Diretores de Cinema vs Filmes de Super-Heróis - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

Diretores de Cinema vs Filmes de Super-Heróis

“Eu não vejo (os filmes). Eu tentei, sabe? Mas aquilo não é cinema. Honestamente, o mais próximo que consigo pensar deles, por mais bem-feitos que sejam, com os atores fazendo o melhor que podem sob as circunstâncias, são os parques temáticos. Não é o cinema de seres humanos tentando transmitir experiências emocionais e psicológicas a outro ser humano”.

Martin Scorsese (diretor norte-americano. Autor de obras como “Taxi Driver”, Touro Indomável”, Os Bons Companheiros”, Os Infiltrados” e o novo “O Irlandês”).

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“Quando Martin Scorsese diz que filmes da Marvel não são cinema, ele está certo, pois esperamos aprender algo do cinema. Ter iluminação, conhecimento, inspiração… Eu não sei o que alguém pode tirar, ao ver o mesmo filme repetidamente. Martin foi gentil. Ele não disse que são desprezíveis, o que eu acho que são!”.

Francis Ford Coppola (diretor norte-americano. Autor de obras como “Apocalypse Now”, O Poderoso Chefão”, O Poderoso Chefão – Parte II”, “A Conversação” e “Drácula de Bram Stoker”).

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“Eu sei que eles são grandes, mas eu não os assisto. Quero dizer, eu gosto da técnica, às vezes assisto fragmentos e trailers e me interesso pelos efeitos especiais e a produção, que são realmente espetaculares, realizados por pessoas de primeira classe. Mas não consigo me envolver com a história, fico com sono. Às vezes eu assisto no cinema e depois de meia hora estou com sono. Não me interessam em nada”.

Fernando Meirelles (diretor brasileiro. Autor de obras como “Cidade de Deus”, O Jardineiro Fiel, “Ensaio Sobre a Cegueira”, “360” e o novo “Dois Papas”).

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“Talvez, exista uma autocensura que não permite que os roteiristas escrevam outros tipos de histórias. Existem muitos, muitos filmes sobre super-heróis. E a sexualidade não existe para eles. Eles são castrados. Há um gênero não identificado, a aventura é mais importante. Já em filmes independentes, existe mais sexualidade. O ser humano tem muita sexualidade!”.

Pedro Almodóvar (diretor espanhol. Autor de obras como “Fale com Ela”, Tudo Sobre Minha Mãe, “Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos”, A Pele que Habito” e o novo “Dor e Glória”).

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“Eu acho esses filmes entediantes. Eles são feitos como commodities, como hambúrgueres. É como criar uma commodity que vai dar lucro para uma grande corporação. É um exercício cínico. Não tem nada a ver com a arte do cinema”.

Ken Loach (diretor britânico. Autor de obras como “Terra e Liberdade”, Kes”, “Eu, Daniel Blake, “Pão e Rosas” e “Ventos da Liberdade”).

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“Eu odeio super-heróis, é uma besteira. Vamos lá, amadureçam! Não seremos adolescente pelo resto de nossas vidas. É ótimo sonhar com grandes poderes. Os super-heróis sempre têm a ver com poder e é por isso que não gosto de super-heróis: eles sempre têm que vencer outros super-heróis poderosos. Vamos lá, um pouco de amor, paz e compreensão: é disso que precisamos”.

Terry Gilliam (diretor norte-americano. Autor de obras como “Brazil – O Filme”, “Os Doze Macacos”, “As Aventuras do Barão de Munchausen”, “O Pescador de Ilusões” e o recente “O Homem que matou Dom Quixote”).

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Desde 1895, o cinema encanta gerações e gerações de pessoas mundo afora Surgida como entretenimento, na época meio desacreditada por alguns, a Sétima Arte veio buscando todos os tipos de público, com os mais variados tipos de filmes, de diversos gêneros, estilos e países.

Na década de 20 do século passado, os filmes mudos disputavam o o público, onde tivemos desde filmes de aviação até dramas intimistas. Se nos anos 30, os filmes de gângsteres eram a sensação em várias salas de cinema, parte do público, por sua vez, optava por musicais ou romances intensos como “E o Vento Levou.

Nos anos 40, o western ganha grande importância, sendo um dos gêneros mais vistos até meados dos anos 60. Nessa década, tivemos também dramas comoventes feitos por grandes diretores. Os filmes épicos enchem os cinemas nos anos 50, perdendo força com “Cleópatra” (1963), enquanto Hollywood começa a se inspirar no Neorrealismo Italiano, produzindo marcantes filmes de temática social.

Os anos 60 mostraram que o público estava se despedindo dos grandes musicais. Começava ali uma série de filmes que desafiavam a censura da época. Anos 70: o cinema cru e realista dá as caras, e é ali também que surge o blockbuster (ou filme de verão), com filmes que eram campeões de bilheteria. Nos anos 80, os efeitos visuais dominavam as sala de cinema, e filmes de ação incessantes também eram muito assistidos pelo público. Os anos 90 foram cheios de filmes feitos por diretores consagrados que imprimiam muita autenticidade às suas obras. Foi também a década em que os remakes começaram a despontar com mais força.

