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Crítica |Pokémon: Detetive Pikachu

Ficha técnica
Direção: Rob Letterman
Roteiro: Dan Hernandez, Benji Samit, Rob Letterman e Derek Connolly
Elenco: Justice Smith, Ryan Reynolds, Kathryn Newton, Bill Nighy, Ken Watanabe
Nacionalidade e Lançamento: EUA, Japão, Inglaterra; 2019 (9 de maio de 2019 no Brasil)
Sinopse: O desaparecimento do detetive Harry Goodman faz com que seu filho Tim (Justice Smith) parta à sua procura. Ao seu lado ele conta com Pikachu, o antigo parceiro Pokémon de seu pai, que perdeu a memória recentemente. Juntos, eles percorrem as ruas da metrópole de Ryme City, onde humanos e Pokémon vivem em harmonia… por enquanto.

Pokémon: Detetive Pikachu

De início, Pokémon: Detetive Pikachu – primeira adaptação Hollywoodiana do fenômeno Pokémon aos cinemas – soa como uma ideia interessante e fora do comum para este tipo de produção, deixando de lado o foco nos personagens mais famosos vistos nos jogos e animações (assim como os combates das criaturas Pokémon, mais familiares aos fãs) e investindo na adaptação do pouco popular jogo homônimo, lançado em 2016.

Como no game, temos um Pikachu – o “monstrinho” mais famoso da marca – que de alguma forma consegue falar, solucionando mistérios. Se no jogo não existem explicações para as novas habilidades da criatura que consegue interagir com todos ao seu redor, no filme o único que o entende é Tim (Justice Smith), justamente o filho de seu parceiro humano Harry Goodman, que desapareceu após um acidente. Sem memória do que houve antes do acidente, o Pikachu une-se a Tim e ambos partem para a metrópole Ryme City, onde humanos e Pokémon vivem em harmonia, para tentar resolver o mistério do desaparecimento de Harry.

Detetive Pikachu abraça as partes mais básicas da mitologia Pokémon ao mesmo tempo que renega outras, com um roteiro escrito à 4 mãos (nunca um bom sinal) por Dan Hernandez, Benji Samit, Rob Letterman e Derek Connolly. Assim, como uma apresentação do universo a um público maior que talvez não conheça as “regras” do mesmo, as explicações deste mundo são superficiais ou inexistentes, com foco maior para a jornada principal de seus protagonistas enquanto os easter eggs ou fan services acontecem ao redor destes. Este foco normalmente seria positivo, mas aqui acontece o inverso: a jornada principal é formulaica e desinteressante, enquanto o mundo ao redor – favorecido por uma direção de arte chamativa, porém eficaz – encanta e desperta interesse.

Com uma outra grande produção com legião de fãs comparável nos cinemas – Vingadores: Ultimato -, a discussão do Fan Service entra novamente em pauta. Pelo pouco desenvolvimento do mundo e de todas as criaturas que aparecem em tela, muitas vezes em segundo plano e por poucos segundos, tais elementos acabam se tornando realmente um grande agrado ao fã, que deve se divertir caçando todas as referências. No entanto, quem não conhece muito deste universo e fica apenas com a burocrática jornada principal comandada pelo diretor Rob Letterman (do ótimo Goosebumps, de 2015), se cativará pelo mundo criado mas se entediará com o resto. Pontualmente alcançam-se momentos inspirados, como aquele onde Tim e Pikachu interrogam – ao melhor estilo “tira bom, tira mau” – um Pokémon que possui poder de mímica.

E as criaturas realmente são o grande triunfo deste Detetive Pikachu, que resolve bem o universo estilizado que cria (seus coadjuvantes humanos, como na animação, são meras figuras cartunescas e unidimensionais), transpondo todos os monstrinhos vistos nos jogos e desenhos de forma fiel, mas acrescentando características biológicas e texturas condizentes com suas versões do “mundo real”. Assim, um Pokémon que se assemelha à um dragão possui uma couraça mais próxima à de um réptil, por exemplo. Isto não significa que as feições extremamente expressivas dos mesmos não sejam preservadas, e o personagem título, dublado no original por Ryan Reynolds, é realmente a atração principal aqui, com um visual fofo e adorável que contrapõe apenas sua personalidade excêntrica – e suas piadas mais sacanas com certeza se devem a figura de seu próprio dublador, que alcançou sucesso maior recentemente como o personagem Deadpool. É uma pena que o filme não consiga extrair alguma reação emocional mais dramática do público como se propõe com a história de seu protagonista. Justice Smith até tenta, mas o roteiro e suas viradas são artificiais demais para que isso ocorra.

Ficamos presos, então, à desinteressante jornada principal de Tim, enquanto nos interessamos por todo o resto, um grande serviço ao fã. Uma constante iniciada com Vingadores e seu personagem Phil Coulson e replicada à exaustão nos blockbusters “nerds” dessa geração é justamente a de incluir um personagem para ser o fan service em pessoa, onde insere-se de forma literal o fã na narrativa para que o mesmo mencione todos os motivos pelo qual ama o que estamos vendo. Se a Marvel soube resolver isso muito bem no filme de 2012, obras como Jurassic World (2015), Pacific Rim: A Revolta (2018) e este Detetive Pikachu – com seu protagonista que sonhava em ser um mestre Pokémon na infância e a coadjuvante que sabe nomear todos os Pokémon – não obtém tanto sucesso nisso.

No fim, o interesse inicial pela premissa fora do esperado se esvai, assim como a ideia de que ela pudesse representar um divisor de águas neste tipo adaptação. Faz apenas sentido que a Warner Brothers e a Pokémon Company adaptem justamente o jogo onde Pikachu inexplicavelmente fale e resolva alguns mistérios: os estúdios precisam de um filme que se encaixe na norma, com seu animal computadorizado falante – que seja fofo mas faça piadas sobre o próprio enredo no qual se encontra – e o personagem do humano que, juntos, caminham por uma narrativa excessivamente complicada em comparação com o material de origem.

O bom é que neste caso, temos um inspirado visual de criaturas, que, carismáticas, conseguem carregar o filme nas costas. O que resta é torcer para que as inevitáveis sequências consigam se apoiar em elementos tão importantes quanto a inegável fofura de seus monstrinhos.

  • Nota
2.5

Pokémon: Detetive Pikachu

A jornada principal é formulaica e desinteressante, enquanto o mundo ao redor – favorecido por uma direção de arte chamativa, porém eficaz – encanta e desperta interesse.

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