Crítica: Viver Para Cantar (To Live to Sing) - 43ª Mostra de São Paulo - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema

Crítica: Viver Para Cantar (To Live to Sing) – 43ª Mostra de São Paulo

Viver Para Cantar faz parte da programação da 43ª Mostra Internacional de São Paulo e foi indicado ao prêmio SACD (Quinzena dos Realizadores) na 72ª edição do Festival de Cannes


Ficha Técnica

Direção: Johnny Ma

Roteiro: Johnny Ma

Nacionalidade e Lançamento: China, 20 de maio de 2019

Elenco: Zhao, Xiaoli, Gan Guidan, Yan Xihu

Fotografia: Matthias Delvaux

Direção de Arte: Zhang Xueqiang

Música: Jimin Kim, Jongho You

Montagem: Ana Godoy

Sinopse: Zhao Li administra uma pequena trupe de ópera de Sichuan, que vive e se apresenta em um velho teatro nos arredores de Chengdu, na China. Quando recebe a notícia da demolição do lugar, Zhao Li esconde o fato de todos, temendo que isso possa significar o fim da companhia.



Viver para Cantar é uma obra que grande parte de sua construção narrativa pode ser facilmente assimilada as obras do japonês Hirokazu Koreeda (Shoplifters). A maneira como o estreante diretor chinês Johnny Ma faz o espectador mergulhar em uma realidade em que seus indivíduos são inseridos em um grupo social com uma condição extremamente vulnerável gradativamente ganha um peso dramático que sustenta muito bem o afeto que criamos por seus personagens.

O realismo que a obra se propõe a impor através do cotidiano desta família, assim como na mais recente obra de Koreeda, nos faz perceber o real significado por trás desta palavra, não limitado apenas àqueles interligados pelo sangue e sim pela afinidade entre si (além de, é claro, dividirem o mesmo teto). Cada membro da comunidade faz parte de um grupo de ópera Sichuan, uma espécie de teatro musical que faz por homenagear diversos elementos artísticos da cultura chinesa, mas sobretudo, sua história.

Carecido de público, o grupo de ópera muitas vezes se apresenta apenas para as mesmas pessoas, um público fiel que parte dos mais distantes arredores para os subúrbios de Chengdu, no sudoeste da China. A região enfrenta um grande obstáculo decorrente do avanço do capitalismo, a existência da comunidade onde essas pessoas vivem e do teatro onde performam é ameaçada pelo processo de demolição das casas que posteriormente serão substituídas por grandes prédios, que já rodeiam toda aquela parte do mapa. A regedora da ópera, Zhao Li, recebe uma ordem demolição mas esconde dos demais integrantes enquanto tenta reverter a situação.

A mensagem que a obra carrega consigo sobre a relevância de se preservar a arte percorre todo o roteiro, visto que o grupo inteiro não se vê fazendo outra coisa senão performar, mesmo que para apenas um velhinho debilitado, seu espectador mais fiel. Apesar de em alguns momentos soar repetitivo (chegando até a sugerir uma certa romantização da destruição) e um pouco superficial em suas críticas, o diretor tem uma ótima ideia de nunca nos mostrar os engravatados responsáveis pela destruição da pequena vila, conferindo até uma certa tensão, e ainda abre espaço para apresentar momentos mais abstratos através de uma fantástica direção de arte que ressalta toda a vivacidade das cores características da cultura chinesa e que beiram o etéreo através das performances da ópera, seja para representar o grande esforço do grupo em um simples ensaio ou num momento deveras decisivo em relação ao destino daquelas pessoas.

Através da estilização fantástica do divino e um jogo de cores que aos poucos vai ganhando um tom acinzentado extremamente ameaçador, Viver para Cantar é uma obra cheia de afeto e que sempre ressalta a importância de soltar a voz, mesmo que as autoridades lutem frequentemente para calar aqueles que são colocados às margens da sociedade.

  • Viver para Cantar
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Resumo

Através da estilização fantástica do divino e um jogo de cores que aos poucos vai ganhando um tom acinzentado extremamente ameaçador, Viver para Cantar é uma obra cheia de afeto e que sempre ressalta a importância de soltar a voz, mesmo que as autoridades lutem frequentemente para calar aqueles que são colocados às margens da sociedade.

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