell’. No caso de Jane Austen, os leitores sabiam que seus textos eram escritos por uma mulher, mas não sabiam de quem se tratava.

As irmãs Brontë escreveram obras que hoje são consagradas pela crítica e pelo público, mas foi Jane Austen quem se imortalizou como a escritora mais querida de todos os tempos. Virginia Woolf e Lygia Fagundes Telles são muito lidas, mas muitos leitores pouco ‘ousam’ adentrar em suas obras, pelo conteúdo muito difícil e complexo em suas narrativas. Austen, ainda que seja considerada uma escritora de grande definição de personagens, vagueia por situações mais ao gosto do público: grandes histórias de amor que passam por grandes desafios até culminar em um final que todos desejam.

Selecionei sete longas-metragens (feitos para o cinema e a TV) baseados em sete livros de Austen. Quem preferir, há também minisséries baseadas na obra da escritora inglesa, mas acabei optando por não incluí-las nesse texto.

Razão e Sensibilidade (1995)

Vencedor do Oscar de melhor roteiro adaptado (para Emma Thompson), Globo de Ouro de melhor filme dramático e roteiro adaptado, BAFTA de filme, atriz (Thompson) e atriz coadjuvante (Kate Winslet) e o Urso de Ouro no Festival de Berlim, esta adaptação de um dos textos mais celebrados de Jane Austen é competente e muito bem dirigida por Ang Lee (que depois ganharia dois Oscars de direção, por “O Segredo de Brokeback Mountain” e “As Aventuras de Pi”). Lee injeta aqui uma visão particular e ácida da ascensão e queda da classe média na Inglaterra da primeira metade do século 19. Duas irmãs (Winslet e Thompson) vivem dias incertos quando elas e sua mãe perdem a grande propriedade onde viviam e vão morar em outro lugar. Enquanto a mais nova das duas é cortejada e age com mais impulsividade, a mais velha sofre calada pela incerteza de um futuro conjugal. O excelente elenco conta ainda com a presença de Alan Rickman, Hugh Grant, Gemma Jones, Imelda Staunton e Hugh Laurie.

Emma (1996)

Em 2020 tivemos uma competente e pomposa versão para o cinema (que acabou sendo exibida em streaming) da mais simpática das obras de Jane Austen. Estrelada pela promissora Anya Taylor-Joy, a obra agradou críticos e público. O mesmo aconteceu com a versão de 1995, onde a protagonista (interpretada com muita simpatia por Gwyneth Paltrow) esbanja muito carisma e chama a tenção por se fazer de cupido para as amigas, arranjando-lhes futuros maridos. A mais otimista personagem da escritora inglesa é também uma das mais complexas, porque, ao achar que está fazendo o bem, ela às vezes acaba criando situações embaraçosas para as pessoas ao seu lado e para si mesma, não se dando conta que o maior interesse dos homens que a cercam é ela própria. Oscar de melhor trilha sonora em comédia/musical para Rachel Portman, se tornando a primeira mulher da história a vencer o prêmio da Academia.

Palácio das Ilusões (Mansfield Park. 1999)

Foi uma grande bobagem os distribuidores terem mudado o título no Brasil daquela que é uma das mais notáveis histórias de Jane Austen. Assim como aconteceu com a versão cinematográfica de “Mrs. Dalloway” (de Virgínia Woolf) – que por aqui se chama “A Última Festa” -, o público menos atento acaba não conhecendo essa boa adaptação de “Mansfield Park”, que tem uma protagonista que por vezes lembra um personagem escrito por Charles Dickens. Sonhadora e idealista, a jovem Fanny (Frances O’Connor de “A.I. – Inteligência Artificial”) desde cedo mora em uma grande propriedade de parentes. Como acontece com a maioria das personagens principais de Austen, Fanny passará por um grande processo de amadurecimento e situações boas e ruins, até conseguir realizar seu grande sonho.

Orgulho e Preconceito (2005)

“Orgulho e Preconceito” foi a primeira obra de Jane Austen a ser levada às telas do cinema. Mesmo estrelado por um ótimo casal de atores (Laurence Olivier e Greer Garson), o filme de 1940 peca pela falta de ritmo, além de não ter muito brilho. Há, além de outras adaptações, uma elogiadíssima minissérie feita pela rede de TV britânica BBC em 1995 e estrelada por Colin Firth e Jennifer Ehle. No cinema, temos uma ótima versão de 2005 do diretor Joe Wright (do excelente “Desejo e Reparação”). O fato é que o próprio livro já é o mais querido pelos fãs de Austen, por apresentar uma das personagens mais bem definidas da literatura clássica, que é Elizabeth Bennet (Keyra Knightley, indicada ao Oscar), e, é claro, o icônico Mr. Darcy (feito aqui por Matthew Macfadyen). Tudo funciona muito bem na história de uma mãe que só pensa em casar suas cinco filhas; porém, Elizabeth reluta o tempo todo ao amor, mas ao mesmo tempo se sente atraída por Darcy. Indicado a 5 oscars, o filme conta ainda com um excelente elenco de apoio.