Batman – O Cavaleiro das Trevas (2008)

Na década seguinte, produções de vários gêneros disputavam as salas de cinema com um novo tipo de filme que começou a entrar com forca no mercado: os filmes de super-heróis. A Marvel e a DC Comics investiram muito em suas produções, e o que vimos nascer foi algo gigantesco que levou milhões de pessoas aos cinemas. Para se ter uma ideia do tamanho do “barulho” que estes filmes fazem mundo afora, é só ver a lista das maiores bilheterias de todos os tempos.

A trilogia do Batman feita por Christopher Nolan é super aclamada, enquanto “Pantera Negra” (2018) foi indicado, entre outros prêmios, a melhor filme no Oscar 2019. Na mesma premiação, “Homem-Aranha no Aranhaverso” saiu vencedor como melhor animação.

Enquanto isso, o diretor James Cameron viu seus recordistas “Avatar” (2009) e “Titanic” (1997) serem ultrapassados por “Vingadores: Ultimato” (2019). Se antes, alguns profissionais da Sétima Arte discutiam sobre os cinemas cederem grande parte de suas salas para os lançamentos de filmes de super-heróis, deixando assim poucas alternativas para os demais filmes que eram lançados na mesma época, a discussão recentemente se tornou mais polêmica, quando alguns diretores consagrados começaram a expor suas opiniões de forma bastante dura, alguns deles chegando a dizer que filmes de super-heróis não é cinema.

Pantera Negra (2018)

Diante dos comentários desses diretores, podemos analisar tudo isso de duas forma: 1: Todo mundo tem o pleno direito de gostar ou não gostar de determinado filme, mesmo que tal filme seja admirado por milhões de pessoas. 2: Mais cedo ou mais tarde, estes filmes – que juntos rendem bilhões e mais bilhões de dólares – um dia incomodariam a própria indústria do cinema. Não é de hoje que filmes de ação e aventura levam multidões aos cinemas.

Franquias como “Star Wars”, “Duro de Matar”, “Máquina Mortífera”, “Star Trek”, “O Exterminador do Futuro”, “Matrix”, “Transformers”, ‘Missão Impossível”, “Jurassic Park”, “John Wick”, ‘007’, “Alien’ e ‘Velozes e Furiosos” enchem os cofres dos estúdios, mas não são alvos de opiniões contrárias por parte dos diretores de cinema, porque o que vem acontecendo com os filmes de super-heróis é algo significativamente maior. Claro que estamos falando da Marvel Studios, que há 11 anos, com mais de 20 filmes, vem se tornando uma máquina bilionária de entretenimento. Produto da Disney – que vem faturando muito alto com várias produções, entre elas os live actions de suas animações -, os filmes da Marvel conquistaram a crítica e o público, e ganha mais espaço a cada filme lançado. Sua lista de novos projetos não para de crescer.

Com mais de dezenas de milhares de filmes produzidos desde que o cinematógrafo foi inventado no final do século 19, comentários sobre o que é e o que não é cinema acaba gerando muitas discussões. Eu não gostar de determinado diretor, gênero ou franquia de filme dá o direito de julgar o que é e o que não é cinema? Os filmes do diretor Ed Wood eram considerados péssimos, mas podemos dizer que não é cinema?

Ao longo das décadas do século 20, teóricos do cinema como Andre Bazin, Giles Deleuze e Siegfried Kracauer expuseram suas opiniões sobre o que é cinema. Ideias e pontos de vistas que muitas vezes se divergiam. Até críticos renomados têm suas opiniões firmemente formadas acerca do que assistem. A crítica norte-americana Pauline Kael não era uma grande admiradora de diretoress como Stanley Kubrick e Alfred Hitchcock, enquanto os famosos críticos Roger Ebert e Gene Siskel vez ou outra discordavam um do outro sobre determinados filmes no programa de TV Siskel & Ebert at the movies.

Vingadores: Ultimato (2019)

Entre o público, alguns que gostam do filme de ação dos anos 90, estrelados por astros como Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone, Bruce Willis, Keanu Reeves e Nicolas Cage, também assistiam as produções B de ação estrelados por Lorenzo Lamas, Cynthia Rothrock, Don “The Dragon” Wilson e Sasha Mitchell.

O mesmo acontecia nas décadas de 30, 40 e 50, quando filmes de western dirigidos por mestres como John Ford, Howard Hawks, Anthony Mann, Raoul Walsh e Henry King, e estrelados por astros como John Wayne, Gary Cooper, James Stewart, Gregory Peck, Clark Gable e Errol Flynn, disputavam o público com filmes de western B feitos por diretores e atores pouco conhecidos e com baixo orçamento.

Ou seja, há espaço pra tudo, a depender do gosto de quem assiste.

Opiniões de diretores e demais profissionais da área são importantes, mas cabe a cada um de nós avaliar o que é e o que não é cinema, e se determinado filme vale a pena ou não ser visto.

Colaboração: Ana Luiza

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