A Abadia de Northanger (2007)

Dizem que todo personagem da literatura tem um pouco de seu próprio escritor. Em “A Abadia de Northanger” vemos um pouco mais de Jane Austen que em suas demais obras. Aqui, a jovem e sonhadora Catherine (Felicity Jones, indicada ao Oscar por “A Teoria de Tudo”) é uma ávida leitora que sonha com a realização do amor envolta de perigos em grandes castelos. Certo dia ela conhece o jovem cavalheiro Henry Tilney (um personagem que lembra Mr. Darcy, interpretado pelo norte-americano JJ Feild) e acaba indo visitar sua grande propriedade e ficando hospedada ali por alguns dias, a fazendo lembrar de seus sonhos. Uma homenagem de Jane Austen aos romances góticos que tiveram bastante aceitação em sua época

Persuasão (2007)

Anne Elliott talvez seja a personagem principal mais controversa criada por Jane Austen. Ao mesmo tempo em que toma grandes decisões, também acaba se deixando levar pelos conselhos de uma velha amiga. No passado, ela foi persuadida a terminar um relacionamento com o oficial Frederick Wentworth. Achando que tudo ficara para trás, ela é surpreendida com o retorno dele. As circunstâncias fazem que eles frequentemente se encontrem, levando-a a  tomar uma decisão que mudará a sua vida. Feito para a TV britânica, “Persuasão” tem um ritmo irregular e um elenco de apoio com poucos atores em destaque. Ainda que não seja muito apropriada para o papel principal, a inglesa Sally Hawkins segura bem sua personagem.

Amor e Amizade (2016)

Os fãs das versões cinematográficas de Jane Austen costumam reclamar do título “Amor e Amizade”, quando na verdade a história é baseada na novela “Lady Susan” e não em “Love & Friendship” (título original de outra obra de Jane Austen). Aqui, a personagem não tem a doçura de Emma, Fanny ou Elizabeth; Lady Susan se assemelha mais à Marquesa de Merteuil (“As Relações Perigosas”, de Choderlos de Laclos). Sua perspicácia em manipular todos que lhe cercam, faz dela uma anti-Emma, ou seja, se utilizando de caprichos e sedução para arrumar pretendentes para ela e sua filha, visando ambiciosamente se livrar de um passado obscuro que faz dela uma persona non grata na sociedade inglesa. A britânica Kate Beckinsale tem aqui seu melhor momento nas telas, dosando sua personagem com muita malícia e pitadas de humor.

Mais Jane Austen

Para conhecer um pouco mais sobre a escritora Jane Austen e suas obras, aqui vão mais algumas dicas:

Amor e Inocência (2007)

No início da carreira, a jovem Jane Austen (interpretada pela norte-americana Anne Hathaway) se encanta pelo advogado Thomas Lefroy (James McAvoy). Devido às convenções da época, ela precisa fazer uma difícil escolha. Parece que temos aqui, na história de vida da autora, um mote para o que seria um de seus livros mais famosos: “Persuasão”. Mas aqui, a decisão parte da própria Jane.

Miss Austen Regrets (2008)

A inglesa Olivia Williams interpreta Jane Austen nessa pouco conhecida produção para a TV. Jane é uma escritora famosa, sempre cercada de amigos, familiares e pretendentes. Ao se fazer de cupido (lembrando sua personagem Emma), ela tenta arrumar um pretendente para sua ingrata sobrinha. Temos também aqui os últimos momentos de vida da escritora.

O Clube de Leitura de Jane Austen (2007)

Cada um lidando com seus problemas e a correria do dia-a-dia, cinco amigas e um rapaz formam um grupo de leitura, onde o foco são as obras da escritora Jane Austen. Drama, romance, anseios e frustrações se confundem com as intensas leituras desse clube. Emily Blunt e Maria Bello são os nomes mais conhecidos do bom elenco.

Austenland (2013)

Jane Austen versão Westworld? É mais ou menos essa a ideia de um centro de diversões, onde as pessoas pagam para viverem ao lado de atores e atrizes representando o universo literário de Jane Austen, com direito a figurinos de época e comportamentos que lembram o início do século 19. Para a sonhadora Jane Hayes, ali é o lugar certo para ela encontrar seu tão sonhado sr. Darcy.

Orgulho e Preconceito e Zumbis (2016)

Para quem gosta da bizarra série literária onde misturam obras clássicas da literatura com terror, como “Razão e Sensibilidade e Monstros Marinhos” e outros (inclusive alguns títulos brasileiros) certamente embarcarão na ideia “desligue o cérebro e se divirta” proposta aqui. Lilly James comanda um grupo de pessoas contra um ataque de mortos-vivos na Inglaterra do século 19.

Jane Austen nasceu em 10 de dezembro de 1775 em Steventon, no condado inglês de Hampshire, e faleceu aos 41 anos, em 18 de julho de 1817, em Winchester, Hampshire.

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